Thursday, October 18, 2012
Quando é oportuna a denúncia e quando é oportuna a cumplicidade com os desmandos dos poderosos?
É tão interessante acompanhar a militância petista, fazendo denúncias contra o governo Cid, pois ficam requentando denúncias que as oposições fizeram, exatamente, nos mesmos termos, quando o PT estava aliado com Cid e defendendo com todas as forças, blindando de todas as maneiras, armado até os dentes, para impedir que qualquer crítica atingisse a imagem de "progresso" representada pela aliança PT-PSB. A lealdade de alguns líderes petistas ao Cid foi canina, foi lealdade cega mesmo, foi o PT quem blindou o Arialdo Pinho na Assembléia Legislativa, impedindo a apuração do escândalo dos consignados, aliás, protegendo o ex-Coordenador Geral da Campanha da Dilma no Ceará. Foi o PT quem isolou Heitor Férrer, quando este apresentou diversas críticas e denúncias contra o governador. Foi o PT quem fez a campanha do Cid em Fortaleza, sendo decisiva esta ação para a consolidação da concentração de poder da nova oligarquia. O que Camilo Santana, José Nobre Guimarães, Nelson Martins, e muitos outros tem a dizer sobre a onda de denúncias gravíssimas que a militância petista, antes silenciosa e auto-silenciada, está agora fazendo contra os Ferreira Gomes? Tanto Elmano, quanto Roberto Cláudio são representantes de um mesmo projeto. A briga foi circunstancial e política. Não digo que eles são iguais, que eles sejam farinha do mesmo saco, mas são profundamente aliados pelas ideias, pelos propósitos, pelas ações, pelas concepções de desenvolvimento e tudo o mais. O que muda é a história política, a história de poder, que são muito diversas, diferentes. Elmano e o PT são das bases, apesar de terem alianças com segmentos poderosos, mas são das bases gerenciais dos estratos populares e médios baixos. Roberto Cláudio é pelo topo, decididamente, pelo topo. Olha para os pobres de cima para baixo. Elmano olha no olho, como diz seu lema de campanha.
Fortaleza Insurgente vota nulo para afirmar o desejo por uma nova política. É um voto nulo do sim, um voto nulo para o sim. É um voto 50. 50 vezes três. É um voto 150 mil. E, além do voto, Fortaleza Insurgente, como fórum permanente de coletivos plurais, está refazendo sua própria capilaridade, sua própria heterogeneidade espalhada, que requer fazer a nova política para além das eleições. Essa é a maior vitória que se possa ter, e estamos a comemorá-la. Não somos a favor do quanto pior, melhor. Mas também não somos a favor do menos pior em vez do pior. Essa mediocrização que desqualifica o fazer político é o que combatemos com unhas, dentes e festas, pois agora temos é que festejar, festejar ações de nova política.
Saudações libertárias!
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