Tuesday, October 09, 2012

Meu amor proibido pelo PT

Ou, se preferirem, sobre minha vontade de ser mais reformista do que já sou. Eu tenho tanto amor pelo PT, sem jamais ter sido do PT, é impressionante como os sentimentos são duradouros, não é? Não consigo passar um dia sequer da minha existência sem criticar o PT, não é amor grande não? Desde de 1988 que a gente faz oposição ao PT, não é Liduina Rocha? Oposição calorosa e estridente. Fiz todas as eleições do Lula, voto crítico. A eleição de 1989 foi uma maravilha. Fomos para a construção civil e chegando lá todo mundo já era Lula desde criancinha, não precisamos nem panfletar no dia anterior à votação. Encontrei com o Lula várias vezes. Na UFC, no Cais Bar, nos comícios, chorava de emoção, como todo mundo. A meu ver, o PT nunca se traiu. Continua com a mesma proposta desde 1988. A ruptura foi lá atrás. Nesse ponto concordo com os dirigentes do PSTU que fazem muito bem essa análise. Dizer que o PT mudou com a eleição do Lula, não creio que tenha mudado, já era o PT atual. Agora, a partir do momento, que as militâncias do PT (não todas) começam a confundir avanços do campo democrático popular (que não é propriedade do PT, apesar do PT ter liderado o processo historicamente falando), então, como ia dizendo, quando as militâncias petistas (algumas e que são poderosas dentro do partido) começam a confundir a integração marginal de indivíduos, a integração subalterna de indivíduos, fazendo o elogio das terapêuticas sociais da exclusão, adotando um pensamento economicamente neoliberal e em muitos casos anti-liberalismo político e essa crença absurda no "progresso" a qualquer custo como superação da exclusão e, finalmente, quando começaram a despejar ressentimentos contra tudo ou todos que cheirassem a "intelectual" metido a "revolucionário", desqualificando trajetos de militâncias com a palavra fácil da desqualificação desse tipo: coisa de intelectual...Ora, era no PT onde estavam historicamente as coisas de intelectual, e era uma maravilha que assim fosse. Ir para o Estoril conversar com os artistas e os intelectuais do PT era um prazer e uma aprendizagem enorme. Por que criou-se raiva de artista e intelectual por parte de alumas militâncias petistas (as hegemônicas no partido)? Enfim, já que estou falando desse amor proibido, venho dizer para vocês que vou superar o embate histórico de oposição que tínhamos com a Democracia Socialista e vou me filiar ao PSOL. Já que é um partido tão parecido com o PT, como todos dizem e reconhecem, vamos então começar a bater forte no PSOL, bater forte em nós mesmos, pois no plano nacional as coisas não estão tão legais quanto poderiam ser, quem sabe a gente possa fazer do Ceará uma campo de experimentação mais ousado do que já está sendo nesse novo cenário onde a tendência ao peleguismo é quase atávica. Como reativar as forças anti-capitalistas e anti-fascistas de modo a não cedermos nós mesmos ao caminho fácil das eleições, da democracia representativa liberal, das políticas públicas para as periferias como forma de terapia para os pobres, de inclusão marginal em mercados assalariados precários e subalternos na dinâmica do capital contemporâneo, enfim, como fazer novas revoltas que possam dar continuidade às lutas de um outro mundo possível já que nada é impossível de mudar. Saudações libertárias! E perdoem as sinceridades e brincadeiras. Sem humor e auto-ironia, a gente vai brigar é feio, né? Mas mais feio do que já está, só dois feios juntos, o roto e o mal-falado.

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