Monday, August 27, 2012

As pequenas mãos em assistência ao trabalho de dominação

Historicamente, certas frações e segmentos das camadas médias usaram os períodos eleitorais como forma ou de compensar perdas financeiras, patrimoniais e inflacionárias ou de obter ganhos financeiros e patrimoniais. Além da luta por obter prestígio, de um ponto de vista estritamente econômico e financeiro, o "apoio", o "voto", a "militância" foram tratados como mercadorias políticas em troca de favores e de recursos de diversos tipos. Trocando em miúdos: período eleitoral para esses setores de classe média sobre os quais estou me detendo aqui significou possibilidades de ganhos simbólicos de poder e prestígio e também materiais, que podem ser evidenciados pelo "carro novo", pela quitação ou aquisição de novos imóveis, viagens para o exterior, ou seja, ganhos financeiros e patrimoniais alavancados pelo "trabalho" realizado em troca de alta remuneração para campanhas milionárias, sem falar nos cargos, consultorias, assessorias, projetos e outros mecanismos remuneratórios que são obtidos no pós-eleição pela ocupação da máquina de gestão pública. Em Fortaleza, por exemplo, "trabalhar" para as campanhas milionárias é um modo muito rápido para a realização de poder aquisitivo e patrimonial imediato. Cálculos tímidos podem ser feitos. Um quadro técnico com alto nível de escolaridade, um quadro de colarinho branco, pode abocanhar de 6 mil até 20 mil por mês, líquido, dependendo do nível de comprometimento. Em três meses de campanha, é possível juntar um patrimônio líquido de 60 mil (um carro novo), se o sujeito for tímido, se não for arrojado, pois sendo arrojado essas somas saltam a patamares inefáveis. Uma das tarefas destas pequenas mãos de classe média de colarinho branco é o de aliciar outras pequenas mãos da mesma classe para aderir ao trabalho de dominação em prol de campanhas milionárias, envernizadas com discursos ideológicos das velhas e novas esquerdas paradoxalmente "neoliberais do neodesenvolvimentismo", que colegas cientistas políticos me perdoem o arrazoado neste sentido. Em nome do "progresso", todo tipo de negociata, muitas vezes envolvendo atos espúrios, se realiza sob os auspícios da plutocracia que se apoderou da vida política no país, despolitizando-a. Quando colegas começam a comentar no dia a dia o tipo de proposta que estão recebendo para trabalhar nas campanhas milionárias, e como são tentadoras, e como são cínicos na malversação da moral pública os outros colegas aliciadores, vamos percebendo que a tentativa de fazer da política uma máquina de investimentos de dinheiro, de sucesso e de poder tornou-se um estilo de vida para muitos projetos individuais de ascensão social. Colegas formadores de opinião e eleitores de voto múltiplo, se estiverem se sentindo excluídos, adotam estratégias discursivas de forte oposição às gestões e assim logo começam a aparecer propostas de captura. O famoso cala a boca, que pode vir na forma de cargos, consultorias, assessorias, projetos, etc, como já disse acima. De um dia para a noite, colegas que estavam a vituperar contra os governos passam ao silêncio omisso ou ao elogio bajulador. A transformação é rápida, e todos notam o impacto que dinheiro no bolso, que liquidez na conta corrente, mas, principalmente, a imitação do estilo de vida dos endinheirados traz para os vendilhões do templo que são as pequenas mãos que se engajam no jogo sujo do período eleitoral. Mas não nos deixemos ficar pessimistas, pois nada é impossível de mudar! Outro mundo é possível. Apenas precisamos estar do lado certo nesse campo de luta que é o lado da democracia real, a vidas social libertária e igualitária que almejamos e desejamos, contra a podridão do que aí está a transformar a cidade em mercadoria, atuando como mercadoria no mercado do trabalho de dominação, que desejam o desejo da morte, através das valorações vazias e neuróticas em torno do dinheiro e de suas fantasias. As militâncias reais são compostas por nossos desejos de liberdade. E desejos de liberdade produzem o real estado da luta que abraçamos. Somos muitos/as. Sejamos mais, nos multipliquemos. Quem é de bem, quem é de luta, quem é da base, escolhe o lado certo. Vamos que vamos.

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