Tuesday, August 14, 2018
A iniciação científica como desafio hoje
Existem tarefas no mundo da pesquisa científica que parecem ser extremamente simples e, até mesmo, da ordem do trabalho manual, como, por exemplo, organizar uma lista de artigos acadêmicos em ordem alfabética, segundo o autor, fazendo corresponder de modo físico ou digital os textos com a ordem da lista. São tarefas que fazem parte da aprendizagem de qualquer cientista. Há uma crise séria de percepção na universidade hoje, pois uma parte dos estudantes enxerga como humilhação, opressão, exploração, fazer uma tarefa desse tipo. Como se o professor estivesse se aproveitando deles e delas. Na verdade, nós jamais deixaríamos de fazer essa tarefa. Hoje, eu a faço só, retirei-a do contexto de ensino-aprendizagem, pois a percepção é de que compartilhar tarefas "simples" é humilhante. Só que a tarefa não é simples. Há toda a lógica da descoberta científica, atuando em uma simples lista de referências. Está difícil manter programas de iniciação científica, pois falta o entendimento de que fazer ciência envolve milhões de tarefinhas e rotinas básicas, o que dá muito trabalho, muito mesmo. Exige muita disciplina e autodisciplina. Mas estou aqui fazendo, sozinho, quando o certo era estar ensinando outras pessoas a fazer, mas isso virou tabu. A percepção que domina a cena hoje é de que ensinar as tarefas e rotinas mais básicas significa que o professor está querendo se livrar do trabalho "chato" e "manual". Erro de percepção grave! Pois, na verdade, transferir para educandos, pesquisadores em formação, essas tarefas, dá mais trabalho, pois requer supervisionar e revisar tudo de novo, pois vamos encontrar muitas falhas. Deu para entender o paradoxo? Complexo demais. Todos nós já estivemos na iniciação científica. O professor não deixa de ser um bolsista de iniciação científica. É onde se aprende, é onde se adquire valores profissionais muito significativos. Nenhuma bolsa a menos! A bolsa de iniciação científica é a base de muito trabalho e dedicação à ciência.
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