Tuesday, October 15, 2013
ser inadequado
Quando a gente desconfia que os convites para parcerias não passam de mise en scène, que não há nenhum interesse em metas de produção de conhecimento ou de sua difusão, mas querem apenas fazer coisas para inglês ver ou eu recuso o convite ou então me faço inadequado. Tipo: esperam de mim que eu esteja me vestindo como assessores de governo, aí eu vou de all star preto, calça suja de pneu e óleo de motocicleta e camiseta de surfe Out Burst. Pelo olhar que dão dos pés à cabeça, noto que se arrependeram profundamente de ter me convidado e que nunca mais me chamarão. O olhar diz assim: "mas esse aí que é o professor da universidade?" Em geral, as pessoas estão usando roupas que imitam trajes que elas acham serem usuais para pessoas da alta sociedade, ou seja, usam imitações de imitações de imitações de roupas feias, caras e cafonas. Esse lance de subalterno, de desejo de subalterno pelo Maître, é o que mantém o sistema de dominação em pleno funcionamento, não é a polícia, sinto muito, mas não é. A polícia é o subalterno, é o olhar de decepção do subalterno, quando seus ícones fantasiosos de desejo do dominante são frustrados. Agora eu já sei, sempre me vestir de tênis e falar gíria ao telefone. Preciso afastar convites absurdos. Tipo convite do governo, entende? Como é que um vândalo como eu ainda recebe convite de governo para alguma coisa que o valha! Não tenho decência chapa-branca, meu povo! Assessores de governo, me esqueçam, pela amor de Deus! Vocês que são pessoas de bem, não convidem os baderneiros pra nada, ok?
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