Monday, March 26, 2007

Mudo

O mundo dividido estrangula com júbilo infantil e profeciência perversa as forças do mundo vivido. Em que idéia de mundo, salva-se a vida? Em que experiência de mundo, inaugura-se o tempo e o espaço da redenção? Do meu vale de lágrimas, insisto na absolvição celeste pela arte, pela ciência e pela amizade, a melhor dizer, pela ordem superior das coisas, pela maestria da arte do pensar. Acordei noturno para a vida. E na sucessão dos dias, hão de escapar-me as forças recônditas da renovação, da recolta da alegria e do adágio maravilhoso? Escape ou apropriação? Adonde? Na feitura do porvir? No tecido das brilhantes formas? Em quem me escapo dos signos formais e vazios em que afogam-se alma e coração? Por mais lancinante que sejam as decisões, elas nos aproximam do abandono do eu pessoal, imprimindo-lhe o sabor solvente do mágico ardor em que se opõem o céu e a terra, a lida e a leitura amorosa dos astros e, finalmente, o trágico enlace entre sofrimento e alegria. Quem nos ensinam sobre a morte? A quem pagaremos por essa aprendizagem inconclusa? Quais são nossos rituais fúnebres? E o nosso incenso queima alhures? Londe de estar petrificado, encontro-me na mais ampla vertigem do signo que gira, gira e gira mais uma vez a fim de parar o mundo pela despedida do próprio signo. Signo capturado pelo código dual do mundo dividido.

1 comment:

Simone Lima said...

Darling, cada dia reinventas a filosofia da existência, (que não é vã), essencial te ler, principalmente nesses dias sazonais. beijos