Saturday, September 21, 2019
O paternalismo em questão
Por que pessoas que deram um duro danado, que tiveram que ralar muito, superar muitos obstáculos, estudar e trabalhar, enfim, pessoas que apresentaram muita garra e determinação ao longo da vida, por vezes, tendem a considerar injusto que outras pessoas sejam cobradas na mesma chave, protegendo de modo paternalista que os mais jovens sejam postos à prova como elas próprias o foram? Por que os dois pesos e as duas medidas? A gente sabe que para quem não nasceu com muitos recursos e oportunidades, a ralação proletária é a condição. Por que há um preconceito com a ralação proletária? Afinal, é a luta do trabalho vivo contra o trabalho morto, não?
Friday, August 30, 2019
discordâncias em divergências
Saber transformar discordâncias em divergências é fundamental para corpos em aliança lateral, lado a lado. Não é uma exercício fácil. Divergir é levar a sério as objeções dos outros. No campo das ciências, essa atitude é um requisito para a construção de uma nova objetividade. O diálogo é um vínculo. Quebrar com o diálogo é romper o vínculo. As consequências podem ser mais ou menos graves. Os opostos nem sempre são contraditórios. Mediações entre os opostos, que não sejam feitas em nome do terceiro que está acima da conflitualidade, em nome da autoridade, precisam levar em consideração a possibilidade permanente de que os termos, as relações e as próprias ideias em jogo sejam lidas como inerentemente problemáticas. Não há portador inquestionável dos conceitos adequados, pois a própria pergunta relevante é uma questão de problematização. O desejo de poder, quando coloniza a vontade de saber, se torna abusivo nos seus anseios de autovalidação.
Thursday, August 29, 2019
Incômodos
Tem uma coisa que está me incomodando. Tenho vários amigos ou conhecidos que foram pessoas que batalharam muito na vida para superar dificuldades relacionadas à pobreza e à falta de perspectiva. Pessoas que nasceram em ambientes muito hostis e improváveis. Ambientes de muita exclusão, opressão e massacre de sonhos. Aí, esses amigos e conhecidos conseguiram "vencer na vida". E sentem uma culpa enorme pelo fato de serem poucos, se relacionamos com o lugar de onde vieram. Se sentem culpados por terem dado certo em meio a uma multidão de amigos, colegas, vizinhos, familiares e tal que deram muito errado. O sobrevivente morre de culpa. Entende? Aí, esse sobrevivente culpado, que ralou para caralho, que teve de fazer coisas impossíveis, como estudar e trabalhar sem ter sido destinado para os lugares do estudo e do trabalho, começa, depois de estar na classe média, como consumidor competente, a dizer para os mais jovens rejeitarem esses caminhos e essas trilhas tortuosos que os levou a sair da merda a um custo muito elevado. Não entendo isso. Não concordo. Para dizer ao outro que rejeite a ascensão, é preciso não usufruir dela. Usufruir da ascensão e dizer para o outro que não vale a pena é meio sacana. Dizer para o outro que não estude, não rale, não se submeta a essa disciplina horrorosa, e depois ir tomar um bom trago e comer uma boa comida e dormir numa boa cama, devido ao fato de ter se submetido a essas exigências horrorosas que são estudar e trabalhar com afinco, etc. Me parece uma contradição. Aí, me dizem, mas esse teu argumento é liberal, aí eu digo, a tua vida é liberal, e vc goza nela, e diz que ninguém mais deve buscar gozá-la. Tem alguma coisa errada aí.
Tuesday, August 27, 2019
Coitado do Mignolo
Uma das formas da razão imperial ocidental atuar é classificando o pensamento em puro e impuro. Walter Mignolo reproduz a colonialidade dessa razão euroamericana branca, da qual ele é representante, ao chamar o pensamento pós-colonial de "mercado" e o decolonial de "ativismo ". Mignolo é um grande empreendedor branco do mercado decolonial. Walter Mignolo escreve um texto 100% com categorias gregas e latinas para propor uma desvinculação epistêmica dos fundamentos de catedorias gregas e latinas. O giro decolonial dele é epistemologia branca na veia. Sou branco, eu sei. Sei reconhecer outro branco no seu desejo de poder imperial, usando disfarces descoloniais como estratégia de reposicionamento no mercado de ideias. Ele diz querer romper com a moderna teoria política desde Maquiavel, mas escreve textos que são versões das práticas relatadas por essas teorias. Ele é um filhote de Maquiavel. O background da proposta de desobediência epistêmica do Mignolo é fortemente euroamericana no seu sonho e em sua fantasia. A pretensão dele em ter se desconectado do eurocentrismo é sem base real. Não é isso que o texto dele diz. Um texto de cultura euromericana no seu esplendor. Nem tudo o que reluz é ouro. A presença de epistemologias afros e ameríndias na escrita dele é nula. Ele é objetivamente branco na escrita dele. Mignolo usa categorias analíticas ocidentais como economia e reciprocidade para falar de universos não ocidentais. Comete etnocentrismo em seus textos. Mignolo passa o texto todo tentando validar a si mesmo como pensador descolonial. Fala de ferida colonial, mas "esquece" suas feridas narcísicas. Seu desejo em ser aceito pelo mestiço, pela mestiçagem, exista coisa mais branca do que isso? A descrição romântica que Mignolo faz de Hugo Chávez foi uma das piores análises que li sobre política contemporânea. Ele é ingênuo? Não, ele é eurocentrado, o Mignolo. É também capturado pelo discurso do estatismo. Ele identifica Chávez no poder com o giro decolonial. Que ridículo!
Tuesday, August 20, 2019
Um dificuldade
Alguns pensadores euroamericanos, defrontados por uma intensa competição de mercado no campo acadêmico, adotaram como estratégia de poder gerar um novo mercado de ideias. Começaram a se classificar como pensamento latino-americano. Ou seja, em alguns casos, como dos homens brancos ricos que falam várias línguas e trabalham em centros de poder global, universidades dos EUA, da França, da Alemanha, da Inglaterra, esses homens brancos hegemônicos passam a se nomear representantes do chamado giro decolonial. Pessoalmente, gosto muito desse giro, mas não vou esquecer que virou um think tank euroamericano. Bourdieu que me ensinou a ter esse desconfiômetro ligado. Atenção, estou me referindo apenas aos homens brancos. Não generalizo. E outro detalhe: América latina, latino-americano, foram ferramentas políticas da diplomacia francesa para fazer frente ao crescente imperialismo dos EUA nas Américas central e do sul. Pensamento latino-americano pode até ter sido ressignificado, mas é uma arma francesa numa luta imperial.
Paradoxos do alto e do baixo
Reflexão sobre poder no campo acadêmico. Vocês sabiam que pesquisadores que ocupam posições dominantes, de alto capital, nas áreas de física, medicina, direito, engenharia, estatística, nos procuram (nas ciências sociais), dizendo que admiram nossa capacidade de pesquisa e análise e que a gente sabe fazer muito bem o que eles não sabem. E que precisam de parcerias. Mas aí os que lá nessas áreas são dominados, de baixo capital, vivem nos esculhambando, dizendo que não temos rigor etc. Deu para entender?
O LUGAR DE FALA DE UM PROFESSOR BRANCO
Os estudantes de ciências sociais mais jovens, que estão cursando a graduação, lançaram-me desafios de pensamento e reflexão crítica nos últimos tempos que me tiraram da minha zona de conforto. Estou super empolgado com isso, estou escrevendo um texto com elas e eles sobre isso, e vou relatar para vocês algumas coisas provocadoras sobre isso. Na verdade, fiquei inicialmente super incomodado, aí transformei meu incômodo em empolgação, o que é uma atitude de branco que não aceita ficar fora de uma disputa pelo poder, o que eu mascaro com motivos pedagógicos para melhor passar. Mas eu juro que não queria que fosse assim. É um imbróglio. E também uma ironia. O lugar de fala do branco é o racismo. Mesmo quando se faz algum esforço para ser antirracista, não há como escapar dessa questão. Vejam o tamanho do abacaxi. Eu sou branco, meus pais são brancos, meus avós maternos e paternos, meus bisavós maternos e paternos também. Não me acho mestiço, não reivindico que tenha alguém na minha família que me faça ser miscigenado. Minha esposa é branca e meus dois filhos são brancos. Os discursos do racismo estão incrustados nessa minha longa experiência de pertencimento familiar. Como brasileiro, me sinto herdeiro da tradição cultural euroamericana, ocidental. Me identifico mais com a Europa do que com a América Latina (esse produto do pensamento europeu). Minha biblioteca é quase toda ocidental, 90% certamente. Ademais, venho dessa classe média assalariada, não proprietária, sem posses, mas que investe tudo em saúde, educação e cultura para empoderar os filhos a fim de que possam ser competitivos em carreiras que exigem nível superior e pós-graduação. Minhas duas irmãs são brancas e possuem pós-graduação como eu. Meu pai e minha mãe possuem nível superior, estudaram na UFC, na mesma instituição onde sou professor. Ou seja, tudo na minha trajetória conspira para que eu tivesse me tornado um demônio louro. Mas será que eu não sou? Não sei. Em parte sim, em parte não. Mas certamente não sou um ideólogo do racismo, já que assumo com baixo sucesso social e política retóricas antirracistas. Na minha primeira juventude, minha militância era junto com amigos do movimento negro. Com eles e elas, aprendi muitas coisas interessantes. Hoje, esses meus amigos negros são velhos ou quase velhos como eu. São professores também. E estão também se sentindo interpelado pelos novos tempos e discussões. Mas como são negros e eu branco, a gente vivencia assim de modo bem diferente. Eles estimulam a ruptura com a hegemonia euroamericana no ensino e eu tenho minha prática pedagógica toda centrada no estudo sistemático dessa hegemonia, mesmo que usando autores euroamericanos contra-hegemônicos, como Foucault. Como tenho um acesso privilegiado ao pensamento de brancos euroamericanos, minha principal contribuição seria em torno de tais autores, da recepção crítica de tais autores, mas ao fazer isso, estou validando quer queira ou não a própria hegemonia desse pensamento. Pode o professor branco dominante, colonizador, falar sobre temas decoloniais? Meu principal alvo de críticas tem sido os brancos na tentativa de se apropriar da reflexão decolonial. Talvez seja a única maneira de eu contribuir para o debate, desconstruindo a pretensão do professor branco de ser portador do lugar de fala do subalterno, incluindo aí os professores de pele negra e máscaras brancas. Quem está na fogueira é para se queimar. Vou escrever um ensaio sobre isso para explicitar essas questões. Vou fazer umas postagens aqui que serão o início do ensaio, como esta que agora publico.
Thursday, August 08, 2019
PRIMEIRO DIA LETIVO DE 2019.2 - AUTOAJUDA
O grande desafio do momento no ambiente de trabalho é não se deixar contagiar pelas transferências de ansiedade e angústia, que são muitas, especialmente nesse momento do país. Tentar começar com boa respiração, sem taquicardia, com boa alimentação, leituras, estudos, caminhadas, concentrado, buscando fazer o melhor, sabendo distinguir as atividades mais essenciais das menos ou não essenciais. Buscar fazer o melhor possível, intensidade na qualidade das construções humanas de saber e conhecimento. Com respeito mútuo, ajuda mútua e solidariedade. Enfim, muito trabalho, mas sem adoecer desde o início, pois já há muitas pessoas começando o semestre já adoecidas, infelizmente.
Uma reflexão de início de semestre letivo
Se os consumidores de serviços educacionais, como clientes da empresa, escolhessem por maioria que se estudasse Olavo de Carvalho em vez de Weber na disciplina de Sociologia compreensiva, o democrático seria acatar a escolha que expressa o desejo da maioria? Acordei pensando nisso. Certa vez, na disciplina de sociologia clássica, um pequeno grupo de estudantes demandou que eu retirasse o Marx do plano de ensino, disseram que não o consideravam um autor digno de estar no plano. Outra vez, na disciplina de sociologia contemporânea, um pequeno outro grupo solicitou que eu retirasse Norbert Elias do plano de ensino e colocasse um sociólogo marxista no lugar dele. Fiz as devidas problematizações sobre como essas demandas não faziam sentido e segui com o plano de ensino incluindo Marx e Elias. Mas caso os consumidores de serviços educacionais fossem maiorias, tivessem decidido por maioria que Marx e Elias deveriam sair, por razões diametralmente opostas? Se eu não acatasse a decisão e insistisse em manter Marx para o desagradado dos liberais e Elias para o desagrado dos marxistas, minha decisão seria legítima? Seria democrática?
Tuesday, June 11, 2019
Botar banca
145 bancas depois (mono, dissertação, tese, qualificação)...Adoro participar de bancas. Bourdieu dizia que era uma maneira de se tornar um orientador melhor, pois pela prática da banca se amplia a capacidade de imaginar modos possíveis de construção de objetos de pesquisa. Não boto banca para botar uma banca para frente. É um trabalho meio invisível da gente, tão importante e tão invisibilizado. Sigamos.
Monday, May 20, 2019
Com sangue no olho
O ódio há de vencer. Não o ódio ao outro, mas ao existente que massacra o direito a existir dos outros. Lutar contra o amor ao existente é a tarefa por excelência. Nada de alegrias, afetos e gratidões adaptativas ao existente. Nada de beijos e abraços ao existente. Ser contra o existente com todas as forças. Destruir aquilo que é. Bom domingo aos amigos que ainda sabem rir do existente, deslocando-se em direção ao nada, ao mais profundo abismo, onde se salta para cair para o alto. Sem abraços, afetos, nem gratidão, apenas com sangue no olho.
Saturday, May 18, 2019
Apenas seguir adiante...
