Friday, June 12, 2015

Os sentidos do público, o senso do público.

Situação 1: O estudante envia email, solicitando um horário de atendimento com o professor, um estudante de outro curso da universidade que não é o curso onde o professor atua, o que é muito relevante para o professor, afinal, poder contribuir para a formação do educando é a missão. O professor então responde ao email, faz o agendamento, pactua dia, hora e lugar, prepara-se, levando as informações requeridas para oferecer ao aluno(a), comparece no dia e horário marcado, pontualmente, e o aluno(a) que solicitou o atendimento não aparece, o professor fica as duas horas que haviam sido reservadas para o atendimento, lendo, estudando, corrigindo provas, respondendo outros emails. Uma situação muito comum. Situação 2: Uma equipe de estudantes faz solicitação para o professor comparecer numa atividade acadêmica de formação, o professor aceita o convite, a equipe de pré-produção da atividade diz que irá entrar em contato para confirmar os detalhes da atividade, o professor fica aguardando o contato, não agenda nenhuma banca, nem um outro atendimento, deixa o dia e horário reservado, como lhe foi solicitado, a equipe de estudantes desaparece, não entra mais em contato com o professor, e a tarde inteira que o professor tinha reservado para colaborar com a atividade de formação é transformada em revisão de trabalhos, correção de provas, leituras de teses, dissertações e monografias. Situação 3: Um estudante solicita fazer uma entrevista com o professor para um produto acadêmico da instituição que faz parte do seu processo de formação, o professor faz o agendamento, combina lugar, horário e dia, e fica esperando uma hora e o estudante não comparece para realizar a atividade e nem entra mais em contato. O professor fica uma hora lendo, enquanto espera. Poderia relatar várias outras situações, e as situações relatadas acima são recorrentes, todavia, gostaria de chamar a atenção para uma questão. Os sentidos do público estão aí sendo confrontados. O público como terra de ninguém. Será que esquecem que a universidade pública é um investimento coletivo? Será que esquecem que a hora/atividade do professor varia entre 65 reais e 400 reais, a depender do nível de complexidade do atendimento? Será que as pessoas acham que o gratuito sai de graça? Que o gratuito não possui custos? Além de outras questões sobre as quais não irei me alongar.