Monday, August 27, 2012

Sobre greves nas Universidades Federais: uma reflexão pessoal.

Queridos/as amigas e amigos, Quando eu trabalhava no setor privado (faculdades privadas), a maior alegria era o lugar de relação humana que conseguíamos gerar com estudantes em sala de aula. Vivi experiências maravilhosas. Aprendi muito também sobre planejamento e gestão acadêmicos com colegas que estavam em posição de coordenação. Mas como no setor privado não há investimento em produção de conhecimento científico e as atividades extensionistas são sempre boicotadas pelos dirigentes com a finalidade de cortar custos, esses dois pontos faziam da experiência da sala de aula com alunos e alunas o ponto forte da realização profissional. Mas os livros, os artigos, os projetos de pesquisa, a dedicação à excelência acadêmica nas três dimensões que fazem o tripé do conceito de Universidade (pesquisa, ensino, extensão) só pude encontrar quando adentrei no universo das IFES. Apesar de no setor privado ganhar o dobro do que ganho hoje na UFC, e apesar de não cumprir mais apenas 40 horas semanais, uma vez que na UFC, apesar de ser DE com 40 horas, eu trabalho 60 horas, como a maioria de meus colegas, que usamos quase todos os sábados e domingos para produção acadêmica (os nossos currículos lattes são de consulta pública e evidenciam essa produtividade), ou seja, apesar dos pesares (do salário baixo, da carga horária superior, de sistema de avaliação, monitoramento e prestação de contas mais rigoroso, etc), é uma grande alegria poder fazer parte dos quadros de uma Universidade Federal. Forte motivo de orgulho e realização profissional. Orientar teses, dissertações e monografias, realizar pesquisas, publicar livros e artigos, participar de trocas acadêmicas internacionais, conviver com pessoas (estudantes e colegas) apaixonados pelo saber, enfim. Tudo muito interessante. Será que é por isso que estamos sendo punidos? Estamos sendo punidos por sermos altamente produtivos e também realizados no trabalho? Quando ouço por aí pessoas (e até estudantes nossos) falando que os professores são "preguiçosos", ou que não entendem da realidade real, etc. Fico me perguntando de onde estão tirando essas afirmações equivocadas e errôneas sobre nós, de onde estão sacando esses preconceitos e no interesse de quem. Sem ciência e tecnologia de ponta, sem formação altamente qualificada de recursos humanos que as graduações e pós-graduações das universidades federais oferecem, haveria como sonharmos com liberdade, desenvolvimento, soberania e um país justo e igualitário? Saudações acadêmicas! Post Scriptum: "O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006. “Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, diz o presidente do instituto, Marcio Pochmann (foto). “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”, acrescenta." Carta Maior - Economia.

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