Não há sujeitos, não laços aqui, apenas um seguir adiante. Sem buscas, sem saber. Nada a compreender, nada a sentir, nada a mudar. Apenas seguir. Uma tagarelice função do silêncio faz seguir, apenas seguir. Nada olhar, nada ler. O que o mestre quer ouvir? A cada resposta, sua interpelação retorna, indiferente. Por que simplesmente não nos calamos no sofrimento estável? Por que abrir mais uma vez o sofrimento que se sofre desde sempre sem esperança? Por que não permanecer no silêncio, na função, no estabelecido, no separado? Desejar ser julgado para se tornar uma pessoa séria, é isso? Afinal, devemos usar nossa energia para nos salvar ou nos condenar? Que desperdício, essa tagarelice sem fim, que nada gera de útil para a comunidade. Sinto vergonha. Uma vergonha de não poder ser, de não poder continuar sendo. O atraso, o erro, o fracasso, minha mania. Estúpida mania. Vou ser útil, prometo. Mas não posso. Não consigo. Terminei meu parecer. Vou iniciar a outra tarefa. Mas é a ordem do mestre, diz para continuar, continuem, falem de si como se fosse um "sou eu quem fala", com a fala deles atravessada na garganta, qual espinha de peixe, distinguindo qual voz, qual timbre, no tosse-tosse, qual corpo merece ser sentido como merecido, acolhido, iluminado no direito a existir.
O problema do rosto humano
O que pode um rosto? E onde não há rosto? O rosto inexpressivo é ainda um rosto? O simiesco do rosto é apenas um traço? O que se traça no rosto? O rosto é especular? Além de buracos, o que há no rosto? Um rosto existe na solidão? Para que serve um rosto? O rosto seria além de um esgar? As rugas de um rosto são suas fateixas? Por que se escolhe o rosto para cuspir? São muitos os rostos dos outros no próprio rosto? Há um rosto próprio e singular? Os olhos cansados de um rosto podem ainda enganar? O sorriso de um rosto é independente de sua dor? Há rosto que não seja uma deformação do rosto? Há algum sujeito no rosto? Haveria outro rosto no lado detrás do rosto? Um rosto funciona como uma costura?
Não buscar o sentido e explodir a significação
Herdeiros da mais brutal vulgaridade, tentamos deslocar para além a energia boçal de nossa ignorância, mas ela não despega de nós, somos o que somos, pois não somos onde acreditávamos estar. Filhos das armas, da guerra, da maldade, da perversidade, cavávamos numa peleja sem fim para expurgar de nós o que havia de chulo, estúpido, contudo, a estultície não sai de nós, mesmo quando somos beletristas. Estou falando dos homens, dos homens de merda que não nos deixam esquecer que somos parte de uma experiência de colonialidade e escravidão permanente. É o avô, o pai, o tio, o primo, o irmão, um bando de escrotos apoiando um governo de imbecis. Os imbecis somos todos, pois uma mesma rede de parentesco mergulhada na mais triste vileza. Não houve arte, cultura e ciência que dobrasse essa coisa brutalizadora que somos como experiência histórica de autodestruição e disseminação do nada. O preço a ser pago é alto e o prejuízo é compartilhado por todos, de modo compulsório. Estou apenas falando a partir do meu lugar de fala, que é o de uma insana selvageria. A selvageria do bacharel brasileiro. Mas vai que a gente se mata, como sempre o fizemos, pois de morte, de matar e de morrer, a gente é tudo doutor. O nosso êxito é o fracasso do espírito. Minha intencionalidade é o fracasso. Eliminar o sentido, parar de buscá-lo.
Monday, May 13, 2019
Dia das mães 2019
Mãe é apenas uma função. Uma função e tanto para quem dela usufrui como usuário, beneficiário. Mas minha mãe não é apenas a minha mãe. Quando me dei conta disso, passei a respeitá-la fora da função mãe. Ou seja, se tornou um enigma. O enigma de minha ex-mãe. Meu presente de dia das mães é me tornar um ex-filho para minha ex-mãe. Celebrar essa ex-humanidade que nos aproxima na distância inominável do desejo. Um desejo pós-familiar. É como então tento pensar na categoria impossível da mulher, uma categoria fadada a não poder existir. Ameaçada pelas diversas funções impostas pela ordem masculinista: filha, namorada, esposa, mãe, avó. Foi com Lydia que aprendi a questionar essas imposições que nos engessam a vida. Nunca vou esquecer o dia em que ela nos disse que se pudesse não teria sido mãe. Nos fez pensar. Obrigado, Lydia, minha amada ex-mãe. Ex-mãe, eu disse. Continua sendo minha mamãe.
Friday, May 10, 2019
Afasta esse cálice...
Cada um aplica seu desejozinho onde quer, né? Somos livres para voar. Uma coisa que aprendi na vida foi tentar não ser mero seguidor da agenda alheia. Sair de perto da agenda imposta pelo empreendedor acumulador. Ousar ter agenda própria. Somos todos neoliberais ou não?
Friday, May 03, 2019
2020 está chegando
Vendedor de caipirinha, de cachorro-quente, de cerveja em lata no isopor, de espetinho de gato, de podrão, de livros velhos, aulas particulares de catecismo, enfim, estou já me preparando para próximo ano me tornar empreendedor, dar um basta nessa balbúrdia de vida e empreender. Acho que uma igrejinha para congregar pode ajudar, não é? Afinal, é com fé que iremos superar as dificuldades. Sem fé, não somos nada. Empreendedores ungidos, venceremos! Desculpe-me tanta patifaria, mas é a depressão, sei mais nem mais o que fazer. Está ou não está propício para a queda na depressividade clínica?
Monday, April 22, 2019
Essa velha desgraçada!
Quando vejo pessoas muito jovens, sem posição e sem garantias, entrando em competições acirradíssimas alimentadas pela ideia de serem percebidas como o jogador mais agressivo num jogo de vida ou morte que não leva a lugar nenhum, que apenas aplaca a sensação de não ter direito a existir, me entristeço bastante. E o pior é quando tais jogos neoliberais são incitados por pessoas não tão jovens, mas que se excitam em ver jovens competindo desesperadamente entre si. Esse lance se generalizou de tal modo que uma multidão se aferra a eles, mesmo sabendo que são jogos sem futuro, que só levam ao adoecimento e à morte. Mas nada os faz parar. Seguem intrépidos e maldosos. Do nada em que estão ao nada que continuarão sendo. Apenas a ilusão de poder, essa velha desgraçada.
Esboço de autoanálise em pedaços
De 1979 a 1992, estudei em escolas que já eram organizadas segundo o novo modelo da escola-empresa, da escola neoliberal. Agora que estou me dando conta de que o neoliberalismo é um habitus, não é apenas uma ideologia, é um campo de práticas e de estilos de vida. Eram escolas utilitaristas, voltadas para "a vida", aprender para a vida. Habilidades e competências para o mundo prático da concorrência econômica. Os motivos da cidadania e da emancipação também estava presentes, afinal, não há modelo puro. Não tenho notícia de nenhum ex-colega que esteja desempregado ou que tenha sido assassinado no mundo do crime ou pela polícia. Quase todos os meus ex-colegas, dessas escolas particulares das elites, são alguém na vida: médicos, engenheiros, advogados, juízes, empresários, grandes comerciantes, diplomatas, promotores, são pessoas que falam várias línguas e viajam pelo mundo todo. Não tenho memória de colegas perdidos, acabados, destruídos. Um ou outro que se matou, no máximo. Um ou outro que vive em depressão profunda, no máximo. Um ou outro que pirou ou saiu fora dos eixos do comportamento adaptado. O restante é tudo competitivo, operacional, liberal, integrado, adaptado, com acessos de mercado a bens e serviços de classe média alta. Lembro que eu estava entre os pobres da turma, os que precisavam rebolar muito para estar lá. Pagar a mensalidade era o maior sacrifício dos meus pais. As mensalidades eram caríssimas. Meus dois filhos estudam no mesmo tipo de escola que eu estudei. Não há notícia de mortos e feridos a bala. Os ferimentos e os mortos são pelo apagamento psíquico. São indivíduos que entram em parafuso diante da demanda enlouquecedora da escola-empresa. Brasil, um país de profundas desigualdades que se mantêm ao longo do tempo. Parece que nada muda.
