Tuesday, January 01, 2013
DE MARX A BALZAC PARA VOLTAR A MARX.
A última edição da versão brasileira de A comédia humana está completando duas décadas e as livrarias estão aí a comemorar o relançamento da coleção. O Paulo Rónai que fez o serviço junto com enorme equipe (vejam o trecho abaixo ao final desta postagem que copiei e colei do site da Livraria Cultura que está doida pra vender a nova edição). Ocorre que acabei de adquirir um e-book por três reais de uma editora francesa que reuniu as obras completas. Fiquei me perguntando que disparidade é essa, afinal, o e-book apenas do volume 1 da versão brasileira está saindo por 52 reais e 90 centavos. Que margem, hein?
Mas não era sobre isso que eu pretendia falar. É que ontem eu reli o "Avant-propos" de A comédia humana. Fiquei extasiado. Há exatos vinte anos, por influência do Marx, que dizia que se aprendia mais sobre o funcionamento da sociedade burguesa lendo Balzac do que livros de economia política, eu me aventurei nisso e entrei de cabeça, dos 17 volumes da coleção brasileira, li os 13 primeiros. Por pura disciplina. Agora vou terminar de ler os que ficaram faltando. Balzac é o bicho, pois os bichos também são metáforas do estado social.
"Vinte anos depois da última edição, A comédia humana com orientação, introdução e notas de Paulo Rónai, volta às livrarias trazendo ao público brasileiro um dos mais importantes monumentos literários em 88 romances distribuídos em 17 volumes.Disperso, prolífico, ambicioso, genial: Honoré de Balzac (1799-1850) foi, como ele mesmo dizia, mais que um romancista, um cronista de costumes. Seu maior projeto literário, A comédia humana, tomou vinte e um anos de sua vida e foi interrompido apenas com a morte prematura do autor, aos 51 anos. Na imensa obra, Balzac pretendeu fazer um verdadeiro inventário da França no século XIX: costumes, negócios, casamentos, ciências, modismos, política, profissões, tudo entrava nesse imenso painel, costurado com maestria narrativa e exibido aos poucos em folhetins.Com tudo isso em mente, Balzac passou a dar a seus romances o caráter vivo de uma época. Assim, um personagem que é protagonista em um livro aparece em outro como coadjuvante; se há um personagem já ancião em um romance, é possível conhecer sua juventude em outro; personagens reais entram nas histórias, e os imaginários frequentam teatros, restaurantes e passeios que todos franceses conheciam. E assim Balzac foi construindo todo o universo de A comédia humana, que a Biblioteca Azul passa a reeditar em 2012 com a publicação dos primeiros quatro volumes que compõem as Cenas da vida privada.A imensa obra veio a público no Brasil duas vezes, editada pela Globo de Porto Alegre e depois pela Globo Livros. A primeira, a partir de 1947 e a segunda, de 1992. Em ambas teve orientação, introduções de todos os romances e notas de Paulo Rónai, um dos maiores críticos literários do Brasil. Rónai dedicou 15 anos à organização de todo aparato de A comédia humana, que contou com 20 tradutores, 12 mil notas e prefácio para cada um dos 89 romances. Dada a dimensão da edição de Rónai, considerada uma das mais importantes fora da França, é compreensível que nenhuma outra editora tenha dado conta de refazê-la e a obra permaneceu por anos encontrada apenas em sebos ou recortada de seu contexto.Obras que compõem A comédia humana volume 1 Estudos de costumes Cenas da vida privada: Ao Chat-qui-pelote, O baile de Sceaux, Memórias de duas jovens esposas, A bolsa, Modesta Mignon". (site da Livraria Cultura).
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