Saturday, January 12, 2013

Loucura real ou presumida?

Quando estou a escrever os fragmentos de textos por aqui ou alhures, frequentemente as pessoas acham que eu estou doido, maluco, surtado ou bêbado. Mas, quando eu estou dando entrevistas para a mídia, participando de audiências públicas e exercendo outros rituais de poder, onde "os melhores no centro usam libré e estão a soldo da classe dominante" (Benjamin), as pessoas me elogiam, me acham com cara de responsável, de cidadão que está contribuindo com os avanços da vida pública, entre outros delírios. Quando estou mais lúcido, as pessoas acham que estou doido, quando estou inserido em rituais que expressam fantasias de grupo, paranoias, busca desenfreada pelo poder, pelo dinheiro, entre os engravatados, todo mundo me acha elegante e digno de um professor da Universidade. A loucura real é escrever textos, buscando exercitar imaginação livre, ou é reproduzir discursos de autoridade entre aqueles que monopolizam os meios intelectuais de expressão e pensamento a serviço das classes dominantes? A minha loucura é sempre presumida, e enquanto tal é irredutível à presunção do outro em anunciá-la ou denunciá-la. Resistir é preciso, viver não é preciso.

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