Monday, April 15, 2019
sociologia e neoliberalismo
Recebi um comunicado da escola do meu filho, sugerindo uma conversa com pais sobre "neurofelicidade", sobre o poder do indivíduo biológico de criar o bem-estar, sobre a felicidade como uma escolha adaptativa. Isso do filho mais velho, já do mais novo, recebi uma mensagem sobre estratégias para fazer o enfrentamento da impermanência infantil. Como favorecer processos adaptativos à realidade da organização. Adaptação ao trabalho de equipe e aos quadros normativos, cognitivos e emocionais da escola-empresa. Interessante como tema de pesquisa, né? Já vou usar isso na disciplina sobre teoria sociológica e neoliberalismo.
Sunday, April 14, 2019
A integração perversa e marginal
Alimentar a ilusão de que se é integrado, adaptado, classe média e uma pessoa de sucesso. Uma tragédia sem fim. A integração é perversa. A exclusão é marginalmente relacional. A recusa ativa da adaptação comportanental ao imperativo do gozo normalizado infinito é um ato político. Recusar o que todos desejam ao mesmo tempo. Recusar o existente. Isso não é teoria pela teoria, é condição de liberdade.
O tempo da dor
Chega um tempo que a gente aprende alguma coisa, não muito, mas alguma coisa. Por exemplo, a tentar fazer o deslocamento da dor, pois a dor não pode ser simplesmente apagada ou superada, precisa ser deslocada, criar um novo contexto para uma velha dor. E as novas dores? São tão velhas quanto todas as outras. A dor é um lance primário. Ela é primária, matricial. As imagens mais antigas de dor são as mais recentes na ordem do dia. Um retorno à dor é uma condição de seu deslocamento.
1973 - o livro
Homens da minha idade ou quase estão cada vez mais se aproximando no dia a dia para alguma conversa. Eles me olham e se reconhecem em mim. Os homens de 1973, por exemplo, como o Carlos Augusto ou Sergio Veleiro. Esses homens anônimos que me abordam nas ruas, nos bares, por onde estou passando, fazedor de pesquisa de campo que sou, me contam suas histórias, suas vidas despedaçadas, seus recomeços, seus dilemas. Falam usando as mesmas referências que eu, mesmo quando de estilos outros, e aí falam mais e mais. Estou gostando de fazer essa pesquisa existencialmente significativa. Penso em um dia escrever um livro sobre isso. Mas não agora.
Memórias musicais
Uma pesquisa que tenho vontade de fazer é sobre o processo de envelhecimento do músico profissional. Esse pessoal que trabalha de um modo incessante, pulando de uma apresentação para outra, por vezes, três ou quatro num dia, o modo como eles se percebem e percebem seu meio. Há um sofrimento social muito específico do músico envelhecido, um sujeito que já tocou muito, já se dedicou demais e muitas vezes fica ali refém de um show para uma plateia indiferente. Às vezes, o cara é fodão, já tocou com grandes nomes, mas ninguém sabe, está ali invisível. Quando eles notam que você está prestando atenção, eles se comunicam com você, mostram que são virtuoses, coisas interessantes. Ainda vou fazer essa pesquisa com pessoal que trabalha nos bares e restaurantes. Vida de músico não é fácil. É muito trabalhosa, incerta, com baixos ganhos, fragmentada. Históricos de separação, de uso abusivo de drogas, de não ter onde morar, de ficar vivendo de favor. Memórias de alegrias passadas. Saudosismo. Coisas interessantes de ouvir.
Sunday, March 31, 2019
Problemas políticos do país em 2019
Quando pessoas da sua própria família apoiam a tortura e dizem desejar que você seja um próximo desaparecido, a gente entende que família não é uma coisa natural, que família é quem nos ama e a quem amamos. Quando eu tinha 16 anos, começando minha vida como educador popular, meu pai me disse que era uma imbecilidade querer conscientizar quem estava satisfeito em ser subalterno. Ele disse que eu deveria era reforçar que os pobres aceitassem ser pobres, que querer conscientizar os outros era perturbar a vida de quem estava se sentindo adequado, adaptado, que eu não tinha o direito de perturbar as pessoas. Hoje, meu pai não fala mais comigo, ele rompeu comigo de modo unilateral, disse que não sou uma pessoa de bem para os padrões bolsonaristas de ser. Ele me deserdou, disse que eu não usasse mais o sobrenome dele, não fala mais com os netos, disse que ninguém seria mais bem-vindo na casa da minha avó e do meu avô lá no sertão. Se meu avô e se minha avó estivessem vivos, ele não diria isso. Meus avós não permitiriam tamanha burrice. A guerra é na família. Não sou mais aceito entre primos, tios e parentes paternos, que são bolsonaristas, fui excluído, nem posso mais ir no lugar que eu adorava ir, na casa da minha avó, que já se foi, lugar que era recebido com carinho por ela e por meu avô. Tenho fotos do meu avô comigo no braço, super feliz, contente, mas meu pai me proibiu de ter essa memória. Me deu ordem de sair de lá. Nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha vida. Nunca imaginei que seria rejeitado pelo meu pai em nome da família Bolsonaro. Isso é ou não é uma grande merda? Meu filho caçula tem um avô vivo que não quer vê-lo mais. Como vou explicar para meu filho que o avô dele é um bolsonarista que se recusa a aceitá-lo como neto, pois não me aceita como filho? Meu filho mais velho sabe lidar já com isso, tem 16 anos, está por dentro, mas e o meninozinho? Como vou explicar isso, que ele não tem avô? Que ele foi rejeitado juntamente comigo pelo fato de eu ser contra o bolsonarismo? É em nome de Jesus que nos rejeitam e nos maltratam, nos torturam e nos matam. Usam armas com as mãos que apontam contra nossos corpos, dizendo que estamos condenados a morrer, a desaparecer, e fazem isso em nome de Jesus. Nunca odiei tanto Jesus. Esse filho da puta que aponta armas para nós. Quando escuto o nome de Jesus, lembro das armas na mão. Não dá para tergiversar. Foram atuantes em eleger o cara e agora ficam escutando música gospel cuidando da espiritualidade como se não tivessem nada a ver com nada. Que escrotice! São uns escrotos. Falou em nome de Jesus para mim, é inimigo. Nunca mais perdoarei esses imbecis das igrejas. A maioria, alguns se salvam, mas a minoria que é diferente confirma a regra. Jesus é o inimigo com a arma na mão. Jesus é meu inimigo. É satã! Deu pra entender ou quer que eu desenhe? Uma vez meu pai me disse quando eu era criança: "se você estiver no fundo de um poço e eu não tiver como te tirar de lá, eu pulo e lá ficarei contigo, ao teu lado". Era mentira. Que mentiroso filho da puta. Preferiu ficar com a família Bolsonaro. Nem ao enterro dele, irei. Nem que ele venha ao meu. Velho babaca! Vou tentar não ser um pai tão idiota.
