Monday, October 28, 2013
Ódio ao toque do telefone
Eu tenho ódio no coração quando o telefone toca. Para certas profissões, falar ao telefone é algo imprescindível. Para a profissão de professor e pesquisador é totalmente inútil. Falar ao telefone para a gente é parar de revisar trabalhos, é parar de escrever artigos, é parar de dar aula, é parar de fazer o planejamento pedagógico, é parar de estudar, etc. Professor não precisa ter telefone, basta Facebook e e-mail, e olhe que Facebook, quando vira Central de Atendimento ao Consumidor, aí é o ó do boró. Eu detesto telefone mesmo, só falto ter um ataque do coração quando esse bicho estranho toca. Pense numa coisa do meu ódio, ponho a bílis para a fora. De dez telefonemas, 9 são para pedir algo sem dar nada em troca. Para cobrar sem cobrar de si. No meu caso, falar ao telefone é anti-trabalho. Totalmente, anti-produtivo. Os únicos colegas que falam ao telefone sem parar são aqueles que exercem o poder de mando, colegas que estão em cargos de chefia, que mandam na gente. Aí é telefone o dia todo. Mas não é o meu caso. Meu trabalho é dar aula, pesquisar, escrever, ler, orientar, revisar trabalhos (nada inclui falar ao telefone). Morte ao telefone. Eu tinha jogado fora. Chutado, esmagado. Tive que ter de volta, mas é só pra falar com minha filha, minha companheira, minha mãe, meu pai, minha família, e olhe lá. Não passem meu número e nem me liguem, exceto se for para me chamar para tomar uma cerveja e conversar entre amigos. Qualquer outra comunicação que não seja de amigo para amigo, sem exigir nada, sem nada querer em troca, na gratuidade, pra marcar de encontrar para celebrar a vida e jogar conversa fora, e neste caso eu suspendo tudo e vou, o resto que não seja isso, aí é por e-mail.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment