Tuesday, May 26, 2009

a flor da pele

ser a flor da pele sempre foi ao mesmo tempo minha glória e minha perdição. mas ela preferia a idéia da glória e assim eu me fiz carne para atendê-la. não havia como fazer isso de modo imediato. tinha de fato horror à imediaticidade das relações. se é para ser imediato, eu fujo. torno-me assim o imediato mais autêntico. todavia, não poderia negar. quando ela me conheceu, eu estava em ruínas. era um eu arruinado, atribulado, quase malfeitor. duas décadas foram perdidas em 20 dias de aflição pelos quais os ofendidos se feriam, e os humilhados se retiravam. o meu melhor seria você, mas as bandeiras ainda estavam desfraldadas e a atenção moída pelo corropio do desejo cortado pela pedrada do orgulho. quem poderia imaginar-se em situação tão deplorável? a imaginação sofria de arritimia e o coração batia certo, sem falhas, portanto de modo artificial. eu era quase como o andróide do filme. você apaixonada por mim, inflava-se de seu próprio desejo, e assim tornava-me um competidor descartado, atrasado, incapaz de levar a frente a possibilidade da conquista. apenas quando você parava de se lamber, de escrevinhar tuas próprias falas em teu corpo, eu me via com a chance de crescer e arrebatar-te para toda a vida. Enquanto eu me virava para melhor fitá-la sem derramamento de lágrimas, ela retrucou: "seria ainda capaz de saltar e fazer as curvas com os toques de um sabio olho verde que curva-se ao desejo e curva da melhor maneira as palmas do desejo imaginativo acossado", então, eu me calei e a abracei profundamente.

Wednesday, May 13, 2009

é mesmo?

pelas beiradas, vamos escrevendo o real.

Ilhas Cayman

o que é perigoso na vida? as ilhas cayman com certeza o são. nem sei se é assim que se escreve. eu apenas identifiquei, enquanto escutava Francisco Buarque, que existem pessoas que assim se identificam. fiquei curioso de não saber se a distância é pequena a esse entorno. as escolhas são as melhores, pois são nossas. não há necessidade de dúvida nesse processo. Sacas?

Saturday, May 02, 2009

escrevendo tese

o céu desabou em fortaleza, lavou das esquinas os olhares circunspectos, pilhou das casas a desfaçatez com que se guarda banha em pó, limpou o olhar de quem vê de trás para frente. em comemoração ao torrencial a que não me opus por mérito de ser sensível aos limites do organismo humano diante das vontades de uma senhora e sua filha irascível, causei em minha pele um quê de memória escorregadia do tempo em que morava no barracão de meu pai, sem telhado, nem fissura que me aquecesse os ossos. foi assim, conquanto, que tive coragem, levantei-me e assolei duas torradas desengasgadas com suco de maracujá. escutando algo In a Landscape, livrei-me de Cage, em fuga e no café da manhã comi desejo como devir com manteiga e pimenta vermelha. quem poderia me sustentar nesse afã de escrita? nem idéia faço de mais não querer adiar a tarefa. passo a ela o turbilhão. deixo aos meus, o aviso.