Saturday, December 08, 2012

Dilemas éticos e a pesquisa de campo sobre violência.

Amigos e amigas, vocês sabem que nós das ciências sociais estamos sempre fazendo trabalho de campo, não é? É a nossa forma de pesquisar e produzir conhecimento, sempre a partir do campo. Antropologia e sociologia são ciências de campo. Pelo menos como eu as entendo. Pois, vou relatar para vocês duas conversas e uma conversa observada: 1. Peguei um táxi na rua. Conversa vai, conversa vem, em determinado momento da conversa, o taxista me pergunta: o Sr. tem interesse em comprar uma arma? Tenho uma nova em folha, na caixa, etc. (Lembrem-se, não vamos generalizar e sair dizendo agora que os taxistas são traficantes de armas, ok?). 2. Conversando com um policial militar, ele me disse que ele teria medo de ligar para a polícia para denunciar um traficante de drogas. Vai que ele liga para algum policial que "trabalha" junto com o traficante, ou que algum policial bandido entregue a informação mediante alguma troca de vantagens com o traficante. Como policial militar, ele não recomenda a população a denunciar, pois é muito perigoso. (Lembre-se, não vamos generalizar e sair dizendo agora que os policiais são bandidos, ok?). 3. Os moradores de um prédio prenderam um ladrão dentro do condomínio. Fizeram a prisão, o ladrão estava com um outro, e este que estava com a arma de fogo conseguiu fugir, pela ameaça da arma, o outro que foi preso estava acompanhando e foi preso pelos moradores pois estava sem arma. Os moradores chamaram a PM. O carro da PM estacionou do lado de fora do condomínio, o PM disse para o morador que estava liderando a prisão: Matem o vagabundo aí dentro e joguem o corpo dele na rua, que a gente passa recolhendo depois, vira acerto de contas entre eles. Façam o serviço certo da próxima vez. E eu escutando tudo. Vida de pesquisador é assim. (Detalhe, não denuncio ninguém, se eu fosse fazer isso, tinha que deixar de ser pesquisador e virar promotor de justiça ou outra coisa parecida). Não guardo nomes, nem placas, etc. justamente para não saber de nada. Pois não é "investigação policial" que fazemos, é pesquisa sociocultural. Esse é o dilema ético que vivemos! Algo a ser discutido em algum momento. Compartilho com vocês.

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