O lugar de onde tento falar é o da fantasia. Não da fantasia como ilusão, mas da fantasia como imaginação criadora. É a desincorporação dos papeis que é a condição para qualquer mudança. Sair do papel. Desintegrar-se sem se fragmentar irremediavelmente. É brincar com fogo, é correr o risco, é se colocar em perigo, é levar a sério a ideia de que as imagens das palavras não são mera representação, não são apenas símbolos, são também modelações dos próprios eventos da vida. A fronteira entre acontecimento reais e imaginários é cortada pela força criadora de novos contextos que se libera no dizer novamente o que já foi dito.
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