Thursday, August 16, 2018

A vida acadêmica

Quando fazia graduação, assistia aula de 7h às 12h, almoçava de 12h às 12h30, entrava na biblioteca às 13h e ficava até 19h, ia para as casas de cultura estudar inglês, francês, grego, latim, tudo gratuito, terminava às 21 horas, aí o bar estava lotado, ia para lá beber cerveja e bater papo com a galera. Chegava em casa às 24h. Ia digitar trabalhos e transcrever fitas até às 2h, para ganhar uma parte do aluguel de uma quitinete que dividia com um amigo no centro da cidade. Tinha a bolsa e essa grana dos bicos. Era estudante profissional. Conhecia um monte de amigos e amigas que faziam isso também. E não vinham de família rica, nenhum de nós. Sábado era o dia todo lendo, a gente fazia era grupo de estudo no sábado lá na UFC, domingo, depois da ressaca recuperada, pois sábado à noite era balada na certa, lá pelas 15h de domingo, começava leitura e finalizava no Cais Bar, dando uma esticadinha até a manhã de segunda, indo direto para a aula, sem se atrasar. A aula começava às 7. Isso lá pelos idos de 1993. Universidade era puro tesão. Estudar muito, na liseira, namorar e dançar e deixar o corpo transcender o mundinho de merda dos arredores. Contracultura. Universidade para mim não é mercado "livre". É corpo livre. É um estilo de vida de recusa ativa do adoecimento. Universidade adoece quem? Para mim, é fonte de saúde. Por isso, quis continuar nela como professor. Pelo tesão.

No comments: