Tuesday, June 26, 2018
Aprender com ou sem alguém?
Como toda relação envolve dependência e negociação, é preciso abdicar da autonomia (soberania) para construir algum tipo de interação humana, o que não quer dizer aceitar a submissão com resignação, mas elaborar algo a partir e contra a submissão. Está cada vez mais difícil interagir, pois as pessoas estão atacadas pelo sentimento de soberania e qualquer interação vira uma invasão. Se a universidade continuar do jeito que está, cada educador será seu próprio educando e ponto final. Para que então haver instituições de ensino? A atitude das pessoas já é neoliberal. Quando os governos atacam de modo neoliberal, eles já estão apoiados numa ampla maioria efetiva que já desempenha o papel do neoliberalismo e suas ilusões de cada um se serve à vontade do que está ofertado no mercado "livre" da informação. Onde é que alguém vai aprender algo que não seja com alguém?
Governo das finanças
Detêm o título de propriedade sobre o trabalho futuro e assim nos subjugam. Daqui a cinco anos, BR mais pobre e desigual, infelizmente. Se não houver recusa. A desigualdade é o propósito do governo das finanças.
A crise da crise
Já notei que pessoas mais novas estão passando por crise braba no país pela primeira vez na vida. Percebo a falta de referência para enfrentar uma crise. Houve uma quebra intergeracional, pois ensinar a viver na crise era o que havia de mais importante para quem vivia nos anos 1970-80 no BR. Há um pessoal que aprendeu a vida "liberada", mas não aprendeu a "regrada". É importante saber das duas. Saber viver nos dois regimes dietéticos. A dieta é uma forma de política. Mas o que há de indigno e revoltante nessa conjuntura é a volta da fome. Isso é inaceitável.
Renunciar à renúncia
Toda demanda de identificação está destinada ao fracasso. Mas o fracasso pode ser o lugar por excelência do sujeito. Como pensar alternativas à resignação como desejo de ordem e normalidade? Num contexto incongruente, o desejo de ordem se torna um imperativo de mercado. Obediência, sofrimento e resignação como atual oferta produtora de demanda. A vida de uma pessoa é um rosário de amores perdidos. Toda escolha está ancorada no abandono.Como se tornar um renunciador quando o gozo ilimitado é o imperativo incontornável?
Wednesday, June 20, 2018
8 anos de UFC
Ter voltado para a vida acadêmica foi uma sorte. Fiquei 6 anos de molho, fora do jogo. Conheço muita gente que não voltou. Sei o sofrimento que isso provoca. 6 anos sem estar no jogo é um buraco considerável. Até hoje pago por isso. A literatura produzida entre 2002 e 2008 acumulou. Nos últimos dez anos, tive que rebolar para me atualizar. Mas deu certo. Lá se vão 8 anos de UFC. O trabalho é uma forma de desejo, como dizia Hegel. Envolve sacrifício e prazer . E muitos desafios. Quando alguém me diz: "você estuda tanto", como um elogio, eu respondo: "porque eu preciso, se não ralar, não acompanho, sei dos meus limites, estudo muito para não sair dando coice e relinchando, que é minha tendência de todas as manhãs ".
Sair fora!
O desejo de quase metade dos brasileiros (43%) de deixar o país é a ponta do iceberg. Entre os com diploma superior, salta para mais da metade (56%) e, entre os jovens, dispara (62%). Famílias de alto poder aquisitivo já praticamente moram fora do país, se não os pais, os filhos, certamente. Mas vivem de renda, do patrimônio, são ricos. As empresas continuam no Brasil gerando o excedente apropriado. Ocorre que os EUA (suas classes médias, notadamente) estão empobrecendo. E a Europa virou o Brasil, com raras exceções. Fugir para onde, se a precariedade é global? Sair do mais precário para o menos precário? É um jogo arriscado. Pessoalmente, não fugiria para o exterior, mas para o interior. Voltaria a plantar. Mas para isso, é preciso terra para todos, não é? Por onde anda a reforma agrária? E o direito à soberania alimentar?
Instrumentalizar quem mesmo?
As pessoas acham mesmo que podem instrumentalizar as outras sem ter consequências? Sem ter danos de retorno indesejáveis? Instrumentalizou virou alvo. Alvo de ataque ou de indiferença. O melhor é a gente evitar instrumentalizar o outro. O preço pode sair muito caro. Gentiliza gera gentileza. E ajuda mútua é a base da superação das hierarquias. É preciso saber onde se pisa. O terreno está minado. A qualquer momento, as coisas que parecem sólidas podem se desmanchar. É uma loucura total basear a interação com o outro na instrumentalização para autointeresse. O pau pode quebrar.
Monday, June 11, 2018
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