Monday, June 13, 2016
Precariado
Tenho um dúvida. As chances objetivas de pessoas jovens oriundas das classes dominadas de ocupar posições sociais que não sejam precárias, incertas e instáveis diminuíram? O problema é que metodologicamente não há como checar isso sem levar em consideração a relação entre as expectativas e as chances objetivas de realização dessas expectativas. A crise, para ser sentida como crise, funciona como crise da crença, crise de confiança, como rebaixamento de expectativas elevadas, inflacionadas, em relação a suas condições reais. Ocorre que as expectativas fazem parte dessas condições reais, então, não há como investigar as condições objetivas, desconsiderando os processos de objetivação da objetividade.
Habitar
Moro numa casa onde os muros são parciais. Há um trecho imenso sem muros e alguns muros antigos e outros mais recentes construídos na tentativa de minimizar a situação porosa de uma habitação sem muros. Mas na minha casa há portas e janelas. E elas não ficam sempre abertas. São abertas e fechadas várias vezes ao dia, num jogo infinito de uma casa quase sem muros. Subo no telhado, espio os arredores da casa. A casa vazia é um perigo. As armas da casa são meus olhos. E posso até furá-los nos espinhos que abundam na mata que rodeia a minha casa. Mas pela mata passo como flecha; nem que fure meus olhos. E assim vamos passando desta para uma melhor, ou não. Onde eu moro se chama sertão, meu corpo. Corpo aberto, corpo fechado. Sujeito marcado no limite de sua impossibilidade.
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