Wednesday, August 21, 2013

A aula

A objetivação do pensamento pela escrita é uma forma de desintoxicação mental. Escrever para não morrer, como já disseram vários e várias mundo afora. Escrever é a única terapia que me apraz. Por isso eu escrevo. Mas há também a sala de aula, o efeito terapêutico da sala de aula é uma maravilha, é um teatro, é catártico pelo estranhamento do estranho. Estou feliz só de imaginar que vou voltar para a sala de aula, o único lugar onde a fala fala sobre si mesma, dobrando-se para fazer emergir objetos de pensamento, como figuras holográficas flutuando no ar, o pensar é holográfico, por isso nós, professores, usamos as mãos, nos levantamos da cadeira, olhamos para o éter, pois não há vazio, há objetos imaginados, figurações flutuando e se constituindo pela força da mente, pela força intelectual, pela sutileza de construções imagéticas do pensamento, tudo o que se efetua na fala em sala de aula, pois quem fala deseja, como dizia o psiquiatra. A aula dá tesão e estimula a cognição na sua virtualidade no fluxo das coisas, que é a forma real da realidade, enquanto devir, a aula incita e excita na simultaneidade do sentir-se em co-presença de coisas de pensamento.

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