Saturday, March 08, 2014
Dando voltas (17 de novembro de 2013)
Fizesse sol ou chuva, muito ou pouco frio, um homem estava sempre a dar voltas, caminhando em torno das muralhas da cidade. Ele não respondia a nenhum aceno, a nenhum cumprimento. Andava completamente absorto em si mesmo. Um louco? Um desocupado? Alguém exercitando o corpo? Não, o homem "simplesmente" estava caminhando em torno da cidade, passando mentalmente a estrutura de uma sinfonia para atingir sua forma perfeita, ficava corrigindo mentalmente a estrutura sinfônica, e após ter mentalmente o modelo perfeito da sinfonia, ele a colocava no papel, começava a escrevê-la no papel apenas de enorme esforço mental. O homem era Beethoven. (Walter Benjamin reconta esta história que ele leu no Grande Dicionário Universal, de Larousse). A conclusão a que Benjamin quer nos levar é que nem sempre quem parece não estar ocupado está desocupado e que muitas vezes quem parece estar muito ocupado não está ocupado coisíssima nenhuma. As coisas são relativas.
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