Os sentimentos, as emoções e os pensamentos das pessoas nos são inacessíveis? Talvez, não! E se eles são constitutivos dos atos de linguagem e não da mente? Estou ultimamente interessado na questão da intimidade, na relação entre intimidade cultural e os processos de constituição dos sujeitos. A própria noção clássica de pessoa precisar girar nessa perspectiva. Não há como traduzir os outros sem o sentido dos outros, sem vibrar em torno do que os outros dizem, mostram, fazem, enfim, sem um questionamento sobre as fronteiras mágicas que instauram o território do eu, com seus limites sobre o dizível e o visível. Não estou interessado no comportamento dos indivíduos - esse objeto de conhecimento das ciências sociais - quero vislumbrar, para além também de uma sociologia da ação, o espectral do universo narrativo. A matriz narrativa das práticas segmentares?
Como as coisas são dadas a ver? Como as coisas são dadas a dizer? Como o ver, o dizer, o fazer e o agir dão-se a si mesmos o mundo a "quem" se dão como mundo? A noção de mundanidade guarda relação importante com a de intimidade. Em que passos largos, pode-se guardar o mundo da intimidade? Trata-se de uma mudança de projeto intelectual. Antes, até minha dissertação de mestrado, o que me preocupava era o espaço da ação. Mantinha um resguardo desconfiado em tomar nesse espaço a ação simbólica como medida de constituição do objeto de conhecimento em sua autonomia relativa frente ao funcionamento do mundo social. Aliás, essa dubiedade levou-me a adotar a velha solução do simbolismo, apenas trasmudada de uma versão substancialista para outra funcional. O símbolo está em função de...de si mesmo? de outro si? Estas são considerações para a retomada de um novo projeto de pesquisa, talvez centrado na idéia de uma hermenêutica do sujeito, quem sabe, para que eu possa voltar ao ponto de partida, Michel Foucault, acompanhado do pessoal da antropologia a quem me afeiçoei decisivamente.
Thursday, March 29, 2007
Monday, March 26, 2007
Mudo
O mundo dividido estrangula com júbilo infantil e profeciência perversa as forças do mundo vivido. Em que idéia de mundo, salva-se a vida? Em que experiência de mundo, inaugura-se o tempo e o espaço da redenção? Do meu vale de lágrimas, insisto na absolvição celeste pela arte, pela ciência e pela amizade, a melhor dizer, pela ordem superior das coisas, pela maestria da arte do pensar. Acordei noturno para a vida. E na sucessão dos dias, hão de escapar-me as forças recônditas da renovação, da recolta da alegria e do adágio maravilhoso? Escape ou apropriação? Adonde? Na feitura do porvir? No tecido das brilhantes formas? Em quem me escapo dos signos formais e vazios em que afogam-se alma e coração? Por mais lancinante que sejam as decisões, elas nos aproximam do abandono do eu pessoal, imprimindo-lhe o sabor solvente do mágico ardor em que se opõem o céu e a terra, a lida e a leitura amorosa dos astros e, finalmente, o trágico enlace entre sofrimento e alegria. Quem nos ensinam sobre a morte? A quem pagaremos por essa aprendizagem inconclusa? Quais são nossos rituais fúnebres? E o nosso incenso queima alhures? Londe de estar petrificado, encontro-me na mais ampla vertigem do signo que gira, gira e gira mais uma vez a fim de parar o mundo pela despedida do próprio signo. Signo capturado pelo código dual do mundo dividido.
Sunday, February 25, 2007
Convicções
As convicções são portentosas. Matreiras em adestrar a experiência aos seus caprichos, em moldá-la contra a razão. Por que então são tão irresistivelmente sedutoras? Minha adesão, por exemplo, ao mundo do trabalho é uma dessas loucuras em que o ser semelha perder o que ganha pelo fato de eximir-se do próprio território, estabelecendo relações ambivalentes e cambiantes com o território dos outros. Meu território é o da infância. Como Lévi-Strauss, tornei-me professor para não sair da escola. Ao final e ao cabo, sou um malandro orgulhoso e pago caríssimo por isso. Ao tentar fugir das humilhações ocasionais lançadas sobre o mundo da vida, desenvolvi a destreza impoluta de navegar na transversalidade do espaço conspurcado das corporações, espaço estrutural, funcional e corrompido pela perversidade do mediano. Meridianos perversos e risadas histriônicas. Ambos negadores do riso. E nessas mixórdias de caráter fragmentado, implodido em mil pedacinhos desencontrados, não me encontro e nem me procuro, pois não sou besta de nascença, só de parecença quando vem ao caso e ao raso do poço de onde almejo emergir. O que busco? Um tipo de economia de guerra às avessas: um tipo de plano auto-organizador onde a abundância orienta a procura, o valor do valor é movimento de conhecimento e o extraordinário é o principal vínculo de orientação para o fim em cuja afirmação enleva-se a gratuidade do devir.
