Monday, July 16, 2012

Produção estatal do crime de pistolagem

O funcionamento do sistema da justiça criminal no Ceará, o sistema da pistolagem e a produção socioestatal do crime. Bom para pensar.

Sunday, July 15, 2012

Releitura de Émily

Em 2006, puxando pela memória, refiz a imagem de uma linda menina de 12 anos, que era minha paquera na escola (eu tinha 13 anos). É uma forma ficcional, portanto, cheia de inverdades, os eventos foram bem mais simples e singelos, depois, no futuro, quem sabe, encontrarei palavras mais sábias para em vez de narração do mundo adentrar nas justaposições, para usar de empréstimo uma reflexão de Houellebecq sobre a qual ainda desconheço o sentido. Mas Émily foi uma doce menina, o coração batia forte ao vê-la, isso lá pelos idos de 1986, quando estudávamos juntos na mesma sala. Punk sou eu, escrevendo em 2006. À época dos eventos que inspiraram a história era tudo singelo e inocente, como deve ser nessa flor da idade. (o texto ao qual estou me referindo está nos arquivos de 2006).

Nota a partir de nota no meu diário de campo de 2001.

A conversão de agentes policiais em agentes profissionais da política implica em um processo de redefinição das propriedades sociais distintas dos agentes que se deslocam de um campo a outro. Compreender, a partir da análise de formas concretas de inserção de policiais no campo da política, sob a perspectiva de um corpo de agentes profissionais que vivem da e para a política (Weber) implica igualmente em conhecer as posições sociais dos agentes policiais no campo de disputa interior ao espaço institucional de suas corporações, bem como apreender as lutas classificatórias nesse campo quanto à definição legítima do grupo na sociedade, e, em especial, de suas posições e perspectivas diante do campo da política. O desafio maior é fazer com que a descrição etnográfica faça aparecer, faça ver os limites, as teses gerais, ou hipóteses de campo, umas em confronto com as outras, envolvendo os mecanismos de conversão. Não se trata de explicar in vitro as condições mais gerais da conversão, mas, ao contrário, de elaborar a partir da observação detalhada e intensiva dos casos concretos de conversão e fazer ver a lógica do processo, seus problemas e dilemas, e aí remetê-la às suas condições sociais específicas. Fazer a sociologia da conversão a partir dos limites específicos do universo etnográfico onde estamos acompanhando a inserção de policiais no campo político local, no sertão do Ceará, é pensar a prioridade de um descrição informada pela circunscrição dos elementos diferenciais, pelos detalhes, pelo microscópico das relações sociais em jogo. Fazer, por conseguinte, uma descrição bem informada teoricamente não é fazer a descrição se subordinar ao poder de teorização, mas sim fabricar um modelo descritivo pelo qual o poder de conceituar e teorizar se exerça a partir do campo, de modo detalhado. A construção de uma leitura dos conflitos sociais que estão investidos em torno dos limites reconhecidos entre os dois campos, o da ação policial e o da ação política, passa pela elaboração de modelo de compreensão acerca do modo como trajetórias de policiais na política estão em função de lutas classificatórias mais amplas onde o ser policial se liga ao contexto de transição para a democracia no país.

Trabalho de campo: novos eventos para a pesquisa.

Meu atual projeto de pesquisa, intitulado As vítimas e seus matadores: análise etnográfica de relações de poder e práticas de extermínio, já vinha se deparando com o tipo de situação descrita por essa reportagem do jornal O Povo de hoje (domingo, 15 de julho de 2012). Teremos que buscar problematizar estratégia de inserção para acompanhar este caso. As questões principais que me interessam estão aí postas: 1. sistema de crueldade. 2. Incorporação do inimigo. 3. Matadores como vítimas de matadores. 4. Concepções do humano e do não-humano. 5. Economia da alteridade e violência. Vila Velha fica no lado oposto da costa de Fortaleza onde realizo meu trabalho de campo. Moradores da fronteira do Cristo Redentor com Pirambu me relataram que muitas famílias foram obrigadas a sair da beira de praia no Pirambu, por conta das remoções e também por causa do aumento dos aluguéis, e se deslocaram para Vila Velha. Foi no Vila Velha que a viatura do Ronda do Quarteirão foi assaltada, na pracinha, e os policiais militares tiveram suas pistolas roubadas. O que está se passando na Vila Velha? Favelas à beira-mar e lutas armadas faccionais: campo.

Os sentidos da política

O que nos oferece a política? Talvez, uma tentativa de mitigação das penas de um sistema de dominação, ou seja, um modo de amortizar a dívida histórica da dor e do sofrimento produzidos pelo Estado de medo em que foram lançados os dominados, medo da violência atávica, fundante, que se inscreve, com marcas de crueldade, na corporalidade daqueles segmentos, coletivos, categorias, classes e pessoas que foram subalternizados. Uma tentativa de inviabilizar o risco da assunção de espaços de simetrização e, portanto, de problematização das distâncias relativas estabelecidas entre corpos superiores de chefes e corpos inferiorizados de subalternos, e nesse sentido os agentes interessados, pois o interesse é se colocar no entre das coisas, exerce o papel da mediação política segundo a qual os dominados abrem mão da vingança mortal contra a violência fundante da opressão, fazendo com que os critérios de autoridade e de poder do sistema de dominação possam ser lidos como o sistema de delimitação legítimo de um debate acerca do sentido das condições de existência da própria dominação social. Com a política, abre-se a negociação em torno do sentido da vida social questionando o fato histórico da desigualdade, reivindicando-se igualdade na ordem desigual, a fim de desnaturalizá-la. Todavia, novas hierarquizações reagem às demandas por igualdade, de modo que uma guerra política entre dois princípios passa a ser uma operação de confronto e de acomodações entre hierarquias e igualdades em cada situação particular onde este dilema se apresente como organizador das atividades políticas. Num sentido bem diverso do espírito que estou imprimindo na reflexão acima, não podemos esquecer, para fins de debate, a caracterização de Bourdieu para a ação política no seguinte trecho: "A ação propriamente política é possível porque os agentes, por fazerem parte do mundo social, têm um conhecimento (mais ou menos adequado) desse mundo, podendo-se então agir sobre o mundo social agindo-se sobre o conhecimento que os agentes têm dele. Esta ação tem como objetivo produzir e impor representações (mentais, verbais, gráficas ou teatrais) do mundo social capazes de agir sobre esse mundo, agindo sobre as representações dos agentes a seu respeito. Ou melhor, tal ação visa fazer ou desfazer os grupos - e ao mesmo tempo, as ações coletivas que esses grupos podem encetar para transformar o mundo social conforme seus interesses - produzindo, reproduzindo ou destruindo as representações que tornam visíveis esses grupos perante eles mesmos e perante os demais" (Bourdieu, linguagem e poder simbólico, parte dois de Ce que parler veut dire, p.117, 1996).

Ainda sobre a noção de centro

As categorizações simbólicas que operam com oposições complementares de tipo segmentar linear e não apenas de tipo concêntrico, representado este último graficamente pelo modelo durkheimiano de círculo concêntrico para indicar o sentido nucleado do processo de socialização (primária, secundária, terciária, etc) passam pela dissemia centro e periferia que pode ser observada articulando a produção de espacialidade em variados contextos socioculturais. Ocorre que metodologicamente a ideia de centro não pode ser reduzida à ideia de Estado, tudo se passa como se processos de unificação e processos de centralização não pudessem ser ditos sociologicamente como coincidentes, apesar de adotarem entre si conexões de sentido e de causalidade circular em planos empíricos concretos da vida social. Mas não reduzir a ideia de centro à ideia de Estado parece ser uma recomendação metodológica que possa gerar algum interesse no encaminhamento do debate teórico sobre o tema. Unificação ou centralização? Como poderemos categorizar analiticamente essas problemáticas a partir do nosso campo de pesquisa? Voltarei sobre este ponto em breve. Processos de centralização são objetos de lutas, assim como os fluxos e os refluxos desses processos não são unidimensionais nem lineares, apesar de compostos por linhas em fuga para todos os lados, se é que há lados nesse objeto. Talvez teríamos que superar a perspectiva do geometral, como fala Veyne.