Não faz bem para a saúde
As pessoas que chegam muito arrogantes num ambiente novo, onde elas são as recém-chegadas, sofrem muito, mas muito mesmo. Ficam isoladas, sem acesso às informações fundamentais que fazem funcionar as coisas. Cometem erro atrás de erro, mas ninguém ajuda, pois dispensaram desde o início ajudar e ser ajudado como uma prática de cooperação. Não recomendo cometer esse erro mais de uma vez. Não faz bem para a saúde.
Fotografia na biblioteca
Sou o tipo de pessoa que adora tirar fotografias na biblioteca, mostrando livros. Quando vejo as pessoas criticando quem tira foto de si com a biblioteca ao fundo, eu me desespero. Começo a delirar, afinal, se tiram isso de mim, não sou nada. Meu direito a existir está centrado numa foto pessoal com uma biblioteca ao fundo, é minha boia salva-vidas num mar tempestuoso, sem o que, afogaria em dois segundos, perderia meu direito a existir, que é isso, mínimo e reduzido. Nada mais do que isso, uma foto de mim com uma biblioteca ao fundo. Não quero mais mais nada, eu juro! Je vous en prie!
A borboletinha
Estou ensinando para meu filho de dois anos o que é a morte. Conversamos sobre a borboletinha que apareceu morta no chão da cozinha da nossa casa. Ele já está aprendendo que existem duas expressões diante da morte, uma mais objetiva, "ela está morta", mais científica, e outra, "a bichinha morreu". Também a gente examina junto se ela morreu de morte natural (velhice) ou morte acidental (o calor da lâmpada da cozinha). Mas ele já sabe o que é a morte. Ainda bem, pois saber disso é condição para amar a vida.
Friday, March 22, 2019
14 horas por dia
Por que eu trabalho 14 horas por dia? Porque 4 é obrigatoriamente de leitura, de estudo. Me recuso a expulsar do meu cotidiano profissional aquilo que é a razão da gente existir. O professor e o pesquisador estão na condição de estudante profissional permanente. Nunca aceitei aquele lance: não tenho mais tempo para estudar. Para evitar então choque com outras demandas profissionais, que são muitas e variadas, estabeleci minhas 4 horas sagradas, que ninguém mexe, pois afinal estou deixando 10 horas para o restante das atividades. Nosso regime é de 40 horas semanais, mas meus colegas e eu trabalhamos todos os sábados e alguns domingos. Fiz um levantamento e pude observar que a carga horária da gente efetiva fica em torno de 60 horas semanais. No meu caso, fica em 84 horas semanais. E de vários colegas que conheço também. Apenas uma minoria adota a postura "menos trabalho possível", "menos que o mínimo". Inclusive, ninguém gosta dessas pessoas, ninguém as respeita, pelo menos, as que trabalham muito, que são a maioria. Então, não procede o preconceito de que o professor da universidade trabalha pouco. Não corresponde à realidade dos fatos. Agora, se trabalham bem, com qualidade, aí é outro debate. Faço um apelo que não façam circular nesse momento que a universidade está sendo atacada a ideia de que a gente é "privilegiado" que "não trabalha" etc. Isso é um tiro no pé, pois a condição de trabalho do professor da universidade funciona historicamente como referência para a luta. Se a referência cai de padrão, o patronato adora, pois em vez de dizermos que a categoria precisa ser elevada às condições mínimas das universidades, a gente diz que quem está na condição mínima tem de cair para se igualar por baixo, ficar na situação intolerável de precariedade e vulnerabilidade da maioria dos professores. É uma discussão complexa, mas exige de nós uma reflexão, pois alianças são mais bem-vindas nesse momento de desrealização social geral.
Sunday, March 17, 2019
O show de horrores
Acompanhar as explicações e as justificativas dos indivíduos sobre qualquer assunto é observar uma fragmentação muito forte cujas parcelas mais idiossincráticas são correntes muito amplas de opinião de massa. O comentário individual parece ser de cada um, mas não o é, é uma variação de correntes massivas. O massivo capturou a nova mídia? Não pesquiso isso, foi só uma impressão mesmo.
Monday, February 25, 2019
Um drama terrível
O trabalho no campo acadêmico é de formiguinha. Devagar e sempre. Não combina com apoteoses do eu. O trabalho é em rede, é coletivo, cooperativo. São muitos anos exigidos para obter uma formação mínima aceitável pelo campo. Depois, mais anos ainda para dar início a um trabalho que tenha um plano de consistência e alguma relevância. As ansiedades de status apenas atrapalham. Em geral, são demandas de reconhecimento que as pessoas trazem de outras dimensões existenciais para o campo, um lance transferencial. O importante é permanecer durante 40 ou 50 anos de trabalho, sendo reconhecido como um interlocutor válido pelo campo. As subidas bruscas são quedas bruscas, pois assentadas em projeções imaginárias. Não há lugar para show do eu. Mas, infelizmente, é só o que tem. Quando lembro a rapidez com que pesquisadores que eram superpoderosos e impávidos nesse show do eu foram esquecidos após a morte, mesmo tendo obra relevante, fico mais convencido de que é preciso ter calma e não perder tempo com as projeções de sucesso e poder que são as tolices básicas do eu que se pensa como isolado e no centro da vida social. Pessoas que foram submetidas a condições sociais existenciais de muita humilhação e estão tentando romper com isso, sair de uma posição de vergonha socialmente imposta para uma de orgulho de si, acabam tendo muitos problemas com os contextos de trabalho que exigem cooperação e "humildade". Esta palavra ambivalente faz com que qualquer posição de humildade seja remetida às condições de humilhações já sofridas, de modo que as pessoas ficam reativas e não aceitam entrar num jogo que consideram que não foi feito para elas, mas para excluí-las. Começam a agir de um modo que passa a ser interpretado pelo coletivo como arrogante, pois para compensar os déficits de reconhecimento social as pessoas usam fantasias de realização que estão pouco ancoradas na realidade do campo. Começam a viver epifanias, celebrações de si, tudo com tom fortemente motivacional e, portanto, comovente, celebrações imaginárias de uma vitória que foi sair da invisibilidade a que estavam relegadas. Mas aí acabam se excluindo, pois não admitem qualquer prática de trabalho que as coloque em posição de ter que trabalhar fazendo coisas miudinhas que toda profissão exige, aquele sacrifício de si que todo ofício exige, pois os fantasmas estão lá para assustar, que assumir posições que não são apoteóticas é se submeter ao regime de opressão do qual se foge. E aí vão ficando pelo caminho, sendo efetivamente excluídas. Os que vão sendo assim excluídos vão se identificando nessa exclusão e se tornam profundamente ressentidos com qualquer coisa que esteja funcionando no campo que os excluiu. É um drama terrível.
Sunday, February 24, 2019
Compulsória compulsória
A ideia da aposentadoria compulsória aos 75 anos, se a saúde me permitisse, já estava em meus planos. Mas perder, na prática, o direito a uma aposentadoria voluntária não estava em nossos planos como categoria. De fato, nossa compulsória poderia até ser maior, poderia ser 80 anos, pois há cientistas e professores muito capazes nesta idade, em geral, são os melhores, dependendo da área. Estou lendo as coisas para tentar entender. Mas é um lance muito complexo. Precisamos estudar essas propostas.
