Saturday, September 12, 2015

Lembranças do dia 11

No dia 11 de setembro de 2001, estava às 7 horas da matina, caminhando pela Voluntários da Pátria, no Rio, em direção ao metrô. Morava ali na rua da Passagem. E ao passar pelo boteco onde à noite, na volta do trabalho, costumava tomar uma gelada, vejo uma pequena multidão amontoada defronte ao aparelho de TV. Espichei o pescoço e depois do que vi, aquelas infinitas imagens dos aviões atingindo em cheio o WTC, perplexo, fui trabalhar assim mesmo, mas chegando lá, ninguém estava trabalhando, todo mundo estava paralisado e de boca aberta, olhando uns para os outros em busca de algum lampejo de compreensão, talvez, em busca do aval de que a percepção coletiva do delírio real era algo verossímil, algo digno de atenção. O mais esdrúxulo foi que em meio a tudo isso, um colega norte-americano, que trabalhava com a gente, teve um ataque de histeria e começou a pular e a gritar ao mesmo tempo, misturando inglês com palavrões em português, dizendo: "yankees, tomaram no cu, fuck the yankees!". Ele era um radical de esquerda, exilado, perseguido pela CIA. Comemorava o ataque contra seu próprio país. Foi tão estranho. Mas tornou o quadro geral de perplexidade e silêncio numa cena surrealista. Tomara que ele não fique com raiva de mim ao ler esta postagem. É só um relato. Enfim, o mundo nunca mais foi o mesmo. Mas, afinal, nunca tinha sido o mesmo mesmo, né? Tant pire!

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