Monday, August 06, 2012

Uma reflexão sobre a segurança pública no Ceará.

Amigos e amigas, precisamos falar sobre o descalabro na segurança pública, se não, vejamos: Até quando nós iremos enquanto sociedade civil silenciar diante da terra de ninguém que toma conta das terras alencarinas quando o assunto é segurança pública, segurança cidadã, segurança humana? Ou não seria melhor fazermos o tema da segurança ser precedido pelos temas da liberdade, da justiça e da igualdade? As evidências apontam para a falência do campo governamental cearense diante dos desafios do controle social democrático da segurança pública, da criminalidade e da violência no Estado do Ceará: tempo presente, tempos sombrios, tempos para pensarmos juntos sobre nosso destino social histórico enquanto coletividade de direitos e deveres. O Ceará voltará a funcionar apenas como faroeste, sem contraponto do esforço coletivo da administração democrática dos conflitos gerados por tantas desigualdades de poder, de oportunidades e de capital que estão sendo reinscritas pelas políticas de governo sob a retórica vazia do "progresso"? Tempos de pistolagem, de jagunços, de "bandidos de farda", como dizem os muitos policiais honestos, a maioria trabalhadora da segurança pública, que também sofre com esse descalabro de direção, com condições de vida e trabalho embrutecedoras, irão grassar novamente entre nós, saindo das sombras produzidas por discursos falaciosos? E, infelizmente, o Estado do Ceará parece estar mergulhando, ainda mais, na militarização da segurança pública, na falência de projetos de governo para a área de segurança cidadã, rompendo com desejos coletivos por democracia e respeito aos direitos humanos. As bases de trabalhadores e trabalhadoras da segurança pública no Ceará detêm hoje os recursos de inteligência humana e social, uma vez que alertaram para toda a sociedade sobre a necessidade de uma só polícia, eminentemente civil, fardada, mas civil, com profissionais bem pagos e, principalmente, bem formados para o exercício do policiamento a favor da sociedade, superando os antigos e obsoletos parâmetros de policiamento repressivo, militarizado, em defesa do Estado, das razões de Estado que as mentes e os corações da sociedade civil e da paz civil desconhecem. A tecnocracia policialesca da abordagem gerencial autoritária, centrada em resultados ilusórios, em pirotecnias, com baixíssima confiabilidade na informação produzida e divulgada pelo governo, ao se tornar eixo de definição de "política pública" lança qualquer discurso sobre o "processo civilizatório" num fundo e obscuro abismo. Como legar às novas gerações um espaço social pacífico que seja resultado não da repressão total, da paz sem voz, que é a falsa paz das soluções autoritárias do Estado policial? Práticas de extermínio, de aniquilamento do outro, de tortura e de muita violência institucional, baseando no sistema do medo, da delação e da vigilância total e irrestrita de toda e qualquer prática considera "suspeita", direitos e liberdades individuais suprimidos na prática, explosão da criminalidade violenta, acúmulo de homicídios não investigados e não resolvidos, impunidade, atuação de grupos de extermínio, pistolagem com participação de agentes do Estado, beneficiando grupos empresariais legais e ilegais, enfim, a história da violência cearense, com a elevação de taxas de criminalidade de todos os tipos, com o mascaramento dessas mesmas estatísticas pelos interesses "reservados", "secretos", de governo, a tomada do poder policial pelo poder militar, sim, infelizmente, são tempos sombrios, tempos onde todos e todas precisamos aprender a nos proteger. A sociedade cearense precisa, em momento delicado de sua história, tentar mais uma vez construir políticas afirmativas de paz sem desigualdade, de segurança humana com liberdade, de construção de um espaço social democrático, justo e livre. Valores e ideais que não são fáceis de serem concretizados, mas sem os quais, sem as interpelações e desafios por eles gerados, não nos tornaremos dignos historicamente com a transformação da nossa própria história. A imensidão do desafio não é capaz de amedrontar o espírito sertanejo que orienta a busca por paz, civilidade, honestidade, democracia, legalidade, direitos humanos, igualdade, bem viver e respeito mútuo do povo cearense. Ceará Terra da Luz. Terra abolicionista diante da qual nenhuma escravidão perdurará. Saudações libertárias!

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