Saturday, January 12, 2013
Um pesadelo antes do ano acabar
Eu tive um pesadelo e acordei de sobressalto. Um estudante, meu aluno, um rapaz negro, militante do movimento negro, estava sentado pacificamente no chão de um ambiente público, algo parecido com um Centro de Negócios, um estádio, um shopping, não consigo me lembrar direito, mas a arquitetura do lugar remetia a todos esses espaços ao mesmo tempo. O rapaz fazia uma fala, um discurso, pessoas paradas ao redor a escutá-lo, ele dizia palavras que me lembraram falas de vários intelectuais negros que eu admiro. Eu estava um pouco distante. Eu vi então quando um segurança negro, depois de receber a ordem de um gerente branco do lugar, se deslocou e sem fazer nenhum tipo de abordagem, algemou o rapaz, diante dos protestos do rapaz, o segurança começou a espancá-lo em público. Resolvi então intervir. O rapaz negro estava algemado ao braço do segurança negro. Os dois algemados um no outro, enquanto o último espancava o primeiro usando um cassetete. O segurança negro gritava impropérios racistas contra o rapaz negro. Eu não sabia o que fazer. Me aproximei e num impulso olhei para o segurança e disse: o Senhor está preso, enquanto cidadão, estou lhe dando ordem de prisão por racismo. O segurança parou de bater, olhou para mim atônito, o rapaz também ficou parado, ainda se recuperando dos golpes que havia recebido. Depois de uns cinco segundos, eternos cinco segundos, eu acordei de supetão. Não sei ao certo o que aconteceu. Mas acho que eu recebi um cassetete que partiu meu nariz de branco metido a besta. Fiquei me sentindo péssimo. Acordei bem cedinho e fui reler Franz Fanon e ouvir jazz na minha confortável vida de branco que, em geral, tem o nariz quebrado apenas no mundo onírico.
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