Monday, May 11, 2015

Domingo à noite

As pessoas choram, na solidão, no desamparo que apunhala o peito, a boca resseca, as lágrimas secam, apenas a perplexidade em forma de falta de ar, e em busca de outro corpo abraçam a si mesmas, sentindo a pontada de cada osso, de cada cabeçada contra a parede, e não há sentido, o mundo está irremediavelmente perdido, apenas rostos inexpressivos, atônitos, de um lado para o outro, sem saber para onde vão e se poderão voltar. A semana inicia-se no terror do abandono, no sem norte do desespero e as pessoas choram e mordem os travesseiros e fazem chás e comem bolos e tomam remédios e despencam exaustas na vida sem sonho.

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