Thursday, November 30, 2006
arcaico
Outonal em terra de seara. Explode as fronteiras em dois ou três links. Senso do possível aguçado. Estratégico. Memória em função do gosto. Interlocutor. Rápido. Impreciso como um mecanismo anti-sistema. Fonte de informação qualificada.
no dia em que morri de tanto excesso
gastronomia com antropologia.
literatura com etnografia.
sociologia com enologia.
cinema numa brassérie.
jazz com samba.
rap com jazz.
fusões de olores, odores e sabores.
literatura com etnografia.
sociologia com enologia.
cinema numa brassérie.
jazz com samba.
rap com jazz.
fusões de olores, odores e sabores.
Saturday, November 25, 2006
condição humana
os olhos ágeis, as pálpebras em treliças venezianas, acompanhavam a coxa de galinha esgrimando na mão pequenina e delicada. Mercedez mirava intermitente a sua própria habilidade de humano. Não parecia ser sua mão. Nem mesmo seus, o apetite, a voracidade e a esperteza de criança lépida, inteligência imbatível pelos melhores videogames. Treinadíssima por Cecília Meireles. Mas, enfim, ela estava se sentido diferente por esses dias. Tudo parecia flutuar em sua imaginação. Nada se aquietava a sua frente, muito menos seus próprios movimentos e trajetórias. Enquanto almoçava, sua avó surgia vívida entremeando os meneios dela com os seus, com presteza de dilúvio, arranjava nesgas trinchadas sobre a pequenez do prato de plástico. quem era sua família? eram as mulheres que nasciam de dentro da barriga das outras, deixava a idéia escorregar com o pingo de óleo do couro da galinha. o couro, afinal, ela não comia. Mamãe e papai haviam-na instruído sobre o que é saudável na vida, graças a deus...a boca trabalhava com nacos suculentos de carne branca. a carne da cocó. ah! cocó! Estancou de repente. paralisados todos os movimentos. Olhou para a avó, trespassando-a, e afirmou em tom de descoberta: "a gente mata os bichos pra comer". Ciente da condição, potencializada pela própria aventura humana, voltou a comer como se nada tivesse acontecido. Como diria sua bisavó "as casas ainda estão todas sobre a terra".
exercício número 1
não me lembro mais onde estão os meridianos. nem os trópicos, além deles. trás as coisas, cimo aos montes. criatura, filho e pequenez
- no abstrato frígido do olhar;
sem devaneio, nem pena, virgula sua efígie de drogada sereia. Da malta mais leve, não se trairia esse rosto em vão, por pura que fosse, por pura conveniência de caráter.
E as estrias? Estão nas batatas das pernas, quais grafismos de um sexo meio escondido, aquecido pelo halo tenebroso da luminosidade de sala de jantar de hotel de três andares no xadrez das horas. Lugar? O destino do espaço é ser esse lugar? Refúgio de corpos serenos entremeados e molhados de suor? Impossível lugar, improvável meretriz. Ao longe e ao longo, dos pés à cabeça. Da mantilha preta à arma em prumo, virou bandido sem rumo, deixou corpo deitado na beira, e fragata de olhares por de cima dela. Intumescida manhã de luz acre e mofada faz o toldo parecer um lençol furado antes de dormir no frio. Os dedos escapando pelas frinchas, descobrindo o mundo, descortinando o céu, tudo molhado, apetitoso e íngreme, apesar de sinuoso e duro como um promontório.
- no abstrato frígido do olhar;
sem devaneio, nem pena, virgula sua efígie de drogada sereia. Da malta mais leve, não se trairia esse rosto em vão, por pura que fosse, por pura conveniência de caráter.
E as estrias? Estão nas batatas das pernas, quais grafismos de um sexo meio escondido, aquecido pelo halo tenebroso da luminosidade de sala de jantar de hotel de três andares no xadrez das horas. Lugar? O destino do espaço é ser esse lugar? Refúgio de corpos serenos entremeados e molhados de suor? Impossível lugar, improvável meretriz. Ao longe e ao longo, dos pés à cabeça. Da mantilha preta à arma em prumo, virou bandido sem rumo, deixou corpo deitado na beira, e fragata de olhares por de cima dela. Intumescida manhã de luz acre e mofada faz o toldo parecer um lençol furado antes de dormir no frio. Os dedos escapando pelas frinchas, descobrindo o mundo, descortinando o céu, tudo molhado, apetitoso e íngreme, apesar de sinuoso e duro como um promontório.
