Monday, May 29, 2006
Saudades de minarete
Como traçar divisões entre o que é externo a uma pessoa e aquilo que lhe parece mais íntimo, mais inviolável, sua interioridade mesma? Seria possível pensar a dignidade da pessoa nessa incúria do pensamento? Onde estaria o desmazelo da sentença? Talvez, a chave não seja psicológica. Muito menos ainda ligada à boçalidade de termos como heteronomia, entropia e sinergia. A questão é menos própria do que de certo se imagina. A perspectiva de um dentro em oposição, diria em quase contenda litigiosa, com um fora parece ser o princípio de ação das forças do estatismo. Ações de recorte das multiplicidades. Superposição de códigos. A externalidade e a internalidade super-representam e nada mais? Que saudade da minarete!
Marajoara?
Não era a primeira vez. Caminhava como se fosse mestre de si. Atravessou o corredor em segundos. Quase não sobressaía nenhum intervalo, não fossem duas ou três palavras de reconhecimento com Brink. Desatados os nós, havia alguns desde o último encontro, devido a uma tentativa de erro que, posteriormente, confirmou-se apenas algo fortuito, acidental. A marca ainda estava lá a incomodar, como mancha a provar o mal-entendido. Mas, enfim, de mal-entendido nada se podia esperar a mais da condição, n'est-ce pas? - perguntou a Brink a fim de desfazer qualquer mal-estar. Era um olhar propiciatório que lhe lançava. Não podia ser diferente, eles estavam como o barbeiro e K. na aldeia do castelo. Afinal, não era a primeira vez que Brink lhe tocaria a alma.
Friday, May 26, 2006
so I walk a little too fast
Ela era a estética! Um artigo singular, definido e, devidamente, aspeado de mulher lhe acompanhava. Só não ousei aspear realmente para minimizar o risco de continuar sendo deselegante. Portanto, antes de me acusarem de vadiagem, repito, até para esconder a falta de fôlego, ela não era o artigo. Só se eu estivesse completamente louco e no pior sentido de desbaratado, tresloucado, ou alinenado para acabar em confundir o universo das relações com as pontuações vulgares do texto que foge, escorre, esconde-se e, ligeiro, parece recolher-se a lugar nenhum. Tudo o mais continuaria pura injúria. Se o autor fosse menos tímido, bastaria-lhe tascar o que precisava ser escrito: sua estética move-se ao frêmito do seu corpo! Inescrutável e sombreada apenas aos olhos da noite!
Onde foram parar as palavras, moça?
Um meneio de cabeça e pronto! As palavras esparramaram-se! Precisavam mesmo de alongamento caprichado, como se estivessem encurtadas, comprimidas e estagnadas pela falta de exercício, ou melhor, de atividade física. Passaram tanto tempo enfurnadas que, ao livrarem-se do refúgio, descobriram logo de cair nos braços dela. No início meio tímidas, depois aos borbotões. Todas competiam entre si. Queriam se esticar da melhor maneira possível. Exigências de primeira idade, portanto pouco precisas. O mais significativo era pular no cólo da moça, se significativo lhes fosse algo facultativo. Ir ao encontro dela, da pele mais suave, da tez da moça, do cheiro da moça; o calor remoça! E assim, a intervalos cada vez mais esparsos e irregulares, iam descobrindo o prazer da raridade. Do pular de quando em vez. A moça era linda! Como era saudável cair-lhe bem!
Sunday, May 21, 2006
Para Dreide
era uma vez uma praia. o mar nos olhos. o coração na pele. estado de espírito tocado pela leveza do vento. e o olhar guardando o outro olhar. cuidando do olhar do outro. miríades preciosas. com vontade e igualdade de querer. sem hierarquias. sem vontade de poder. só vontade de querer o bem. de querer o querer bem. nessa virtude, firmavam-se a ventura da delicadeza e da liberdade, capazes de impulsionar, com desembaraço, o viver aventuroso, amoroso e ético, tendo a estética das areias e o tempo das marés como aliados. Pé no chão sendo massageado. Sol na pele sendo agraciada.
Wednesday, May 17, 2006
Tuesday, May 16, 2006
mães sem sexo
caminhavam. movimentavam a estrutura do ambiente. as forças e os impactos convulsionavam-se. diferença não era label. sem etiquetas! nada de especial merecia mais palavra do que o ato de dizer. na pele cabem todos os amores? pouco importava! o que os movimentava era bem mais bem feito. várias linhagens. corpos misturados. ardor de mães.
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