Friday, July 13, 2012
Centros de poder
Espaços sociais são recortados por diversas formas e múltiplos processos de investimento sociocultural. As hierarquias, ou melhor, os processos de hierarquização produzem espaços sociais cujo sistema de delimitação instaura divisões, distinções, distanciamentos e operações de separação de toda natureza. Para isso, os pontos de referência que são mobilizados num verdadeiro processo de construção de referenciação giram em torno de um trabalho de enquadramento da memória social (Pollak) pelos centros, os lugares de fala enquanto lugares de instauração de domínio (Barthes) e os lugares de poder, enquanto lugares de posicionamento do sujeito da fala autorizada (Bourdieu), o lugar do sujeito, enfim, que pelo tudo indica na leitura que Deleuze faz dessa questão em Foucault trata-se de uma função derivada. A expansão e a difusão de modelos de centros realiza no espaço social interno, no meio interno, no dentro, um tipo de colonização para dentro do espaço social (Virilio). O centro de poder enquanto centro de poder irradiador opera com seus agentes sociais concretos, com seus complexos institucionais, com a fluidificação do sistema de valor concorrente e a coisificação de escalas hegemônicas de valor e tudo aquilo que afeta a questão do exercício do poder simbólico, para usar essa expressão um tanto já gasta, mas que se retomada em sentido não puramente teórico, mas como ferramenta, ainda nos serve na pesquisa, para observar como que o centro não existe antes de ser reconhecido, daí os signos de autoridade, os signos de poder, os signos de centralização, por que não dizermos assim, que vão apontando para o olhar heteróclito a heteronomia do centro e a perda da autonomia de si enquanto centro das relações sociais. São as questões da dominação, da autoridade e da construção do território que parecem se sobrepor umas às outras nesse jogo de verdade e nesse jogo de linguagem que busca obter pela unificação de uma comunidade de valores "artificial" a lógica de funcionamento do centro, que é uma lógica paraestatal e, portanto, contra a socialidade.
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