Friday, August 25, 2017

Lugares públicos.

As pessoas jovens costumam expressar alegria forçada quando estão em público com suas patotas. Principalmente, quando se sabem observadas.

Tuesday, August 15, 2017

Contra o lugar do Pai eterno

Assumir o lugar do pai . E se fazer um pai contra tal lugar. Não creio no pai. Meu delicioso tormento nasce da negação de que para ele tudo é possível. Na ignorância de estar perante o pai, ponho-me fora da condição de pecador. Sou apenas leviano, um pagão leviano, que somente leva em consideração as medidas estritamente humanas. Os pais são simplesmente humanos. Animais humanos mergulhados na universal precariedade. Nada de pai eterno. Nada de eu eterno. Apenas, pais. Nada além d'Isso.

Friday, August 11, 2017

Na medida do meu desespero

O único lugar onde me sinto instado a morrer para o mundo é em um pé-sujo, na companhia de absolutos estranhos. Todos irmanados na miséria de tentar em vão matar a palava de Deus, afogando-a numa dose de qualquer beberagem vagabunda. Fora disso, não há encontro possível com a iluminação. Minha fé não é apenas cega, é também mouca e crivada de balas. Um eu que vale por uma peneira.

Porra nenhuma!

Entre 2008 e 2012, minha vida financeira era uma merda. De 2009 para 2010, perdi 50% de renda, por exemplo. Quando entrei para o serviço público. Hoje, também. De mal a pior. O que não entendo é como tanta gente ostentava no período anterior. Eram ricos e ficaram pobres? Pra mim, mudou porra nenhuma. A mesma coisa sempre. Aliás, empobreci um pouco mais. Um pouquito. Mas estou mais lido. Sem grana no bolso, a gente lê mais. O segredo para compor um país de leitores seria então pouco churrasco e viagem, liseira, e muito livro em bibliotecas públicas? Será? A ostentação parou um pouco. Era demais da conta. Acho que a crise é uma punição de Deus por causa da muita ostentação que houve. Mas mesmo assim ainda tem alguns poucos ostentando sem parar. Tenho é medo. Aliás, meda. Me torno uma pessoa pior a cada dia. Só tenho a agradecer a Deus por isso. Querer ser melhor é contra a vontade de Deus.

Friday, August 04, 2017

Um jogo de despedidas

É um estultice continuar a alimentar esse narcisismo de terceira categoria. O que me acomete é menos uma doença, é mais uma despedida. Jogo despojado de poder.

Livros extraviados

Será que gostaria de realmente saber aonde foram parar os livros que não mais me pertencem? Ou será que ainda me pertencem e estão apenas extraviados, como que sequestrados permanentemente? Mas, de qualquer modo, não há mais frestas vazias nas prateleiras, se bem que poderiam ficar derramados, tranquilamente, deitados ao chão. Quem sabe um xícara de café virada pelo pé torto os destruísse, ou, pelo menos, dessem esse pretexto que me obrigasse a lhes conceder um saco de lixo preto como destino.

Devir-lixeiro

Ler, estudar, pesquisar, de modo sistemático e ao longo da vida inteira. Qual o desejo inconsciente dessa criatura? Ser lixeiro. Por meio da análise do lixo, pode-se fazer uma interpretação profunda, histórica e sociológica, sobre a configuração sociocultural de algum coletivo. Queria ser lixeiro e acabei virando analista do lixo sociocultural e histórico. Um tipo de arqueologia.

O fim do corpo

O corpo. Essa carcaça. Um sentimento de precariedade absoluta. A morte como alegria. Estalidos, batidas - tormento. Não pertenciam ao fora, estouravam de dentro. Como um cadáver de bicho quase a espocar o bucho sob o sol do sertão. Estreitava, a cada passo, a picada. Braço doído. Clarão no olho. Céu sem nuvens. A retina recusava a forma normal dos objetos. Havia-se qual máquina. Um cipó quase o degola. Era uma armadilha. De chofre. Inútil. Sem fim. O corte no calcanhar abria e fechava, refazendo o macio da lâmina. Latejava.

Wednesday, August 02, 2017

Sobre a decência

De um sistema de dominação e espoliação, pode-se esperar alguma decência? Quem é o portador da decência quando o reclame generalizado de pessoas de bem alimenta o mais vil e torpe sistema de tortura?

Nem a mim mesmo

Não me sinto em condições de salvar ninguém, nem a mim mesmo. No máximo, consigo proteger com alguns golpes de força bruta aqueles a quem amo. Mas o que ocorrerá após a fadiga? De onde partirá a palavra de ordem que condenará meu corpo ao absoluto silêncio?