Os sonhos do Estado são os nossos piores pesadelos

O que iria acontecer se, de repente, nós, pessoas e coletivos, que nos definimos como insurgentes, a partir de práticas de resistência, oposição e de luta por democracia real, simplesmente, respondendo ao "sonho" neoconservador de vários segmentos do poder, parássemos de protestar, de denunciar, de questionar, de fazer oposição? Qual seria o efeito disso para a vida social? Vocês conseguem imaginar uma greve geral invertida? Seria mais ou menos assim: ninguém diria uma palavra sequer de contraposição a nenhuma ordem do sistema de dominação, ninguém faria nenhum questionamento, nenhuma problematização, sempre que houvesse alguma dúvida, perguntaríamos ao chefe e ao chefe do chefe e assim por diante sobre como fazer e como encaminhar, anularíamos completamente o campo de autonomia das pessoas e dos coletivos, faríamos adesão total a qualquer ordem recebida da polícia, da justiça, dos governos, se nos dissessem para calar, calaríamos, se nos dissessem para andar, andaríamos, se nos dissessem para morrer, morreríamos, não questionaríamos nada, nenhuma ordem, faríamos a obediência total e irrestrita aos preceitos emanados das autoridades, qualquer instância que se apresentasse como instância de autoridade seria imediatamente reconhecida e geraria nossa obediência cega, independente de avaliações de conteúdos e méritos, avaliar seria um atributo exclusivo da instância de autoridade social, iríamos assim todos colaborar com a polícia denunciando toda e qualquer pessoa e coletivo que estivesse realizando algo que parecesse fugir ou colocar em xeque a manutenção da ordem social, não permitiríamos no cotidiano qualquer fala ou qualquer gesto que não correspondesse aos tutoriais divulgados amplamente pelas autoridades sociais sobre como se comportar, se vestir, caminhar e buscaríamos cumprir nos detalhes mais ínfimos a adesão total aos tutoriais disponibilizados pelo Estado e seus representantes sociais, faríamos um silêncio total em relação a qualquer tema de contestação, aboliríamos os vocabulários de contestação, apagaríamos da memória social qualquer elemento que veiculasse alguma lembrança em torno de formas de contestação da ordem, faríamos a hierarquização das posições sociais de acordo com os ditames, sem nenhum questionamento quanto aos critérios e à fonte da legitimidade destes critérios. Pergunto então a vocês: como seria viver assim? quais seriam os efeitos para a nossa existência se realizássemos com rigor absoluto o ideal de "paz total" da ordem social, excluindo qualquer possibilidade de desordem? Vocês conseguem imaginar que tipo de vida teríamos, se assim agíssemos?

Friday, July 13, 2012

Centros de poder

Espaços sociais são recortados por diversas formas e múltiplos processos de investimento sociocultural. As hierarquias, ou melhor, os processos de hierarquização produzem espaços sociais cujo sistema de delimitação instaura divisões, distinções, distanciamentos e operações de separação de toda natureza. Para isso, os pontos de referência que são mobilizados num verdadeiro processo de construção de referenciação giram em torno de um trabalho de enquadramento da memória social (Pollak) pelos centros, os lugares de fala enquanto lugares de instauração de domínio (Barthes) e os lugares de poder, enquanto lugares de posicionamento do sujeito da fala autorizada (Bourdieu), o lugar do sujeito, enfim, que pelo tudo indica na leitura que Deleuze faz dessa questão em Foucault trata-se de uma função derivada. A expansão e a difusão de modelos de centros realiza no espaço social interno, no meio interno, no dentro, um tipo de colonização para dentro do espaço social (Virilio). O centro de poder enquanto centro de poder irradiador opera com seus agentes sociais concretos, com seus complexos institucionais, com a fluidificação do sistema de valor concorrente e a coisificação de escalas hegemônicas de valor e tudo aquilo que afeta a questão do exercício do poder simbólico, para usar essa expressão um tanto já gasta, mas que se retomada em sentido não puramente teórico, mas como ferramenta, ainda nos serve na pesquisa, para observar como que o centro não existe antes de ser reconhecido, daí os signos de autoridade, os signos de poder, os signos de centralização, por que não dizermos assim, que vão apontando para o olhar heteróclito a heteronomia do centro e a perda da autonomia de si enquanto centro das relações sociais. São as questões da dominação, da autoridade e da construção do território que parecem se sobrepor umas às outras nesse jogo de verdade e nesse jogo de linguagem que busca obter pela unificação de uma comunidade de valores "artificial" a lógica de funcionamento do centro, que é uma lógica paraestatal e, portanto, contra a socialidade.

