Friday, March 15, 2013
Dá nos nervos!
Escrever é enervante. É como ficar respirando prestando atenção na respiração. Dá uma sensação de morte iminente. Detesto muito escrever.
Boa memória?
"O homem de boa memória nunca lembra de nada, porque nunca esquece de nada" (Samuel Beckett sobre má memória de Proust)
Wednesday, March 13, 2013
Síndrome esquerdista de Peter Pan
tenho um problema horrível de inadaptação aos novos tempos. eu nasci e cresci durante a ditadura militar. passei a adolescência sendo chamado de "baderneiro", "vagabundo", "marginal", "maconheiro", "comunista" e "rebelde". junto com o pessoal que fazia oposição de esquerda ao PT em 1987-89, fazíamos a crítica que o pessoal "descobriu" só depois de 2002. não consigo me acostumar com a ideia de que ser de ex-querda é ser de "sucesso", é ser do "poder", é ser da "nova classe média". prefiro continuar sendo o eterno "irresponsável" por criticar o presidente Figueiredo e o Lula ao mesmo tempo. síndrome de Peter Pan? Será?
Monday, March 04, 2013
Relações de poder e crueldade.
Um lance cruel, um expediente de poder, vem trazendo problemas sérios de saúde para os professores. Combina-se um prazo que contenha uma quantidade definida de dias para a revisão do professor coincidir com o final do semestre (digamos que 20 dias antes das férias seria a entrega de um trabalho de modo que o professor tivesse 10 dias para revisar e tempo para agendar encontro presencial a fim de dar um retorno). Ocorre que alguns estudantes resolvem de modo unilateral usar o tempo desses 20 dias que eram do professor para esticar o seu prazo próprio de trabalho, e entregam o trabalho no último dia útil que antecede as férias. Ao receber o trabalho nessas condições, o professor se escraviza, afinal, se o professor disser que só irá tratar do trabalho após as férias o aluno considera uma desfeita, até por que exige que a avaliação seja lançada no sistema, caso contrário o aluno reprova. Para o professor não ser penalizado, ficando trabalhando durante as férias em ritmo alucinado e sob pressão intensa, uma marcação colada exaustiva do aluno que lhe roubou o tempo acordado para revisão, terá que se recusar a receber o trabalho fora do prazo. Moral da história: o seguro morreu de velho. A regra é não aceitar de jeito nenhum o trabalho depois do prazo e reprovar o aluno. Pois o sorriso cínico e adulador para que o professor aceite o trabalho fora do prazo se torna uma boca arreganhada de dentes e uma língua ferina e maldosa e raivosa a abocanhar as férias. Matem a caça, antes que a caça te mate. Não perdoar e não aceitar trabalho atrasado de aluno é fundamental para a saúde e para as férias do professor. Se a vovozinha é o lobo disfarçado e come a chapeuzinho, então sejamos os caçadores desde o início. É isso o que se pode chamar de educação? Nem o cheiro!
Sunday, March 03, 2013
Ascetismo secular.
Foi uma dupla constatação que me levou a escrever uma carta de despedida temporária aos amigos. Dei-me conta de uma brutal insuficiência de recursos intelectuais para dar conta da complexidade das coisas que se somou a uma curiosa debilidade em me manter na normalidade requerida para o trato com os humanos e, ainda mais e por cima, que a combinação das duas, da brutalidade e da debilidade, assolavam-me ferindo de morte os meus dias e os trabalhos. E assim me decidi pelo retiro. Resta-me, para os próximos 15 anos, se o indivíduo biológico que habito me permitir, um mergulho total e irrestrito e inexorável no mais brutal e rigoroso isolamento. Uma fuga dos adjetivos. Dirão alguns que passo de uma loucura a outra. Outros, os mais maldosos, propagarão minha perfeita morte. Mas dos primeiros, resguardo-me adotando a loucura como meu princípio de dor, sem nela mergulhar de ponta cabeça como se a pedra que me acolheria, partindo-me o crânia, subjazesse na eternidade submersa. E dos últimos, os maldosos, para com estes, de quem nada espero, enterneço-me, confraternizando-me na mais astuta fuga de si. Afinal, nem só de pão vive o homem, mas da palavra infinita de uma página em branco. E da página em branco, farei o aguilhão de um ascetismo secular. Sem morbidez, mas também sem frutas e verduras orgânicas, pois aos céus apenas os bons e os justos terão recursos para aceder, comprando-lhes o acesso.
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