Tuesday, August 29, 2006

Telefone

"vem, eu queria legar-te coisas sensíveis perdidas, o conciliábulo do mundo múltiplo e do corpo nu, legar-te-ei a finura, gostos e perfumes, a sapiência e a sagacidade, vem, e quando tivermos construído a pele com panos, como um hábito, dir-te-ei, depois, as velhas ruínas de minha língua, minha bela linguagem que vai morrer, saída diretamente da água que se enruga como uma seda, dos álamos de folha que freme quase séssil, doce voz das coisas, vem nos restos abandonados de dois jardins devastados, esquecidos, o jardim dos sentidos destruído pela linguagem, o jardim de minha língua destruído pelos códigos, vem enquanto é tempo ainda, eu me saí mal, vamos recomeçar" (Michel Serres).

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