Friday, November 07, 2008
1988
esses bostinhas, infelizmente, eu os conheço faz tempos. desde os tempos de escola. os babacas ficavam lá irritados por não aprenderem nada, naquela porra, que era a escola da gente, que não se tocavam, de jeito nenhum, que aquela porra do colégio da gente, era só para aprender como funciona a sociedade brasileira e como um todo fraturado e rasgado contra a parede que é o peito de ter assinado a constituição federal de 1988 e exigir que ela seja efetivamente cumprida, pois eu assinei e quero minha vontade respeitada, e os babacas do colégio que só pensavam em dinheiro, sucesso e poder, viraram esses gerentes restritos que temos que engolir por aí.
Monday, October 06, 2008
A favor de Fortaleza de tod@s!!!!
A cidade é nossa!!!!!!!! A cidade não pertence aos carros importados dessa elite estúpida e sua arrogância histórica. A cidade é nossa!!!!!!!! Não aceitamos mais que esses segmentos elitistas que só pensam em dinheiro, sucesso e poder continuem destruindo o meio-ambiente, avançando na especulação imobiliária, oprimindo os jovens da periferia e instaurando uma situação de desequiíbrio social e cultural insustentável. Queremos reverter a riqueza das pessoas dessa cidade em elemento cultural, político, social e econômico que amplifique e potencialize um processo de desenvolvimento sustentável, orientado para justiça social, igualdade de direito e de fato, qualidade de vida, respeito aos direitos humanos, à diversidade sexual, enfim, uma cidade para tod@s. Uma cidade de tod@s. Que as elites fiquem nos seus shoppings centers, empaturrando-se de gordura. E que os seus filhos venham jogar capoeira, dançar quadrilha, surfar e mudar de mentalidade nas comunidades criativas do nosso povo.
Thursday, May 22, 2008
Corpo e pessoa
1. Como a pessoa se torna uma pessoa?
2. Qual o modo de pensamento da pessoa como pessoa?
3. Quais as formas de organizacao das pessoas?
4. Como funcionam as modalidades de interacao das pessoas?
5. Como o corpo faz a pessoa?
Tuesday, April 08, 2008
vital
só uma forma de vida muito forte conseguiria ser tão ambiciosa quanta a planta. já girara o mundo em múltiplas direções, avizinhando-se sempre das companhias incautas dos seus homens de terra perdida. foram necessárias duas ou três gerações para difusão geral entre os coletivos livres. o entre sustentando o próprio edifício da vida. na negociação permanente sobre o sentido da vida social ou nos tornarmos como essa forma de vida que diferencia nos seu fazimentos ou viraríamos presas escapatórias dos homens sem pele em miríades em cujas trocas a moeda corrente era uma moeda falsa. e os falsos moedeiros perdidos estariam se não houvesse a dita distorção de percepção. dar dobras no sensível, partilhá-lo com quem se ama. então essa força de diferenciação intensiva em que se desloca a carruagem do tempo nos faria em algum momento titubear só para perceber a conexão que conecta algum tipo de relação que possamos presumir dos universos múltiplos onde vivemos. Onde é a questão central. Onde? nossa forma de nos localizarmos no planeta é específica, volátil e misturada, como se um estudo filosófico do ser não pudesse mas contar, em sua regionalidade, com a ausência de perspectiva sobre o fundamento de zeus. o corpo marinheiro. a vida passageira. e a aterradora vontade de viver, de iludir qual viver, de fazer rapsódias do viver, enquanto pedregulhos acinzentados de manhãs adjetivadas ao extremo poderiam obstar a caminhada nua sobre os próprios trilhos e carnes. Carrapatos não morderiam nossas belas lapelas se apaziguados estivéssemos com a sorte, ou qualquer outra destinação que não fosse a melhor de todas. quereríamos então sofrer a fim de não isalar toda a sensatez de uma base mínima de compartilhamento, se os meios disso são falsamente profusos, e até mesmo, escassos. e é nessa escassez, nessa fome, alimentada pelos textos que nos moldam o caráter agonístico de toda e qualquer relação em cujo núcleo se produz a própria possibilidade do social, esperneia-se a três por quarto para manter estável alguma característica do social, esse lugar de fabricação perpétua. e assim começam os dias...
