Saturday, March 08, 2014

Nem que eu fure meus olhos!

A última coisa que eu quero na vida, e não estou dizendo que sou capaz de escapar dessa coisa que abomino, como o grande herói, é fazer parte daquela maioria que parece "gente satisfeita consigo mesma", como dizia Edgar Allan Poe. Posso não escapar, afinal ninguém escapa, mas brigar para escapar já é alguma coisa diante de quem não luta, não recusa, não grita, não esperneia por estar sendo posto na prisão sem muros da selva social. Nem que eu fure os meus olhos e fique louco, cego e surdo, deixarei de fazer o boicote autodestrutivo consciente de não pertencer à classe de indivíduos dessa "gente satisfeita consigo mesma". A crença na satisfação consigo próprio, além de arrogante, é a expressão de si como mercadoria, pois tudo o que diz respeito ao plano da satisfação ou da não satisfação implica a condição alienante do não-sujeito enquanto consumidor de mercadorias: uma mercadoria consumidora de outras mercadorias. Sejamos incompletos, ou seja, sejamos plenos. A incompletude e plenitude são a salvação da alma pela espiritualidade. Ninguém precisa de igreja para isso. Igreja é a negação da espiritualidade, está em função da mercantilização da crença na moral para a realização de vinganças e invejas.

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