Wednesday, November 22, 2006
je plumbe avec une plume ou como une plume?
Em raras ocasiões, eu plumo.
Plumbe!!!! PLUMBEEEEEEEEEEEE
je plumbe, et alors?
mirroir dans toi
raison to live in the misunderstanding
of love away
do you come back?
é tudo frieira de jardim
do pulo envergado da lage
perna dobrada na hora certa
de vida incerta e plana...làbas
tudo plano, sem níveis, sem possíveis établies
no vagar do estuário
correr, fugir, esgrimir-se do torneado de silhueta.
meca do mal menor.
da primeva lassidão do olhar
bêbado, trôpego
sanduwiches de hortelã?
de abacaxi com filet mignon?
quem me paix?
les uns ou les autres?
Plumbe!!!! PLUMBEEEEEEEEEEEE
je plumbe, et alors?
mirroir dans toi
raison to live in the misunderstanding
of love away
do you come back?
é tudo frieira de jardim
do pulo envergado da lage
perna dobrada na hora certa
de vida incerta e plana...làbas
tudo plano, sem níveis, sem possíveis établies
no vagar do estuário
correr, fugir, esgrimir-se do torneado de silhueta.
meca do mal menor.
da primeva lassidão do olhar
bêbado, trôpego
sanduwiches de hortelã?
de abacaxi com filet mignon?
quem me paix?
les uns ou les autres?
Sunday, November 19, 2006
black and white
uma experiência íntima é uma experiência próxima? quando estive na Índia pela última vez não sabia estar pondo em risco o próprio destino - e virei lagarto dourado sob o sol de areia e pedra fumegante - e barriga esquentando dura na rocha, o rosto pintado, pintalgado de camuflagens redondas, rosto escaldado. Virei sopa de quinta-feira à tarde, na mesa longa da rotina e do sorriso fácil. Para salvar a alma? Para espremer o corpo e salvar a alma? Sandice? Quem dera! Sou só vida enraizada na pedra. Se eu durmo bem? Durmo como uma planta enraizada em uma pedra esquecida no cume de um vulcão adormecido.
ciclos insidiosos
estavam implicados pelo ciclo asfixiante e insidioso do desejo que não se locupleta, que não se esvazia, e, enquanto isso, tudo girava, impreciso, no improvável das horas. não era nem meio-dia, e lá estavam novamente na mesma palavra inquieta, diálogo sem fogueira, só fumaça ao longe...e as taperas da alma todas escondidas, impregnadas de silêncio e timidez.
Thursday, November 16, 2006
por que tu vais colar?
quando estive na Índia pela última vez, não sabia estar pondo em risco o próprio destino e virei lagarto dourado sob o sol de areia e pedra e barriga esquentando dura na rocha escaldante, o rosto pintado, pintalgado de camuflagens redondas. Para salvar a alma? Para espremer o corpo e salvar a alma? Sandice? Quem dera! Sou só vida enraizada na pedra.
desmazela
sinto saudade dela. uma saudade que não tem suporte. um esbarrão. olhamos um para o outro e pronto. rolou! Rolou? Vixe, seriam precisos mil sim para recompor um não tão rotundo. estando só, desmazelado, pobre e abandonado, só me resta brecar na via expressa do desejo e manter o cavalo de pau até completar trezentos e sessenta graus de pura embriaguez. mata-me se for capaz!
Mas vou logo avisando que, quando estive na Índia pela última vez, não sabia estar pondo em risco o próprio destino e virei lagarto dourado sob o sol de areia e pedra e barriga esquentando dura na rocha escaldante, o rosto pintado, pintalgado de camuflagens redondas. Para salvar a alma? Para espremer o corpo e salvar a alma? Sandice? Quem dera! Sou só. Só vida enraizada na pedra.
