Saturday, February 23, 2019

Trabalhadores

Ontem, conversei com trabalhadores (três homens), 1 a 2 salários, terceirizados da universidade, uma roda de conversa em pé, quando terminei minha aula às 21h40, me chamaram para um papo, eles estavam assustados. Muito temerosos. Relatando as perdas que sofreriam e como isso afetaria suas vidas. Insatisfeitos com o governo. Queriam saber minha opinião. Fui dormir um pouco melhor. Quando um trabalhador assalariado hoje expressa insatisfação com os governos e as empresas, fico tão alegre. É tão raro. A maioria dos que possuem o perfil deles se expressa como se fosse membro da classe rentista e da cúpula de altos executivos globais, mesmo não tendo nada, falam com uma linguagem que não é a deles. Quando o trabalhador usa linguagem de trabalhador, chega me dá um arrepio na espinha. Alguma esperança há. Eu tinha dado aulas de 14h até 21h40 sem intervalo. Fiquei conversando com eles de 21h40 até 22h10. Foi a melhor aula do dia, inesperada. Mesmo eles sabendo que ganho muito melhor do que eles três, que a minha perda com a reforma é a metade do salário deles, eles conversaram comigo de igual para igual. Foi massa. Mas se a gente entrasse em outras pautas, as identitárias, direitos humanos, provavelmente, seria um desastre. Esqueci de dizer que eles sabiam muito mais detalhes técnicos e precisos sobre a reforma da previdência do que eu, não era isso que eles queriam de mim, eles queriam que fizesse uma interpretação da conjuntura para saber se batia com a deles.

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