Saturday, February 23, 2019
Trabalhadores
Ontem, conversei com trabalhadores (três homens), 1 a 2 salários, terceirizados da universidade, uma roda de conversa em pé, quando terminei minha aula às 21h40, me chamaram para um papo, eles estavam assustados. Muito temerosos. Relatando as perdas que sofreriam e como isso afetaria suas vidas. Insatisfeitos com o governo. Queriam saber minha opinião. Fui dormir um pouco melhor. Quando um trabalhador assalariado hoje expressa insatisfação com os governos e as empresas, fico tão alegre. É tão raro. A maioria dos que possuem o perfil deles se expressa como se fosse membro da classe rentista e da cúpula de altos executivos globais, mesmo não tendo nada, falam com uma linguagem que não é a deles. Quando o trabalhador usa linguagem de trabalhador, chega me dá um arrepio na espinha. Alguma esperança há. Eu tinha dado aulas de 14h até 21h40 sem intervalo. Fiquei conversando com eles de 21h40 até 22h10. Foi a melhor aula do dia, inesperada. Mesmo eles sabendo que ganho muito melhor do que eles três, que a minha perda com a reforma é a metade do salário deles, eles conversaram comigo de igual para igual. Foi massa. Mas se a gente entrasse em outras pautas, as identitárias, direitos humanos, provavelmente, seria um desastre. Esqueci de dizer que eles sabiam muito mais detalhes técnicos e precisos sobre a reforma da previdência do que eu, não era isso que eles queriam de mim, eles queriam que fizesse uma interpretação da conjuntura para saber se batia com a deles.
Capital agradece
Multidão de pessoas muito excluídas tendendo a apoiar a perda de direitos dos poucos, muito poucos, precariamente incluídos, estou falando da base. O capitalismo toma seu uisquinho vendo o circo pegar fogo. Vendo que dá para arregimentar ressentimentos para nivelar por baixo a estrutura do trabalho escravo assalariado. O capital agradece pelas concorrências mutuamente destrutivas dos segmentos infraclasse dos assalariados. Só que miséria não faz revolução. Quem com ferro fere com ferro será ferido. Serão muitos os ferreiros autoferidos sem o saber. O trabalhador hoje se odeia tanto que aceita o argumento ultraliberal de que aposentadoria é um assunto estritamente privado. Tem quem capitalizou e ponto final. Esse entendimento é um suicídio coletivo. Os bancos e as grandes empresas não costumam agir assim. Estão sempre desejando a garantia do Estado que só pode ser para eles o provedor para o sistema do capital em detrimento do trabalho vivo. Parte considerável da classe trabalhadora está se identificando com a reforma da previdência. Isso é bem assustador. Dizem que a reforma é contra os ricos. Mas ser contra os ricos não é coisa de socialista? Estou entendendo mais porra nenhuma. Qual ataque robusto aos gastos públicos o governo vai fazer quando o assunto é dívida de grandes empresas? É isso que querem silenciar. Que os gastos públicos para grandes empresas vai aumentar. Mas geram empregos, não é? É assim que a massa responde. Tudo cada vez mais na mais perfeita harmonia. O governo com apoio do povo anula qualquer contradição. Pagando para ver.
Wednesday, February 20, 2019
As estrelas antes da hora
Indivíduos que começaram a agir como estrelas antes de terminar a formação sofrem com ansiedades agudas de status. Em geral, desaparecem do mapa. Ninguém sabe, ninguém viu. Tão comum isso. Entram imaginariamente e portanto não saem, pois não entraram. Não foram sequer admitidos mas gozavam ilimitadamente num lugar inexistente. Muito triste isso. Se autonomear estrela é não entender que o sujeito é o campo.
Tuesday, February 19, 2019
Ninguém sabe, ninguém viu.
Indivíduos que começaram a agir como estrelas antes de terminar a formação sofrem com ansiedades agudas de status. Em geral, desaparecem do mapa. Ninguém sabe, ninguém viu. Tão comum isso. Entram imaginariamente e portanto não saem, pois não entraram. Não foram sequer admitidos mas gozavam ilimitadamente num lugar inexistente. Muito triste isso. Se autonomear estrela é não entender que o sujeito é o campo.
Monday, February 18, 2019
Os outros são os outros
Escondem a verdade do que aconteceu e depois se vitimizam. Não deixam ninguém saber que foram irresponsáveis e sem compromisso. Que não valorizaram a oportunidade de realização. Mas quando se vitimizam, comovem a todos. E ainda conseguem demonizar os outros. São perversos. Encontrar com gente assim é sempre uma lástima. E há uma multidão a dar guarida. São falsos e oportunistas. Possuem duas faces ou mais. Sorriem para você e te detonam onde e como puderem. Se aproximam quando precisam de algum suporte ou apoio. Se distanciam quando chamados a assumir responsabilidades. Fazem um leva e trás de fofocas e informações para atiçar relações de guerra e inimizade. Sem comprazem em ver o circo pegar fogo. São traiçoeiros. Sentem ódio e são ressentidos, mas vestem a máscara de abraços e simpatias quando encontram por aí quem detestam. Aprontam escrotices, mentem, se esmeram em prejudicar o que quer que vejam funcionando bem. Boicotam, envenenam relações, atuam como agentes de discórdia. Fazem o mal e fingem que não sabiam de nada. Montam estratagemas de exclusão de possíveis concorrentes. Escondem informações. Fogem do trabalho sério. Vivem se escorando nos outros. Pegam carona no resultado de quem trabalha, como se tivessem contribuído, quando nada fizeram. Vivem costurando redes de apoio às suas atitudes sacanas, se pintam como santos perseguidos. Mas quando percebem que vão ser punidos pois desmascarados ficam apavorados. Começam a chorar se fazendo de pobres coitados, o que no fundo são.
Elogiar o esforço mínimo?
Faz um mal enorme elogiar alguém que a gente sabe que não está à altura do elogio. Saber que a pessoa não fez o que tinha de fazer com cuidado, esmero, atenção e esforço requeridos, saber que a pessoa está apresentando um resultado medíocre e assim mesmo elogiar, para dar uma força, porque a pessoa precisa de algum reconhecimento, enfim, elogiar o pouco esforço e a baixa criatividade tem sido um jogo que tem feito muito mal a muita gente. Todo mundo que ser simpático e amigo, acabam alimentando o ego de quem não fez lá grande coisa. Vira uma coisa ridícula. O ego lá numa trip se achando. Achando que é um arraso no show da vida. Se passando como o ridículo e ninguém diz nada. Fazem é continuar a elogiar. Que merda, hein?
Sonho de astralidade
Meu sonho era levar uma vida astral, numa casinha de praia, bem simples, tudo artesanal, pescando um peixe fresco, tomando água de coco, pesquisando o folclore da região, sentindo aquela brisa fresca batendo no rosto todas as manhãs. E sabendo que o papai iria depositar minha mesada todo mês e pagar meu cartão de crédito quando fosse para NY passear, além de estar incluído no testamento do velho, agraciado com alguns imóveis caros que me dariam sombra e água fresca durante um boa vida de astralidade, dando bom dia para o sol e boa noite para a lua. Teria sido tão bom! Mas não foi o meu destino subjetivo ser uma pessoal astral e amiga da natureza.
