Monday, September 17, 2012

PT: um mega gerenciador de recursos humanos?

Em sentido amplo, e nos termos das exigências de regulamentação para funcionamento e reprodução da ordem do capitalismo-empresa contemporâneo, o programa do PT é imbatível. Não há melhor. É melhor do que o do PSDB. Este último partido possui uma composição com gerentes de cima que estão desconectados das bases, pois mais próximos dos gerentes de cúpula. No caso do PT, a composição gerencial dos quadros está mais próxima da base da classe trabalhadora, ou seja, o PT é realmente o partido da classe trabalhadora, é um partido de massa, não de classe, todavia. Isso foi uma decisão histórica do próprio PT. Na campanha do PT em Fortaleza, o deslocamento do tema das cidades para o das pessoas é muito significativo, politicamente e sociologicamente significativo. A cidade é historicamente bastião da resistência anti-estado e anti-capital. Cuidar da pessoa é tema de RH, é um tema que faz convergir o cuidado que a tradição sindical e assistencial do sindicalismo desenvolveu com a noção de cuidado que as empresas contemporâneas desenvolveram para dar conta do novo formato das transações organizacionais voltada para a realização do modelo da empresa (treinamento permanente, auto-responsabilidade do trabalhador diante do seu próprio aperfeiçoamento, etc). Ocorre que a felicidade das pessoas, como objeto da política na modernidade, passa pelo pertencimento à cidade como busca de autonomia civil contra a violência patronal e a violência estatal. A ideia de comuna passa pela associação entre pessoas e coletivos livres organizados horizontalmente em redes interdependentes de cidades. "Cuidado" é política empresarial-sindical de RH. Não existe, por conseguinte, nenhum partido mais coerente com sua própria história e com seus discursos do que o PT. Sou adversário político, mas não podemos negar a ordem dos fatos. O PT é fiel a si mesmo e apresenta o que há de mais "atual" e convergente com as forças do capitalismo contemporâneo.

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