Sunday, December 13, 2015
Escrever e escrever sempre
Não escrevo porque gosto de escrever. Escrevo pelo mesmo motivo que as pessoas vão à igreja, para fazer de conta que a morte não nos espreita. Não há novidade nisso, apenas reverberando a ideia segundo a qual a escrita é uma forma de relação com a morte, o crime e a loucura. O que não significa aderir à morte, ao crime e à loucura, mas, ao contrário, ganhar distância disso.
Monday, December 07, 2015
Sentimentos aos 42
Sinto que as linguagens que aprendi para lidar com as relações humanas não me servem mais, são insuficientes e até medíocres. Aliás, as próprias formas de experiência a que tais linguagens aprendidas se relacionavam também não me parecem mais me fornecer sentidos e valores orientadores do que está por vir. Preciso aprender novas sensibilidades, criar novas perspectivas, novas experimentações. Afinal, ainda estou vivo, e a vida é excessiva. Recuso depreciar a vida. Não sei mais onde estou. A sensação de que meu corpo está atravessado de ponta a ponta por traços que me aprisionam, tornando obsidiante a topologia de meu desejo, rateando-o, cristalizando-o no espaço fechado do Eu. Essa prisão da memória e da metafísica da dor, contra o que resta-me por vezes apenas o estupor da narcose, não pode vencer o fundamento do Ser do devir, o amor.
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