Friday, September 11, 2015
Um tema delicado
Quando eu era estudante de ciências sociais, meu orientador convidada a gente para ir atuar no trabalho de campo dele, como assistentes de pesquisa. Eu aceitava na hora, sem titubear. Foi assim que aprendi com alguém muito experiente como fazer uso, na prática, de técnicas de investigação, adquirindo habilidades e competências que garantiram as bases da minha formação profissional até hoje. Ele me ensinou a fazer grupos focais e grupos de discussão. Ao longo da minha trajetória profissional, já recebi vários convites para consultorias de pesquisa onde o uso dessas habilidades foi decisivo para ser convidado para um trabalho remunerado. Se meu orientador não estivesse numa universidade pública, ele teria que ter cobrado 2.500 de mim, no mínimo, para me ensinar com exclusividade e em tempo real de uso a técnica citada. Moral da história: você, estudante, quando convidado para participar de uma ação de pesquisa no ambiente de aprendizagem da universidade, poderia pensar menos como se fosse um "profissional já formado com alta cotação de mercado" e entender que há remuneração que não seja pelo uso do dinheiro, por favor. Quem não perceber que há remuneração na transmissão de capital humano nessas trocas, é melhor ir participar do Big Brother. Na universidade pública, somos remunerados para obter uma formação e isso demanda um alto investimento público. Nada é de graça. Bora parar com essa história de achar que acompanhar o professor numa atividade de pesquisa dele é ser explorado pelo professor. Nem sempre se trata de exploração, trata-se de formação, de transmissão de capital científico.
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