Thursday, July 12, 2012
Análise de concepções rivais no espaço social
Concepções rivais, em situação de rivalidade, convidam a usos estratégicos da linguagem. A própria opinião pública é um exemplo claro de como a fonte de legitimidade está literalmente em jogo, devido ao caráter disjuntivo que há no ato de jogar, diferentemente dos rituais, onde atos conjuntivos parecem se sobressair. Com quais vocabulários, léxicos, essas rivalidades se realizam? O uso da palavra, lembrando que a palavra está imersa na situação da disputa, nos permite falar de uma significação disputada. Espaços públicos emergem nesses processos de espacialização da disputa pela opinião, ou em torno da opinião, o que faz do público não um atributo de um sujeito, mas um atributo de relação que gera a própria noção de que o espaço social é um espaço entre outros. Ainda não estamos a falar da esfera pública, e eu, pessoalmente, não tenho muito interesse nessa tematização. Prefiro concentrar meus esforços na elaboração de modelizações das micro-constituições de espaços públicos. Até mesmo dando também preferência para os micro-espaços, onde a relação entre dimensão concreta e dimensão abstrata das conexões e relações sociais podem ser observadas detalhadamente. Claro que é possível situar o estudo de um mundo social específico, bem localizável, em um processo mais amplo de formação de espaços sociais, como os espaços nacionais e transnacionais. Este esforço de contextualização está em função da força de contexto como instrumento analítico, a fim de situar os marcos do sistema de delimitação, diante da profusão infinita do real, que irá por sua vez atuar heuristicamente como mapa ordenador do próprio esforço realizado pela força de contexto da pesquisa.
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