Thursday, August 16, 2018
Adoecimento acadêmico
Se as exigências hoje estão bem baixas, por que se fala tanto em adoecimento acadêmico? Ninguém mais é obrigado a ler mil páginas por semana. Esses tempos estão fora da regra do jogo atual. A universidade virou mercado "livre". Todo mundo é "livre" para não aceitar ser exigido por uma instância de assujeitamento, que está na base da formação do sujeito acadêmico. A atividade cobradora é percebida como opressora. Para não ser opressor, a gente cobra da gente mesmo, então. E não sou elitista, não defendo uma universidade elitista, ao contrário, penso que a democratização da universidade é disseminar práticas formativas e de produção de saber orientadas politicamente para a ruptura com as imposições do sistema de mérito, que é uma hierarquização baseada na desigualdade de capital. O deixa-rolar como for, como os indivíduos desejarem, de acordo com as "escolhas" de cada indivíduo que se serve na universidade como se estivesse consultando um "menu", buscando o "combo" que lhe interessa, é aliado do neoliberalismo. A subjetividade neoliberal do atual consumidor de serviços educacionais na universidade é pouca discutida. Discute-se mais o neoliberalismo do produtivismo. Penso que é uma questão a se pensar. Rejeita-se produtividade sob a etiqueta da contraposição da ideologia do produtivismo. E a relação entre Universidade e Democracia vai para o ralo, ou seja, vai para o buraco do mercado "livre". A luta por democracia é árdua. Envolve uma recusa do trabalho alienado.
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