Mas vou logo avisando que, quando estive na Índia pela última vez, não sabia estar pondo em risco o próprio destino e virei lagarto dourado sob o sol de areia e pedra e barriga esquentando dura na rocha escaldante, o rosto pintado, pintalgado de camuflagens redondas. Para salvar a alma? Para espremer o corpo e salvar a alma? Sandice? Quem dera! Sou só. Só vida enraizada na pedra.
Wednesday, November 15, 2006
in cash
Anarco-punk in cash tomando sorvete de flocos e lendo, lento, os classificados para comprar a possibilidade de não ter senso de responsabilidade. Para aguçar o senso de possibilidade: café duplo puro forte amargo. cachaça. cerveja. livros. muitos e bons livros. Em vez de subjetividade, substrato de caráter. Mudança de tempo.
Saturday, November 11, 2006
exercício número 2
Entrou no quarto meio bêbado. Deitou ao seu lado. Inclinou o corpo para que ela não precisasse mudar de posição. Era um par exuberante de coxas. Sangue e carne e osso de coxas bem torneadas. Quis participar da festa que ela promovia. Uma festa particular, pessoal e instransferível...mas ela o jogou para fora de si e ele caiu sobre o colchão fino e estreito. Não era o fato de ter dormido dentro dela que a incomodava, mas sim o de ter dormido longe dela. Perfume com sexo vicia. No dia seguinte, sentado no chão da sala, vasculhava o canto da sala repleto de discos. Ela se aproxiou e tascou-lhe um beijo na boca. Era a rua da consolação, sem medo e sem número.
entendi foi nada!
era o maluco de alguém. não haveria de lhe faltar inspiração.
em algum lugar, não há palavras
tão complacentes como aquelas que estabelecem o frêmito do caráter. a explosão que o faz retroceder na aventura da espécie.
em algum lugar, não há palavras
tão complacentes como aquelas que estabelecem o frêmito do caráter. a explosão que o faz retroceder na aventura da espécie.
Wednesday, November 08, 2006
bem longe
somos do mesmo mundo
até então
mas quem fala?
quem fala a nosso favor?
as figuras não falam
a favor de ninguém.
esperei anos por isso,
e nada.
sempre um nadinha à parte.
a figuração;
lúgubres e alegres fulguram!
meninos?
impunes? decorativos?
malabares em punho,
a qualquer ruído,
nem mortificados eles se permitem.
são tudo, impossíveis de bom!
quase me dão arrepios!
me acham, por isso, o pior de todos,
a mortalha do encantado.
o mais total dos pejorativos.
acredito no talvez.
no inexorável?
um nada, um naco de ajuda,
quando são solicitados,
um tudo de pedidos,
quando são precisados,
meninas depõem,
sempre e a cores.
marginalidade?
longe disso, graças a deus
são apenas desvalidos
graciosos
e
plenos
::::::::::::
eu pago!
pode deixar!
eu pago!
até então
mas quem fala?
quem fala a nosso favor?
as figuras não falam
a favor de ninguém.
esperei anos por isso,
e nada.
sempre um nadinha à parte.
a figuração;
lúgubres e alegres fulguram!
meninos?
impunes? decorativos?
malabares em punho,
a qualquer ruído,
nem mortificados eles se permitem.
são tudo, impossíveis de bom!
quase me dão arrepios!
me acham, por isso, o pior de todos,
a mortalha do encantado.
o mais total dos pejorativos.
acredito no talvez.
no inexorável?
um nada, um naco de ajuda,
quando são solicitados,
um tudo de pedidos,
quando são precisados,
meninas depõem,
sempre e a cores.
marginalidade?
longe disso, graças a deus
são apenas desvalidos
graciosos
e
plenos
::::::::::::
eu pago!
pode deixar!
eu pago!
Wednesday, November 01, 2006
as palavras
Elas caminhavam lindas,
tão desnecessárias!
Abandonadas de elegância,
trocavam de pé
e apresentavam-nos
aos saltos!
tão desnecessárias!
Abandonadas de elegância,
trocavam de pé
e apresentavam-nos
aos saltos!
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