Segura a mão do outro?
De vez em quando, e com mais frequência, estão chegando as notícias de pessoas conhecidas que adoeceram e morreram à míngua. Pessoas amigas, que estavam entre nós e ninguém suspeitava que pudessem morrer devido à pobreza material que não aparentavam ter. Isto é o fenômeno que mais me tem chamado a atenção nos novos tempos. E é tabu. Ninguém discute abertamente. Muita gente prestes a papocar. O coletivo expressa por redes sociais virtuais o seu pesar. Ou seja, segurar na mão do outro, ninguém solta a mão do outro, é a nova hipocrisia.
função mãe e função pai e a negação do show de eu
Estar na função materna e paterna com responsabilidade sistemática entra em contradição frontal com a ideia de estar no centro das atenções, sendo o objeto primordial do cuidado e do amor. Não dá certo estar na Babilônia, no narcismo, no sou mais eu, no show do eu, sendo o destaque de sucesso, a celebridade, se você efetivamente se tornou pai ou mãe responsáveis. Nesse ponto, o discurso conservador tem razão, apesar do seu moralismo, tem razão em criticar quem não assume o lugar do adulto. Na família, a gente é 24h resolvendo questões da vida dos filhos. É uma loucura. Se vc se ama muito em demasia do tipo espelho espelho meu, não tenha filhos. Não meta as crianças numa enrascada chamada seu show de eu.
Sunday, February 10, 2019
Cuidar das crianças é prioridade
Ter filhos envolve passar noites e noites acordado cuidando deles quando adoecem. Aquelas madrugadas de cansaço e preocupação. Só sabe quem já passou. Caçula por aqui com febre alta. A gente, pai e mãe, suspendendo tudo para cuidar dele. O difícil é lidar com um sistema que não aceita isso. Não aceita que a prioridade seja a criança. Em geral, no mundo do trabalho, a crueldade impera. Por isso que tento não ser o sacana quando isso acontece com pessoas que estudam ou trabalham comigo. Vamos lá. Cuidar das crianças é a maior prioridade sempre.
Wednesday, February 06, 2019
Barbárie cearense
Uma mulher ajoelhada na rua sendo açoitada por um agente da lei com um chicote de dar em cavalo. Isso é a segurança pública no CE. É importante não esquecer que a PM que faz isso é a PM que protege os "bairros nobres" e o governo das oligarquias. O Ceará é uma barbárie. Não adianta pagar especialista para elogiar o governo. Essa bajulação tem de acabar. Essa subserviência tem de parar por aqui. Vejam as imagens, vejam o vídeo. É uma mensagem terrível. De puro terrorismo de Estado. Ou vão querer patologizar o policial, dizendo que ele é uma exceção que passou pelo crivo do rigoroso recrutamento do Estado? É intolerável que a sociedade civil fique em silêncio diante de tamanha barbárie.
Elogio da loucura
Não sabia que havia uma história complexa e entrecruzada que envolvia Henrique VIII, Erasmo de Rotterdam, Thomas Morus e Lutero. Estou embasbacado. Erasmo e Lutero fizeram uma disputa teológica, política e intelectual. Que contexto histórico rico! A gente descobre cada coisa na vida. Aprendendo muito com as querelas dos anos 1490-1530. Ou seja, estou lavando louça na cozinha da minha casa.
Monday, February 04, 2019
Pensando com Erasmo
Construir uma relação com o espaço vazio. Manter uma relação com o nada. Para não cair no vazio e nem ser engolido pelo nada, elaborar um modo de negação do não ser. Será que isso continua sendo a tarefa da humanidade ou isso já ruiu e só restam ruínas destituídas de quaisquer modelos civilizacionais? "Tudo o que fazem os homens está cheio de loucura. São loucos tratando com loucos" (Erasmo). Uma vida aprisionada entre a vergonha e o medo. Em algum lugar. Ignorância, irreflexão, esquecimento e as esperanças mais tolas.
O sacrifício como tema para reflexão
O sacrifício pelo bem de si mesmo, de outrem ou do grupo? Ou é possível uma vida social humana sem sacrifícios? O tema do sacrifício se tornou um tabu. Ou seja, o tema da relações sociais recíprocas com suas obrigações mútuas virou tabu. Temos que criar uma nova linguagem para lidar com isso. Novas práticas e nova linguagem. Não dá para fazer revolução com promessa de consumo competente para todos. Foi isso o que ocorreu no BR. Os governos que abriram acesso ao consumo competente (virtualmente ou efetivamente) para todos foram rechaçados por pautas conservadoras, que, afora suas distorções ideológicas histéricas, partem de uma demanda por algo mais do que seja também um consumidor. O liberalismo social virou sinônimo de "indecência". Os estilos de vida defendidos passaram a ser lidos socialmente como individualistas, hedonistas, narcisistas e atomistas. Será que tais percepções que passam pelas formas do pensamento conservador a respeito das exigências de cidadania do consumo livre de quaisquer amarras não prepararam a queda do pensamento da esquerda oficial? Uma esquerda que prometia posição de consumidor de bens e serviços, com feitios a-morais, foi rechaçada pela demanda de integração moral dos laços sociais. Quando se tentou recuperar o terreno com a tal da "nova classe média", foi um desastre, pois se quis tratar uma demanda moral com ferramentas economicistas. Repetiu-se o erro. Os neoliberais também erram por incorrerem nesse economicismo da esquerda oficial. Já as igrejas, essas continuam muito antenadas com as demandas que envolvem projeções de fantasias coletivas na ordem social imaginária. O governo das igrejas é o mediador universal nesse contexto de uma vida definida pelo dinheiro e pela dívida.
A família como tema para reflexão
Todo dia acordar 5 da manhã para dar tempo das crianças estarem na escola às 7 em ponto e a gente no trabalho às 8h em ponto. De domingo a domingo, manter necessariamente a vida em bando. A vida familiar com suas rotinas exigentes e esfalfantes. Ninguém do bando pode ficar de lado, todo mundo tem de ser incluído. Esse lance de família não é brinquedo, não. São anos e anos, repetindo os mesmos movimentos. Praticando os mesmos cuidados. Função pai, função mãe, função responsável, isso exige uma disciplina espartana. Uma vida repleta de obrigações, deveres. Exigências de sacrifício do desejo individual. Conformidade às necessidades do grupo familiar. Enfim, é verdadeiramente aprisionamento numa rede de obrigações mútuas. Muito sacrifício. Ser responsável num sistema de responsabilidades tão exigente é uma questão de vida ou morte. Crianças e adolescentes são os que sofrem com as barbeiragens, omissões, irresponsabilidades, fugas, covardias. Entendo perfeitamente por que os conservadores transformaram o tema da família no tema central de suas elucubrações. A família é um compromisso que só pode existir como compromisso prioritário. O desafio para quem não é conservador é manter as noções de liberdade individual e de hedonismo narcisista à salvo de tantas obrigações, uma missão quase impossível. Não dá para ser um hedonista competente, quando se é arrimo de família, quando se é presente e responsável. A minha família e o meu trabalho salvam minha vida. Vamos tirar esse motivo da mão dos conservadores? Sim, mas para isso, é arregaçar as mangas e mandar ver na efetividade das práticas cotidianas. Uma loucura! Tenho muito respeito por quem não escolheu esse caminho da família. Muito mesmo. Acho coerente. O problema é escolher e não assumir o lugar, aí é que os problemas começam.