Saturday, February 17, 2007
Manhã de sábado de carnaval
Naquela tarde de outubro, ao debruçar-me sobre o parapeito da trincheira, arma em punho, o espírito a atraiçoar-me, pude vislumbrar o deserto e nele não havia cor vivaz que o valesse. Faltava-lhe nitidez, era tudo verde-musgo de um escuro que feria a intenção de olhá-lo. Ato contínuo, apregueava meus olhos a não mais poder a fim de evitá-lo, recusá-lo e dissuadi-lo, não o queria em mim, não o permitia ser em mim a mais completa condição de abandono. Ao contrário, buscava acender para meu uso pessoal essas chamas de heroísmo e idiotice a que me aferrava por sobreviência da alma, buscava permanecer no desespero, aceso à ironia da situação, atento à vida mínima ao meu redor. Desesperado, a calmaria dos sentidos tornava-se minha única guarida contra a depressão e o desmembramente dos órgãos. Meu estratagem contra a exaustão. Olhos cerrados protegiam seu brilho, ou o que dele restava. Apenas o odor de pólvora naquele campo de ossadas e corpos insepultos guiava-me nesse direcionamento como os passarinhos que na praia saltitam de uma sombra a outra projetadas pelos guarda-sóis.
Para escapar da náusea dos corpos chamuscados, forçava-me à lembrança olfativa dos tempos de criança quando costumava em absoluto sigilo e segredo deliciar-me com a baforada quente dos boeiros da minha cidade natal. Todavia, lá estava eu, naquele espaço sem lugares, e ele era o ponto mais baixo, era o páramo afundado em tristeza e desesperança.
Nem percebi, quando Hen me passou o copo amassado. Praticamente, bochechei o café ralo, servia-me para lavar os fragmentos de atum enlatado já duplamente incrustado em meus dentes. Meu rosto estaria tão encruado quanto o de Hen? Ao fitá-lo não pude divisar reconhecimento, era um rosto de piscadelas involuntárias, inerme e virginizado de espírito, não percebi que Hen, sem palavras, instava-me a ter com ele no canto mais sujo daquele buraco de lama, não era bem um chamado, mas palavra-de-ordem rota e muda. Cansado como se o cansaço não mais me abandonasse, encolhi os ombros e dirigi-me com cuidado até ele. A um palmo dele e não o sentia, Hen tinha deixado de ser uma composição, o vivente o abandonava, estava frio, sem vitalidade, emplastrado de rejeição a si mesmo. Não sei ao certo como compreendi que ele necessitava de uma massagem nas mãos. Elas estavam obviamente petrificadas. Cada dedo precisava ser tocado com leveza para não ser despedaçado. Hen tinha perdido a habilidade do gatilho. Tinha-se tornado meu protegido e, ao mesmo tempo, meu escudo. Essa situação era-lhe a própria presença da consciência. Era o único farrapo que lhe restava dela. Uma trojevada de artilharia nos jogou de lado e anunciou o avanço da infantaria esquálida e faminta do exército inimigo. Estavam todos muito perigosos, enfim. Nós e eles. Os desaparecidos do mundo. Hen não esboçou nem mesmo olhos vidrados antes de morrer. Foi engolido pela terra, lançado para a cratera sob nossos pés, um buraco do tamanho da nossa importância. E eu? Fragmentei-me em minhas modulações, pois só a escrita imprecisa afungenta a mesmice desse teto de convalescença. Teto estrelado, radiante e lúdico, modulado pelo efeito da morfina. Uma dose diária.