Thursday, July 12, 2012

Jogos de verdade

Como escreveu Lévi-Bruhl em algum lugar: "L'ignorance s'ignore elle-même". Ademais: "A vida...é como um festival, assim como alguns vêm ao festival para competir, e alguns para exercer os seus negócios, mas os melhores vêm como espectadores [theatai]; assim também na vida os homens servis saem à caça de fama [doxa] ou do lucro, e os filósofos à caça da verdade" (Atribuída por Diógenes Laércio esta parábola a Pitágoras apud Arendt). No mesma direção: "é preciso escolher pagar pela verdade um preço mais elevado, em troca de um lucro menor de distinção" (Bourdieu). Quantos jogos de verdade nos são compossíveis para sairmos dessa invisibilidade absoluta em que nos colocaram?

Análise de concepções rivais no espaço social

Concepções rivais, em situação de rivalidade, convidam a usos estratégicos da linguagem. A própria opinião pública é um exemplo claro de como a fonte de legitimidade está literalmente em jogo, devido ao caráter disjuntivo que há no ato de jogar, diferentemente dos rituais, onde atos conjuntivos parecem se sobressair. Com quais vocabulários, léxicos, essas rivalidades se realizam? O uso da palavra, lembrando que a palavra está imersa na situação da disputa, nos permite falar de uma significação disputada. Espaços públicos emergem nesses processos de espacialização da disputa pela opinião, ou em torno da opinião, o que faz do público não um atributo de um sujeito, mas um atributo de relação que gera a própria noção de que o espaço social é um espaço entre outros. Ainda não estamos a falar da esfera pública, e eu, pessoalmente, não tenho muito interesse nessa tematização. Prefiro concentrar meus esforços na elaboração de modelizações das micro-constituições de espaços públicos. Até mesmo dando também preferência para os micro-espaços, onde a relação entre dimensão concreta e dimensão abstrata das conexões e relações sociais podem ser observadas detalhadamente. Claro que é possível situar o estudo de um mundo social específico, bem localizável, em um processo mais amplo de formação de espaços sociais, como os espaços nacionais e transnacionais. Este esforço de contextualização está em função da força de contexto como instrumento analítico, a fim de situar os marcos do sistema de delimitação, diante da profusão infinita do real, que irá por sua vez atuar heuristicamente como mapa ordenador do próprio esforço realizado pela força de contexto da pesquisa.

Simbolismos de poder

Quais são as modalidades de exercício ordinário do poder com as quais se conectam as formas ostentatórias (ostentação, ritualização, cerimonialismo, etc) de certo excesso de sentido que se produz pelo trabalho da forma? Como as modalidades ordinárias podem nos fazer pensar (a ver algo como algo) a respeito da natureza desse simbolismo ostentatório e vice-versa? Estou lembrando de um texto pouco debatido até de Clifford Geertz: Centros, reis e carisma, além de Negara, é claro. Vou dar uma olhada de novo.

Álcool e drogas

Muito interessante este trecho de reflexão de Gregory Bateson a respeito das distorções provocadas em nós pelo uso de álcool ou drogas: "Intoxication by alcohol or drugs may help us to see a distorted world, and these distortions may be fascinating in that we recognize the distortions as ours".

Anotações sobre anotações na aula do Diatahy em 3 de abril de 2008.

