eram duas da manhã. eles subiam a ladeira onde tinham escondido o bagulho. o momento era de tensão. em número de seis, as coisas pareciam não querer se escamotear. o fio da calçada acompanhava todas as sombras. e como, afinal, não se fala para os outros abertamente a respeito de lugares secretos, os passos calados pareciam jogar basquete numa quadra coberta vazia. a noite era imprecisa, lunar, escorregando os pés de rainha.
e aqueles segredos expressavam a fé que depositavam na vida, precisavam ser resguardados dos olhares da lua e de seus adversários. tinham chegado na praia à tarde, tinham surfado e nadado horas a fio. as pedras percorriam os pés na saída, mas não antes da mordida das tartarugas. imprimiam impertinência e vivacidade com essas pequenas e possíveis querelas. era tudo uma imensa diversão.
Saturday, May 19, 2007
Wednesday, May 09, 2007
o corpo escorrega da alma?
não poderia te interpretar e agir sobre ti ao mesmo tempo. o tempo resvala. escorre lentamente. e a imprecisão não é uma medida negada, não é disjunção. é como a batida do coração. trivial seria incorporar o antigo piso da morada. piso de demolição. por mais lindo que seja, ele é subjetivo em demasia. deixa-me em perigo. tão longe de mim mesmo que deixo de aparecer. e sem aparição, sem aparência, não há sentido, não há rouquidão que valha a pena, nem faringite, nem nada que impeça o nariz de farejar, o ouvido de escutar o marulho na praia e a garganta de ser comovente na despedida. são duas? são mais? quereria não ter sido tão néscio desde o ponto de amanhã. tão comoventes são as narrativas da subjetividade quando destroçadas pelo peso do martelo na avelã. quão matreiras e imberbes são as subjetivades que acreditam poder se expressar sem as modalidades que as alimentam no espaço crítico do pensamento. mas aí já são outros quinhentos e cinquenta e dois movimentos.
o que me importa é que, na madrugada de dentes frágeis, já não serei mascate de meus olhares. nem ímpio, nem fraco serei, se e somente se tu, a quem não posso interpretar ao pretender agir, minar o sentido da fraqueza de caráter. dois ou três? ou vários? qual PIB americano me desprendo da base de mercúrio, onde acaricio o vidro e desejo o caco de vidro da minha febre gentil, da minha cordialidade de mendicante. banho de sais, querido, banho de sais e taça de champanha vietnamita irão te salvar do caos e da aposentadoria aos cinquenta e cinco anos com plano privado e teto máximo da pública e estúpida distribuição. elogios? nada de elogios é distribuído nessa miríade de palavras sem correspondência. lá vão os cinco reais! lá se vão minha estratégia de não seguir as regras de um território aonde não me dirijo, e a quem não me pertence em magia e pranto.
na estrada escura da cidade, eu não caminho. não busco revelar e preencher nenhum sentido. não espirro sem permissão de quem não liga para prisioneiros e suas categorias de plantão. quer pular a muralha? aprende a ser hirto, firme e empaludo como os samurais da arte na timidez de sua própria bilheteria. ardente no desejo de se fazer ampliada e marcante. mas não basta o carbono, nem a fita de máquina de datilografar para deixar-se agenciar pelo conceito macrobiótico e absolutamente descentrado do meu samurai. lançador de chamas pelo peito de fogo diante da extinção do estamento dos guerreiros sem comiseração. foram eles todos derrotados pela Nike do Nilo Verde, onde matanças não se fazem sentir antes do meio-dia.
o que me importa é que, na madrugada de dentes frágeis, já não serei mascate de meus olhares. nem ímpio, nem fraco serei, se e somente se tu, a quem não posso interpretar ao pretender agir, minar o sentido da fraqueza de caráter. dois ou três? ou vários? qual PIB americano me desprendo da base de mercúrio, onde acaricio o vidro e desejo o caco de vidro da minha febre gentil, da minha cordialidade de mendicante. banho de sais, querido, banho de sais e taça de champanha vietnamita irão te salvar do caos e da aposentadoria aos cinquenta e cinco anos com plano privado e teto máximo da pública e estúpida distribuição. elogios? nada de elogios é distribuído nessa miríade de palavras sem correspondência. lá vão os cinco reais! lá se vão minha estratégia de não seguir as regras de um território aonde não me dirijo, e a quem não me pertence em magia e pranto.
na estrada escura da cidade, eu não caminho. não busco revelar e preencher nenhum sentido. não espirro sem permissão de quem não liga para prisioneiros e suas categorias de plantão. quer pular a muralha? aprende a ser hirto, firme e empaludo como os samurais da arte na timidez de sua própria bilheteria. ardente no desejo de se fazer ampliada e marcante. mas não basta o carbono, nem a fita de máquina de datilografar para deixar-se agenciar pelo conceito macrobiótico e absolutamente descentrado do meu samurai. lançador de chamas pelo peito de fogo diante da extinção do estamento dos guerreiros sem comiseração. foram eles todos derrotados pela Nike do Nilo Verde, onde matanças não se fazem sentir antes do meio-dia.
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