Para escapar da náusea dos corpos chamuscados, forçava-me à lembrança olfativa dos tempos de criança quando costumava em absoluto sigilo e segredo deliciar-me com a baforada quente dos boeiros da minha cidade natal. Todavia, lá estava eu, naquele espaço sem lugares, e ele era o ponto mais baixo, era o páramo afundado em tristeza e desesperança.
Nem percebi, quando Hen me passou o copo amassado. Praticamente, bochechei o café ralo, servia-me para lavar os fragmentos de atum enlatado já duplamente incrustado em meus dentes. Meu rosto estaria tão encruado quanto o de Hen? Ao fitá-lo não pude divisar reconhecimento, era um rosto de piscadelas involuntárias, inerme e virginizado de espírito, não percebi que Hen, sem palavras, instava-me a ter com ele no canto mais sujo daquele buraco de lama, não era bem um chamado, mas palavra-de-ordem rota e muda. Cansado como se o cansaço não mais me abandonasse, encolhi os ombros e dirigi-me com cuidado até ele. A um palmo dele e não o sentia, Hen tinha deixado de ser uma composição, o vivente o abandonava, estava frio, sem vitalidade, emplastrado de rejeição a si mesmo. Não sei ao certo como compreendi que ele necessitava de uma massagem nas mãos. Elas estavam obviamente petrificadas. Cada dedo precisava ser tocado com leveza para não ser despedaçado. Hen tinha perdido a habilidade do gatilho. Tinha-se tornado meu protegido e, ao mesmo tempo, meu escudo. Essa situação era-lhe a própria presença da consciência. Era o único farrapo que lhe restava dela. Uma trojevada de artilharia nos jogou de lado e anunciou o avanço da infantaria esquálida e faminta do exército inimigo. Estavam todos muito perigosos, enfim. Nós e eles. Os desaparecidos do mundo. Hen não esboçou nem mesmo olhos vidrados antes de morrer. Foi engolido pela terra, lançado para a cratera sob nossos pés, um buraco do tamanho da nossa importância. E eu? Fragmentei-me em minhas modulações, pois só a escrita imprecisa afungenta a mesmice desse teto de convalescença. Teto estrelado, radiante e lúdico, modulado pelo efeito da morfina. Uma dose diária.
Tuesday, February 13, 2007
em sonho
era madrugada de quarta-feira. qualquer tentativa de permanecer acordada, parecia-lhe fadada à rabugice. sua maior dúvida era um ato de convencimento, mas ninguém convence ninguém, muito menos a si mesma, principalmente quando as idéias parecem despropositadas, sem trama; e a manhã era madrugada pernoitada, ora se sentia por isso uma pecadora, outra vez, impossibilitada, pois falhar com a trama é terrivelmente inconsistente, quase proibitivo. dizer para si mesma tudo o que sentia naquele momento seria o maior e melhor engodo; infeliz, constatava, não haver tempo para isso, a verdade urgia.
Saturday, February 10, 2007
O mundo está preenchido no pleno?
Eu intento, para além do tipo, pensar em viver o desejo abstraindo-lhe a definição de quem busca faltas próprias e inelutáveis. Estruturas inenarráveis simplesmente me impingem desconfiança, porque, palavra plena de pulmões e arteiro, ignoro quem não se torna carne, sangue e proeminência sem sair do solado dos pés. Pragmático, no mundo de aruanda, estou na peleja do pensar e viver o desejo privando-o daquilo que lhe falta.
Mais forte do que meu eu?
Se duas pessoas se comunicam, encontram-se enredadas no mais frágil dos fenômenos humanos. A comunicação quase sempre ressoa tão dispensável ao ponto de ter-se criado, ao longo do tempo, a ferramenta débil da consciência individual para servir-lhe de suporte. Desse modo, acontece comigo - a não mais poder-, ser reputado reservado e inconclusivo, e falsamente tomado pela referência da distância justamente no instante em que mais embaçado estão minhas lentes. Por que então quando estou mais próximo de quem me fura o olho com o punhal da desesperança, de quem pressurosamente me enaltece a fim de me matar de morte matada e para quem reservo meu destempero verbal como um modo de fazer reverberar o eco do eu te amo às avessas, é o como em que se eu estivesse mais longe?
Monday, February 05, 2007
Em que oriente, posso te encontrar, minha querida?
"Ela estava ali o tempo todo, você não viu.