No dia 3 de abril de 2008, Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes começou a aula com uma preleção fílmica, lembrando-nos das relações entre o Farenheit 345, 1984, Admirável mundo novo e Colossus 90. Revendo minhas notas de aula, me veio à lembrança que eu fiquei curiosíssimo para saber o que diabo seria Colossus 90, mas não queria interromper a fala do meu professor e deixei passar adiante com dúvida mesmo. Aliás, eu ainda não tinha assistido Farenheit 345 na íntegra, o que o fiz com grande prazer na semana seguinte a da aula. Enquanto Diatahy desenrolava indícios para nós para aquilo que gostaria de nos fazer ver, fiquei remoendo a seguinte questão: "Diante do excesso de códigos, como reconhecer a verdade da experiência humana?". Essa anotação revelava várias coisas. Primeiro, que eu tinha acabado de ler Michel Serres, Os cinco sentidos, e os meus estavam justamente enebriado por essa inquietante experiência. Segundo, que eu já estava na lida com essa questão do conceito de experiência. Muito por influência do Marcio Goldman, com quem eu tinha feito Teoria Antropológica I e vinha deslindando vários textos sobre a relação entre experiência e alteridade. Enquanto eu pensava na questão, Diatahy começou a falar de Merleau-Ponty e de Baudrillard. Discorrer sobre sistemas de objetos. Então, pimba! escrevi outra pergunta: "Onde está a experiência?". Foi quando o professor começou a contar de uma experiência que o filho do Portinari, que é físico e matemático, tinha feito na PUC. Ele havia escaneado um quadro do pai, gerando uma massa de informação digitalizada considerável. Parece que isso está em um documentário sobre Portinari que o Diatahy indicou em sala de aula. A relação estava portanto posta, ou melhor, explicitada: fluxos sensíveis, experiências e linguagens/traduções. A semiótica, a retórica e a filosofia da linguagem. E foi daí que comecei a me questionar mais a fundo sobre a relação entre o conceito de discurso e o conceito de experiência. 1960 - Althusser, Gramsci, Lévi-Strauss e o retorno de Bachelard. Máquinas e palavras. 1) AFETOS - nosso material. o que torna esse material narrável? Arte/Literatura/Psicologia Social/Psicanálise Mobilização das energias criativas da comunidade [catedrais góticas] Modelo do texto Linguagem e construção social da realidade social. Diferenças entre: Inteligência operatória e Horizonte mental. Ver o Pensamento selvagem. Linguagem como instrumento e linguagem como construção do real. a] função da estrutura (arquitetura). b] execução da estrutura (engenharia). c] investimento da estrutura (economia). d] ambiente de experiências (pedagogia). e] reprodução social (sociologia). [ESCOLA] Lógica medieval (objeto material e objeto formal). Ponto de vista, ângulo e mudanças de linguagens. Final da aula

