Saturday, December 08, 2012
O bairro nobre aos cacos.
Um senhor de uns 50 anos. Cabeça branca. Negro. Vestido de farda azul. De chinela japonesa. Usando as mãos sem nenhuma proteção, nem proteção para os olhos. Funcionário de condomínio de luxo do Meireles. Jogando pedaços enormes de vidro, folhas de vidro quebradas, pontiagudas, que escapam da mão dele, quebrando-se na calçada, machucando-o nos pés, cortando-o também nas mãos e deixando cacos de vidro espalhados pelo asfalto e pela calçada do prédio onde ele trabalha, de onde saem automóveis importados super sofisticados com seus donos nem tão sofisticados, exceto pela Apple, mas bem arrumados, ou melhor, enfeitados de desejos por poder, sucesso e dinheiro, com roupas e adereços caros, endinheirados, indiferentes aos cacos de vidro que produziram como lixo de luxo do condomínio cortando o senhor que os serve, e onde dão buzinaços diários para os funcionários abrirem e fecharem os portões de entrada das garagens. De vez em quando, um dos "decentes cidadãos de bem", incomodado com a demora, depois de buzinar de modo ininterrupto de modo estridente, com buzinas ensurdecedoras de carros importados, lança, de quando em vez, repito, o carro por cima do portão. Um de quando em vez que me deixa perplexo. Já presenciei algumas vezes o portão quase sendo posto abaixo. Ninguém chama a polícia. O condomínio cobra a fatura do senhor nervosinho, ele paga, quando paga, e fica por isso, a vida social no Meireles, onde o poder público se adianta e não deixa os moradores fazerem reclamações, executando tudo como deve ser, está aos cacos.
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