Monday, February 04, 2019

O sacrifício como tema para reflexão

O sacrifício pelo bem de si mesmo, de outrem ou do grupo? Ou é possível uma vida social humana sem sacrifícios? O tema do sacrifício se tornou um tabu. Ou seja, o tema da relações sociais recíprocas com suas obrigações mútuas virou tabu. Temos que criar uma nova linguagem para lidar com isso. Novas práticas e nova linguagem. Não dá para fazer revolução com promessa de consumo competente para todos. Foi isso o que ocorreu no BR. Os governos que abriram acesso ao consumo competente (virtualmente ou efetivamente) para todos foram rechaçados por pautas conservadoras, que, afora suas distorções ideológicas histéricas, partem de uma demanda por algo mais do que seja também um consumidor. O liberalismo social virou sinônimo de "indecência". Os estilos de vida defendidos passaram a ser lidos socialmente como individualistas, hedonistas, narcisistas e atomistas. Será que tais percepções que passam pelas formas do pensamento conservador a respeito das exigências de cidadania do consumo livre de quaisquer amarras não prepararam a queda do pensamento da esquerda oficial? Uma esquerda que prometia posição de consumidor de bens e serviços, com feitios a-morais, foi rechaçada pela demanda de integração moral dos laços sociais. Quando se tentou recuperar o terreno com a tal da "nova classe média", foi um desastre, pois se quis tratar uma demanda moral com ferramentas economicistas. Repetiu-se o erro. Os neoliberais também erram por incorrerem nesse economicismo da esquerda oficial. Já as igrejas, essas continuam muito antenadas com as demandas que envolvem projeções de fantasias coletivas na ordem social imaginária. O governo das igrejas é o mediador universal nesse contexto de uma vida definida pelo dinheiro e pela dívida.

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