Wednesday, July 11, 2012

Imagine ela

Imagina ela. Imagem nela. Imaginou? Opus barra ponto três, exercício nº 357/1949 [fortuitamente]. Para quem vai fazer tese: a prancha noventa e três, na prateleira 87, irá ajudar no processo de identificação, uma vez que sem o reconhecimento dos signos, não há signos. Isso não quer dizer que tudo se trata no propósito do reconhecimento e da negação, ok? Nem mesmo a fenomenologia do espírito poderia nos desorientar neste ponto, pois a tradução em português do alemão... [...} Alemão, o quê?...Sim, no sentido euroasiático, querido! N'est-ce pas? Chucrutizinho de deus, de meus deus todo poderoso, depois da coisa, a gente conversa, tá?;;; Voltando entonces ao ponto a partir do qual havia narrativa no nosso amor, no nosso lindo e caloroso encontro, poderíamos, na tragada mortal dessa malícia que não nos quer largar a mão como a maresia não larga a areia na parafina de uma prancha no Titan, se liga?, então...é como si, como se, como si..la viande aurait mentit. sem nem se isso é possível, mas as vírgula,s , essas jamais ficarei a devê-las, a espargilas, espargir, c'est comme ça?, espargir, epargaint lamour detre voté a la fois com si...pardon. Enquanto digitava essa parte, estava a me servir de uma dose de cachaça. [pense num bicho mentiroso! ele está a beber black label com água de coco e fica com essa história da cachaça apenas para impressionar não sei quem}, mas passemos adiante levantando a seguinte estória, se é que há história nessa semântica subalternamente americanizada na qual tento me esconder. enfim... Falar dele, sem que ele pudesse falar, por métier, causa-me profunda vontade de auto-anulação. Nem quereria me imaginar sem ele? Não!...Deixe de mentira! Não se trata de entregar todos os pontos assim de antemão. A barafúndia é perfeita. Como uma onda. Como um tubo no Titanzinho. De pé? Jamais! Jamé. Não sereis já mais como o rapaz que fede enquanto espanta por um segundo sua pobreza demente? Havia poetas realmente, na real, na mente, a viver de achocalatado? Sem nenhuma cachaça a corroer seus cérebros? Miríades possíveis quando se foge de casa, nem que seja para cagar, carregando com a mão direita o saquinho indefectível...sabe, o saquinho?...a fim de fazer o serviço completo funcionar. {...} pena pode ser de galinha, pode ser de fourcuzão! Pena de quem? Do pó? Do Poe? Os delitos e as penas! - pay per view2. Isso mesmo! dois, o um foi suprimido por falta de pagagmento (valha) ia dizer pa-gamento, afe! parece que estou andando no padre cícero da zé de alencar, no becão longo e comprimido, sem nenhuma ramificação que nos valha, mas isso é outra história, do tempo que morei lá naquele prédio vizinho ao teatro, e olhe lá que eu morava com uma atriz. louca! lôcôna. loucãozona! bicha doida que só se virava no pó de mármore, corroendo as pilastras do teatro latrino americano. Repetindo, para que vocês, os desavisados, os que beberam demais da conta, possam acompanhar. Havia poetas, ok? Havia cachaça, ok? Havia miríades possíveis, ok? Quando se fugia para cagar, carregando com a mão o saquinho indefectível, a fim de fazer o serviço completo funcionar...Qual serviço? O das luzes da ribalta, se liga? Ela o havia alcançado. Ela o havia realizado num sentido completo. Se o dormir não fosse tão inseguro e impróprio, esse dormir nos braços dela, num quarto alugado por hora nas vias de fato do zé de alencar, bem pertinho, subindo do primeiro para o segundo andar pela escadaria de pedra fria, acompanhando o chão, e nós, o homi e a muié, nós dois subindo como se não houvesse álcool em Alagoas, em Pernambuco, na Bahia, e em todo o resto, pois apenas em Teresina do Piauí havia de estar nessa parada, mesmo depois dos comerciantes terem sido produndamente lesados pelos vagabundos locais com quem fazia, inadvertidamente, negócios em torno da embriaguez alheia. Mas ela havia alcançado o segundo andar. Havia sim. Gração aos céus. Nem saberia imaginar como o sexo iria se realizar naquelas circunstâncias esdrúxulas, inaparentes, e inviáveis. Teria sido muito melhor ir prum cabaré na beira da praça para dormir em cima da mesa aos cuidados de Dona Maria, ou então pegar um táxi para o aeroporto indo encontrar em Botafogo, cidade do Rio de Janeiro, minha última herança, minha última memória. E assim se foi...Ela havia finalmente me alcançado.

Tuesday, July 10, 2012

O retorno inaugura o sujeito? Que balela, Butler!

passei horrores antes de voltar a escrever neste espaço vazio. tempos interessantes, como dizem os chineses, são tempos de guerra. nem por isso tive minha sanidade transida. a insânia permanece, qualquer coisa de indefectível nesse avatar de louco varrido. mas já é chegada a hora. um milenarismo de antanho tomou conta de mim, agora que sou criador de pássaros silvestres, um tanto incompetente, uma vez que não me obedecem os desgraçados. aninham-se no conforto do meu jardim para me abandonar em seguida sem nenhuma comiseração. uns pulhas, esses passarinhos da rua.