Tuesday, August 14, 2018

Ameaça de corte de bolsas

Minha análise sobre o corte das bolsas é a seguinte: a Universidade pública está empresariada, seja para o setor público, seja para o privado. A pós-graduação não vai acabar. Vai ficar mais competitiva. Mais elitista. Governos e empresas vão criar bolsas para remunerar mão de obra de alunos de professores consultores de empresas e governos. Essas bolsas vão ser distribuídas apenas para quadros restritos. A Universidade vai enxugar custos, diminuindo a quantidade de matrículas. Os cursinhos vão ficar mais fortes. Critérios de desigualdade de capital informacional serão mais reforçados, bem como o racismo institucional que predomina nesse contexto. O resultado vai ser uma pós-graduação mais enxuta, mais conectada com as corporações e com os governos, mais voltada para o mercado, selecionando de modo extremamente rigoroso (segundo critérios do sistema de hierarquização de capital educacional) os quadros em formação. A Universidade vai seguir sua vocação histórica de ser formadora de elites para a modernização autoritária, só que agora numa versão mais utilitarista, tecnicista e voltada para a integração e adaptação no contexto de arranjos produtivos globais. A maioria silenciosa está comemorando que haverá enxugamento de bolsas, pois assim os mecanismos de seleção e treinamento ficarão mais marcados pela forte competição entre os estudantes e os professores. Quem vai defender a perda das bolsas? Quase ninguém. Apenas os segmentos marginais à própria pós-graduação. O resto é cortina de fumaça, a fim de se mostrar politicamente sensível. O cenário é mais duro do que a gente pensava. (não defendo essa merda, estou apenas relatando).

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