Monday, March 24, 2008
Heinrich Füssli
o homem gordo, em marcha a ré, perdeu o equilíbrio ao bater o calcanhar contra a dobra de tapete e despencou de si mesmo. provocou seu próprio mergulho depois dos três passos hesitantes que antecederam o vexame. de costas, os calcanhares entrechocaram-se ao se despedir do solo. a dobra de tapete tinha força vulcânica, não parecia mero obstáculo. sem falar que aquele tapete, ele comprara de presente, um presente caríssimo, para suas anfitriãs, que acompanhavam com viva surpresa, quase aclamando o desfiladeiro que se abriu sob suas costas. estrondoso e obsceno, ele despencou, felizmente, na cadeira de vime preferida do marido de Kézia. acompanhada do riso aberto de Clara, sua amiga íntima e confidente, ninguém, nem mesmo Kézia, parecia reprovar a cena. aliás, o sorriso sem quase sons, de ruídos abafados de Kézia, soava mais aterrador do que a gargalhada desbragada da outra. se visto a partir do seu reflexo no espelho, a gargalhada pura e simples de Clara era brincadeira de criança diante do escancarado desse sorriso refletido que, como tudo que ousa refletir, ganha parecença com a desmesura, com o excesso e o o espírito malsão da ironia pura.
a queda para o homem gordo era uma espécie de mergulho em si mesmo. não chegava a ser um de seus piores vexames, mas os simbolizava a todos como numa telemaquia às avessas.
a queda para o homem gordo era uma espécie de mergulho em si mesmo. não chegava a ser um de seus piores vexames, mas os simbolizava a todos como numa telemaquia às avessas.
Thursday, March 20, 2008
Sunday, March 09, 2008
9 march, 2008.
eu me vestia mal e lia Thomas Mann com devoção. estraguei duas obturações mastigando páginas de madeira sob a sombra de laranjeiras devoradas pela peste, carcomidas de doenças arrojadas pela concorrência californiana. que saudades de Berkeley eu não sentia ao escorregar pela minha camisa puída os dedos que viravam pálpebras. desde então não me visto tão mal, pois perdi o parâmetro, mas continuo à procura de José e seus irmãos, sem achá-los em lugar algum dessa terra queimada, e assim sobram-me ao menos as vontades da montanha mágica que quando criança parecia uma cena de filme onde o carro voava pelo penhasco de montanhas rochosas quase-canadenses, creio eu. se não fosse tudo fantasia, já estaria com saudades de mim num tempo em que nada desmerecia esse afeto.
Wednesday, February 06, 2008
Rubino, o forte.
Ele lia Freud como um código penal. Apegava-se, como prisioneiro, à letra da lei, em busca de refúgio e proteção contra as intempéries dos processos nos quais estava irremediavelmente enredado, e com espírito assolado e fustigado de criminoso, reclamava mitigação como quem foge dos rigores da pena inescapável.
Monday, January 14, 2008
14 de janeiro de 2008.
"Minha disposição é a mais pacífica. Os meus desejos são: uma humilde cabana com um teto de palha, mas boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores em minha janela e algumas belas árvores em frente de minha porta; e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade, me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes da morte deles, tocado em meu coração, lhes perdoarei todo o mal que em vida me fizeram. Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos - mas não antes de terem sido enforcados" (Heine).
"O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica" (Freud).
"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?" (Drummond).
e quem nos impede de escrever? o mar agitado, quebrando em caixões desde minha infância? certamente que não. seria a areia da praia em que com meus camaradas tantas vezes pisei em troca do afago, da poesia e da imprecisão da manhã? certamente que não. conversar com os amigos até perder os limites da injunção entre cores pintalgadas de cemitério? certamente que não. angariar fundos para uma partida de ping-pong e uma garrafa de cachaça? certamente que não. uma crise de estabelecer o transitório na vida como se fosse regra? certamente que não. incríveis impropérios sobre o viver, instruídos pela falta de acalanto? certamente que não. martini seco e cubos de gelo, derretidos pela manhã no copo impróprio do beijo de quem mal se sabe amar? certamente que não. singapura no café da manhã? certamente que não. libido de sexo de areia sob a mira do mergulo de olho trôpego, inquisto, do outro? certamente que não. mar de informações, credores pregueados de efetividade e arrogantes pela necessidade do beijo, jasmin? certamente que não. anarco-punk indissoluto, laboriante da vida e na teia do desequilíbrio? certamente...
espírito livre
allegro
andante
presto
allegro assai
acordei noturno para piano e violino de Chopin...e dormi sonatas para piano de Mozart.
Ou muito distante das aparências do mundo;
ou no centro simbólico delas.
"O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica" (Freud).
"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?" (Drummond).
e quem nos impede de escrever? o mar agitado, quebrando em caixões desde minha infância? certamente que não. seria a areia da praia em que com meus camaradas tantas vezes pisei em troca do afago, da poesia e da imprecisão da manhã? certamente que não. conversar com os amigos até perder os limites da injunção entre cores pintalgadas de cemitério? certamente que não. angariar fundos para uma partida de ping-pong e uma garrafa de cachaça? certamente que não. uma crise de estabelecer o transitório na vida como se fosse regra? certamente que não. incríveis impropérios sobre o viver, instruídos pela falta de acalanto? certamente que não. martini seco e cubos de gelo, derretidos pela manhã no copo impróprio do beijo de quem mal se sabe amar? certamente que não. singapura no café da manhã? certamente que não. libido de sexo de areia sob a mira do mergulo de olho trôpego, inquisto, do outro? certamente que não. mar de informações, credores pregueados de efetividade e arrogantes pela necessidade do beijo, jasmin? certamente que não. anarco-punk indissoluto, laboriante da vida e na teia do desequilíbrio? certamente...
espírito livre
allegro
andante
presto
allegro assai
acordei noturno para piano e violino de Chopin...e dormi sonatas para piano de Mozart.
Ou muito distante das aparências do mundo;
ou no centro simbólico delas.
Thursday, January 03, 2008
Rastros de estalactite
Há dias em que aproveito a vida como um prisioneiro. As pontas de cigarro no cinzeiro são como salva-vidas da esperança. Será que acordei sentimental demais? Em que parte do trajeto teria perdido a sensatez e espoliado minhas próprias possibilidades de consolo? De qualquer modo, dias revirados como se fossem latas de lixo não me aprazem menos do que o volume de boa literatura com o qual ainda posso me narcotizar. Esperei trezentos anos pela fúria do mar, enredado em meras palavras, resolvi não mais discursar nos seminários, palestras e fóruns a que eu me achegava com certo rubor de felicidade, parecia um néscio, caminhando de quatro patas, obtuso como o lago do monstro Ness. Criaturas nefandas como amigos, saltei do quarto, emendei dois pontos na cartela, e pus-me a rir da triste memória dos dias em que de tanto estupor não conseguia deixar de passar as velas quebradas sobre a cabeça. Macaqueei mil faces de estanho, antes de perder a Voz múltipla do vale de sombras douradas. Vida esfuziante, sem temor, sem impróbrio? Nada de doce perpetua essa rigidez ao se debater contra as fronhas do amanhã. Petrificado por quem? Talvez pela incúria dos dias flácidos. Da barriga desmesurada de cerveja ruim ao estilo dessa vida americana do passar sem amor pelas bisnagas quentes de pão. Pão de centeio, pão da vida!
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