Saturday, December 08, 2012

Comentário ao artigo de Plínio Bortolotti do O Povo do dia 6 de dezembro.

Eu estava esperando demais por este artigo do Plínio Bortolotti. A alienação da realidade das autoridades da segurança pública teve um ápice na informação que o comandante da PM deu para o secretário e que esse repassou para o governador que estava tudo sob controle na passagem do ano de 2011 para 2012. E não estava. Ambos passaram informação errada e continuaram no poder. O dia do medo, no dia 3 de janeiro, foi produzido pela alienação da realidade das autoridades e o governador Cid Gomes não fez nenhuma alteração na pasta. Nenhuma. Passou a mão na cabeça e acatou os erros de seus subordinados. Ou seja, assumiu perante todos que o erro é do governador. Depois disso, logo depois do dia do medo, a secretaria de segurança divulgou um mapa de estatística de baixíssima confiabilidade, ou seja, com informações estatísticas incorretas, distorcidas e com várias evidências de erro, sem falar em omissões graves, como dados de latrocínio. Fui juntamente com colegas à TV, programa Grande Debate, com Ruy Lima, fizemos ao vivo a checagem dos dados, mostramos documento oficial do governo que evidenciava a distorção dos dados apresentados e tudo o mais. Resultado: a secretaria de segurança pública, por meio de sua assessoria de comunicação, ligou para o programa, afirmando que não iria discutir com minha presença e fui qualificado de "pessoa irresponsável". Ninguém desmentiu o governo. O governo mentiu para a sociedade, apresentando dados irreais. Dois pesquisadores professores de duas universidades públicas (Glaucíria e eu) e um doutorando da UFC que é também um dos mais competentes jornalistas dessa área de apuração de dados da segurança pública, o Ricardo Moura, fomos todos desqualificados pelo governo, pela secretaria de segurança pública, e o silêncio da sociedade diante disso foi total. Segmentos dirigentes da Universidade Federal do Ceará, por exemplo, deram um show de cidismo e ficaram calados, sem nada dizer, diante de um professor da casa, sendo chamado de "pessoa irresponsável" por estar apresentando provas de que o governo Cid estava mentindo para a sociedade. O que foi que mudou na segurança pública? Nada. Sem falar na exoneração do César Barreira que estava fazendo um esforço hercúleo de superação de velhos e atrasados paradigmas que prevalecem na mentalidade de certos segmentos do oficialato da PM. Ademais, a presença de um coronel da PM, como secretário, fez da segurança pública um grande quartel. Reduziu o que era para ser complexo. Os homicídios explodiram. Foi exatamente o que eu disse lá no programa do Ruy Lima. Falei que em vez da redução que o governo Cid estava anunciando, tínhamos que falar de aumento. A imprensa local não repercutiu. Depois de semanas um jornalista me envia uma mensagem pedindo para eu enviar dados. Depois de semanas que a imprensa veio querer pautar. A essa altura eu já havia sido completamente limado e desqualificado pelo silêncio geral diante da denúncia. Ficamos totalmente isolados. Ações pelos bastidores do poder queriam até mesmo promover ingerência na instituição federal onde trabalho. Foi grave. Muito grave. Agora que os homicídios explodiram, que a tendência que tínhamos apontado lá em janeiro de 2012, depois do fim da aliança política da Luizianne com Cid é que o "consenso" geral que se exercia como, no mínimo, omissão (deixa ele falar sozinho contra o governo), pois não havia interesse de quase ninguém que críticas bem fundamentadas em dados fossem feitas ao cidismo-petismo no poder. A Ceará vive um retrocesso sem precedentes na pasta da segurança pública. A base de profissionais formada por policiais civis e militares está insatisfeita, sendo destratada, humilhada e sofrendo as mais diversas agressões morais e perseguições pela greve que realizaram, que fez do Capitão Wagner um líder político da cidade. Há indícios de que nesse final de ano as coisas vão piorar, que a violência difusa vai aumentar e há risco de paralisação de policiais pois o governo Cid não vem cumprindo os acordos. Diz que está cumprindo, mas colocou tudo no banho-maria. Uma manobra que faz a sociedade perder. E o que mudou nos quadros dirigentes, nas cúpulas da segurança pública, na pasta da Segurança Pública no Ceará? Nada mudou. Aliás, mudou para pior, pois a alienação da realidade, somada à sujeição política dos comandantes às estruturas de governo fez o Ceará voltar no tempo. Voltar aos tempos da polícia palaciana dos coronéis. E o bem comum da sociedade que tem direito à segurança pública de qualidade, governador Cid Gomes? É isso que se chama de competência e eficiência em seu governo? Os tempos exigem mudanças, começando pelo fim da alienação dos dirigentes.

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