Saturday, August 10, 2013
Menino, vai estudar!
A mãe me mandou estudar, "vai estudar, menino!", aí eu internalizei a autoridade dela, num processo de identificação, onde os livros são objetos escolhidos para serem investidos e desinvestidos, compulsivamente, para que a influência de novas identificações, marcadas pelo delírio do "vai estudar, menino!", possam ocorrer. E na compulsão, vou devorando um livro de cada vez, um por dia, e aí eu acordo todo dia, tomo banha e vou estudar, cantarolando "mamãe, eu quero. mamãe, eu quero. mamãe, eu quero mamar". E nessa impossibilidade, transformo a angústia real em angústia neurótica, e para evitar que essa dimensão neurótica da angústia de me se apodere, aniquilando-me, passo à intoxicação pela cerveja, para evitar consolidar a angústia neurótica. E com muito literatura nos couros, como se estivesse apanhando de novo do cinturão do meu pai e da chinela da minha mãe, eu volto novamente aos estudos, a forma como destruo os livros, é a forma de um psicótico na revolta contra a ordem social dada, tomando cafezinho entre uma pausa e outra. Mas deixemos de charlatanismo, mamãe disse que tenho que ser um bom menino, liga toda semana para cobrar, então, queimar as pestanas e ruela do dedo enfiado no pápis (ops, lápis), pois é preciso estudar, viver não é preciso! (para os desavisados, eu não entendo nada de psicanálise, estou só fazendo lorota no intervalo pra voltar aos livros).
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