Que diferença faria a cor da roupa ou dos olhos? Que importa se chorassem sangue ou lágrimas de tolo, como o ouro sem o fosco valioso, não polido, não extraído, tão puro e ignorante?
Ela estava lá toda noite, você não sentiu.
Que importam as mentiras e equívocos, a paixão e o amor de poesia, jornal na padaria. E quanto àquele dia? Alguma alegoria do não, já perdida e nenhuma alegria.
Ela estava ali o tempo todo e só por hoje não quer estar em lugar algum.
Ela não está mais aqui, nem está aí. Ela não quer mais estar.
Aonde terá ido alguém tão perdida em si? Isso importa?
E ela estava o tempo todo ali...
O que importa é que ela esteve o tempo todo ali
só que ninguém viu" (Papoula da Índia).
Minha querida amiga e poeta de desfiladeiro, nosso tempo é indelével. Só em sonho busco a tua mão, muito obrigado pelo texto, eu o adorei. Estás em Nova York? Compra um livrinho básico para seu amigo? Estou correndo atrás de uma pérola, mando-te mais detalhes por e-mail, por enquanto vou me virando pela terrinha, mas em breve vou chegar para conversar contigo e com Loïc. Ele aceitou ser meu padrinho no departamento de antropologia. Sem ele, seria muito difícil a inserção. Meus beijos almejam teu perfume ainda uma vez nessa vida!!! Tomei a liberdade de publicar teu texto aqui, como um pingente precioso. Paz e bem, abraço nas crianças!
Que diferença faria a cor da roupa ou dos olhos? Que importa se chorassem sangue ou lágrimas de tolo, como o ouro sem o fosco valioso, não polido, não extraído, tão puro e ignorante?
Ela estava lá toda noite, você não sentiu.
Que importam as mentiras e equívocos, a paixão e o amor de poesia, jornal na padaria. E quanto àquele dia? Alguma alegoria do não, já perdida e nenhuma alegria.
Ela estava ali o tempo todo e só por hoje não quer estar em lugar algum.
Ela não está mais aqui, nem está aí. Ela não quer mais estar.
Aonde terá ido alguém tão perdida em si? Isso importa?
E ela estava o tempo todo ali...
O que importa é que ela esteve o tempo todo ali
só que ninguém viu" (Papoula da Índia).
Minha querida amiga e poeta de desfiladeiro, nosso tempo é indelével. Só em sonho busco a tua mão, muito obrigado pelo texto, eu o adorei. Estás em Nova York? Compra um livrinho básico para seu amigo? Estou correndo atrás de uma pérola, mando-te mais detalhes por e-mail, por enquanto vou me virando pela terrinha, mas em breve vou chegar para conversar contigo e com Loïc. Ele aceitou ser meu padrinho no departamento de antropologia. Sem ele, seria muito difícil a inserção. Meus beijos almejam teu perfume ainda uma vez nessa vida!!! Tomei a liberdade de publicar teu texto aqui, como um pingente precioso. Paz e bem, abraço nas crianças!
Sunday, February 04, 2007
badulaques
sem estrépito, recolhi meus badulaques, fui à roça, e descobri que eu estava dois anos mais novo. a oferenda à mãe de todos renovara minhas atitudes a não mais poder. mas quem vai trabalhar no meu lugar na segunda-feira? estou livre, meus dias livram-se a si mesmos, abandona-me a ilusão, preciso de vinho e do beijo. os sentidos estão em festança! o bolso vai começar a se ressentir em contrapartida. mas é o preço que o valha.
O que me move?
"Ce n'est point un livre d'histoire. Le choix qu'on y trouvera n'a pas eu de règle plus importante que mon goût, mon plaisir, une émotion, le rire, la surprise, un certain effroi ou quelque autre sentiment, dont j'aurais du mal peut-être à justifier l'intensité maintenant qu'est passé le premier moment de la découverte" (Foucault, la vie des hommes infâmes, 237, v.III).
Rocambole
talvez, eu devesse buscar na mixórdia de textos literários, semi-literários, burocráticos, policiais e registros da justiça criminal as fontes da discussão sobre as narrativas dos homens infâmes (Foucault). Haveria de me perder na escritura inapreensível e na atitude simiesca das rotinas policiais, judiciárias e criminais? quem sabe possa achar literatura a partir de documentos tão medianos de apreciação e feitura? assim vou virar um pesquisador rocambolesco. Salve-me se puderes Monsieur du Terrail!
"Nos tomos mofados de toda grande biblioteca encontram-se sepultados artigos escritos por indivíduos obscuros ou desconhecidos sobre temas aparentemente sem importância, mas saturados de dados, idéias, caprichos, inclinações, portentos de tal calibre que só podem ser comparados, por seu efeito, a certas drogas raras" (Henry Miller, Plexus, 67).
"Nos tomos mofados de toda grande biblioteca encontram-se sepultados artigos escritos por indivíduos obscuros ou desconhecidos sobre temas aparentemente sem importância, mas saturados de dados, idéias, caprichos, inclinações, portentos de tal calibre que só podem ser comparados, por seu efeito, a certas drogas raras" (Henry Miller, Plexus, 67).
Humanos
"De fato, as únicas questões realmente sérias são aquelas que até uma criança pode formular. Apenas as questões mais inocentes são realmente sérias. Elas são as questões sem resposta. Uma questão sem resposta é uma barreira intransponível. Em outras palavras, são as as questões sem resposta que definem as limitações das possibilidades humanas, que descrevem as fronteiras da existência humana" (Milan Kundera).
Wednesday, January 31, 2007
possível?
como eu estava sem fazer nada nesses últimos meses - desempregado, impossibilitado de andar, e pouco receptivo aos recursos de dar apoio à superação do revés - inventei de levantar a hipótese - apenas uma hipótese movida pelo deslocamento - segundo a qual não há falta no desejo. Infelizmente, ninguém concordou comigo! Aí acabei muito mais curioso. fiquei com vontade de te perguntar se tu achas viável pensar um ponto de partida de criação que não seja faltoso, um ponto de partida sem reclamantes!
Sunday, January 28, 2007
quem?
Quem disso usa, disso cuida!
Era um ditado que meu avô usava, quando estava diante de alguém que dizia que todo mundo era ladrão, canalha e anti-ético.
Era um ditado que meu avô usava, quando estava diante de alguém que dizia que todo mundo era ladrão, canalha e anti-ético.
ella faz música com letras
"a palavra tem a qualidade da calma" (Michel Serres). fiquei a imaginar volumes que negam as coletividades ruidosas. mas eu não entendi se é o ruído ou o volume que nasce dans l'au-delà, talvez seja a ocasião de fugir mesmo ao entedimento. De qualquer modo, vezes sem conta os volumes e suas heresias fazem-nos viver a composição em vez de suprimi-la do campo do possível.
Saturday, January 27, 2007
Objetividade
a objetividade organiza processos produtivos.
anti-trágica, eu escapo dela,
e enlevo-me na suspensão do espaço estrutural.
o sim e o não-sim, os vazios e os preenchimentos e seu campo de usabilidade não me servem, porque não me sinto precário, nem muito menos ausente ou excluído.
Vezes sem conta, somos chamados a envergá-la como luvas e dedos entrelaçados...melhor infligir-lhe derrotas pelo riso toráxico, pela força da vontade que faz normas ganharem sentido.
minhas funções são usos, meus usos não estão em função de sistemas e processualidades.
não estou fora,
nem minha mente está dentro da cabeça.
a mente não é minha,
compartilhada se apodera de mim.
existo calmo, cálido e orgânico
como plantas
metabolismo de orquídea.
anti-trágica, eu escapo dela,
e enlevo-me na suspensão do espaço estrutural.
o sim e o não-sim, os vazios e os preenchimentos e seu campo de usabilidade não me servem, porque não me sinto precário, nem muito menos ausente ou excluído.
Vezes sem conta, somos chamados a envergá-la como luvas e dedos entrelaçados...melhor infligir-lhe derrotas pelo riso toráxico, pela força da vontade que faz normas ganharem sentido.
minhas funções são usos, meus usos não estão em função de sistemas e processualidades.
não estou fora,
nem minha mente está dentro da cabeça.
a mente não é minha,
compartilhada se apodera de mim.
existo calmo, cálido e orgânico
como plantas
metabolismo de orquídea.
a questão da externalidade
o mecanismo da externalidade seria próprio do projeto moderno, na medida em que produz imagens englobantes das multiplicidades vivas?
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