Monday, January 28, 2019
Ódio à distância
Apenas quando te encontro num abraço entre seres sensíveis, anulam-se as antipatias que sinto por ti. Descubro que, longe de ti, tua imagem é meu mero e mesmo fantasma, aquela que me atormenta.
Monday, January 21, 2019
Os entusiastas bolsonaristas do capitalismo
Está ficando cansativo ter de lidar com indivíduos que defendem o capitalismo com unhas e dentes mas que possuem baixíssima capacidade concorrencial, quase nenhuma, baixíssimo acúmulo de capital informacional, não atuam subjetivamente na forma-empresa, não fazem investimentos de rentabilidade crescente em praticamente nada e sequer entendem o que seja a lógica de mercado. Enfim, vivem na merda, felizes pois estão superando o "socialismo" no Brasil. Cansa muito esse pessoal. E são muitos. São milhões. Santa paciência. Como lidar com esses autoexcluídos felizes e boçais que não representam porra nenhuma no regime do capital? Esqueci de dizer que esse pessoal não tem plano privado de saúde, não tem acesso a escolas privadas, não tem seguro de vida privado, não possuem praticamente nada dos títulos de capital do capitalismo. São excluídos mesmos. Mas não param de falar que estão felizes em superar o socialismo no Brasil, que agora é capitalismo para valer.
Saturday, January 19, 2019
Os sorrisos
Nessa vida cheia de sofrimentos, talvez, um dos piores seja o de ter de se sentir obrigado a expressar felicidade, beleza, sucesso, poder e riqueza para a apreciação e o julgamento dos outros, mesmo quando o sentimento íntimo é de que tudo desmorona. As mascaradas com seus sorrisos que, nas entrelinhas, pedem socorro, nos levam cada vez mais para o fundo do poço sem que saibamos disso, um fundo do poço de onde os amigos mais calorosos, os mais amigos, não irão jamais nos tirar, pois é tóxico se aproximar de quem está no fundo do poço, simples assim. A amizade, como dizia Beckett, a propósito de Proust, é uma grande covardia. Somente os covardes procuram a companhia dos amigos, como muletas. Nada de sorrisos, nada de estados de felicidade expressos pelos sorrisos do adeus, da falta de comiseração. Prefiro viver afundado na falta de misericórdia e no desespero humano mitigado pela arte do abandono de si. O resto é o teatro do mundo, o que soçobra de modo jovial. Como detesto tudo o que é jovial e espontâneo. Somente o velho, o decrépito, o sem sentido, deveria ter direito a existir. O velho e sua morte iminente. O declínio do sorriso é a aurora. Meu teatro é feito de caretas, de máscaras ruinosas, de faces derretidas, sem substância e sem essência. Desbragadamente afirmadas na alegria, essa negação de toda felicidade humana.
Thursday, January 17, 2019
Pensando alto
Se houvesse engenheiros, químicos e físicos nas facções, hein? Mas as facções com seus ataques, entre outras coisas, mostram como são formadas por indivíduos de baixíssimo capital informacional. Esse mundo do crime precisa se modernizar. Precisa estudar para aprender a explodir uma ponte com cálculo, como os especialistas do Estado e das empresas privadas sabem fazer. Se assim fosse, aí iam dar um trabalho danado. Tenho cada ideia, né? Desculpem-me. Não quero ferir sentimentos de A ou B. Foi só uma coisa que me veio à cabeça.
Wednesday, January 16, 2019
Arma de tolo
A facilidade de acesso às armas mascara o movimento de gerar dificuldade de acesso à educação de qualidade. A arma é um cortina de fumaça para elitizar o acesso à educação, restringindo o desejo de escola, compensando-o com o de arma. Só que a escola é mais rentável. Por exemplo, no CE, o salário médio de quem cursou nível superior é de 4 mil e 300 reais. É mais negócio investir no estudo no que na arma. Mas se muita gente investe no estudo, há um efeito de desvalorização dos diplomas, que afeta também negativamente os salários médios de quem estudou. O encanto pela arma por parte da população de baixa renda ou da classe média baixa é excelente para quem está investindo tudo nos estudos, diminui bastante a concorrência. Forte expectativa com arma, baixa expectativa com estudo. Para quem fica no estudo, gera aumento relativo do lucro do diploma pela restrição ou corte da expectativa daqueles que não estarão mais com o foco no estudo, mas na arma. Dirigir os filhos para as armas ajuda a quem os dirige para os estudos. Aumenta as chances destes últimos de monopolizarem as oportunidades de realização. Mais armas, menos estudo, mais violência no lugares de concentração de armas. As elites em geral preferem comprar serviços de segurança privados. Só alguns se dedicam diretamente à aquisição de armas. As elites fazem aquisições de planos de saúde, de serviços de telefonia e internet, de escolas privadas, de pacotes de viagens de estudos para seus filhos no exterior, de cursos de línguas estrangeiras, de escolas de esporte, enfim, investem naquilo que realmente dá lucro. Arma dá lucro só para quem a vende. Ademais, ter arma em casa é virar alvo. Não há como ter arma em casa e levar uma vida tranquila, espontânea. Tem de virar um soldado, tem de dedicar muito tempo e atenção à arma. Ou seja, tempo de não estudo. Os já excluídos tendem a abraçar o reforço da sua tendência de maior exclusão. A arma é um fator de desigualdade. Quem tem arma em casa, com raras exceções, tem menos segurança ontológica, mas tem uma sensação compensatória para mascarar a privação de base. Ouro de tolo. Ocorre que lucros à parte, todo mundo perde numa sociedade toda armada. Mas as perdas são distribuídas desigualmente, assim como os lucros. Se o homem morador da periferia não poderá circular em bairros ricos com sua arma, pois ele não possui o porte, apenas a posse em sua residência ou comércio, isso significa que o homem pobre da periferia armado não poderá ameaçar pessoas nos bairros ricos, pois a posse é ilegal. Se houver quem morra ou quem mate, será no bairro de moradia desse homem pobre armado. No bairro dos ricos, há empresas privadas de segurança armada cuidando dos condomínios, além dos policiais fazendo bico, e das patrulhas constantes para não permitir circulação de homens armados das periferias nos bairros "nobres". A facilitação da posse demarca territorialmente o lugar dos efeitos de violência letal armada, em tese. Outra hipótese: as invasões policiais nas periferias poderão "naturalmente" ser mais "enérgicas", mais violentas, pois está "naturalmente" justificado que cada residência é potencialmente proprietária de armas, como fato normal e geral. Se as casas das periferias são potencialmente e legalmente proprietárias de armas, não há razão para entradas cuidadosas. A entrada da polícia na periferia ou na casa da periferia será de modo generalizado justificado como enérgica. Regulariza um monte de problema que já existe. O governo do Bolsonaro é muito inteligente.
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