Saturday, December 08, 2012
Uso de drogas e violência.
Sobre a relação entre uso de drogas e práticas de violência proponho uma leitura diferente da usual ou pelo menos me esforço para fugir da interpretação usual segunda a qual as drogas levam à violência e ao crime. O uso recreativo de substâncias psicoativas potencializam várias coisas. Por exemplo, na esfera social do erotismo, quando as pessoas buscam umas às outras para namorar, elas podem usar vários componentes para potencializar a atração e a mútua sedução. Ler poemas, usar perfumes, ver filmes no cinema, jantar num restaurante pratos com especiarias que causam sensações diferentes na experiência do paladar, ou seja, as atitudes amorosas podem recorrer a vários elementos de potencialização da experiência amorosa e erótica. Ouvir música e também, para algumas pessoas, usar substâncias psicoativas que alteram o estado de consciência podem ser formas, práticas de potencialização do prazer a dois. O "pico" de uma droga (vinho, maconha, etc.) cujo uso é recreativo e para fins eróticos pode convergir com o "pico" de um outro tipo de atividade orgástica, fazendo a potencialização de tudo isso e gerando experiências inesquecíveis para seus praticantes (os amantes). A mesma coisa acontece com as atitudes agressivas que foram socializadas segundo padrões de violência física e simbólica contra os outros. O uso não apenas recreativo, mas abusivo de drogas já é algo que é estimulado pelo padrão masculino em geral de socialização violenta. A droga ilícita ou lícita (álcool e crack, por exemplo) pode se tornar um importante elemento de potencialização da prática de violência induzida pelos padrões de comportamento social inculcados para a violência. O uso abusivo da droga numa experiência sexual, erótica, pode resultar numa overdose e numa tragédia. E o uso abusivo da droga numa experiência agressiva, violenta, pode resultar numa explosão de violência contra si e contra os outros. O problema é o tipo e a natureza da experiência sociocultural que está na base do uso social. O experimentalismo cria mecanismos de auto-controle também. Ou seja, não há nada comprovado que álcool e drogas ilícitas favorecem ações violentas de modo abstrato e em qualquer contexto e condição de socialização. Só há comprovação desse favorecimento em condições sociais específicas bem circunscritas onde padrões de socialização para o uso da violência física e simbólica se fazem presentes como condições de inteligibilidade da relação existente em cada caso concreto. Os países que são os maiores consumidores de drogas ilícitas do mundo não são necessariamente os mais violentos se os padrões de sociabilidade e o grau de intensidade de conflitualidades ocultas não-mediadas por mecanismos sociológicos não-violentos não acompanharem os padrões de consumo tendencialmente abusivo devido a potencialização que o padrão social realiza sobre a droga, sobre o uso da droga, e não o inverso.
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