Saturday, May 09, 2015
Carta de Anarca para Antônio
Querido Antônio Elias, hoje acordei a pensar sobre como, depois de tantos anos, ainda tilintam ao sabor do vento as palavras que você jamais professa, e nesse vazio de palavras, de sua significação bloqueada, propositalmente implodida, quem sabe, esteja o futuro de mim mesma, um terrível fim, sem comiseração, sem atalhos, em direção à fogueira, onde hei de queimar, feito bruxa condenada à eterna falta de amor. Você me ensinou que a vida não é alegre. Roubou minha alegria, como quem chuta a canela de um adversário malquisto em meio à multidão. Nunca vou lhe perdoar por ter deixado de ser uma parte do que pude jamais ter. Mas não lhe quero mal. Seja feliz nessa tua desinfeliz vida de acrobata de biblioteca. E sempre mais uma vez, adeus. Com estupor, Anarca.
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