Saturday, September 08, 2012

Aos vencedores, as batatas!

"Se você vai escolher suas relações a dedo, com base em princípios morais, é melhor deixar este país, a menos que queira se afastar de toda a sociedade decente" (Crofts, personagem sórdido de George Bernard Shaw, tentando convencer Vivie de que a vida social é mais suja e aliada na sujeira do que ela, em sua ingenuidade, imagina apud H.S.Becker). Só há uma falha grave na conclusão de Crofts. Ele, enquanto agente canalha de uma rede de vigarices, ligando ilegalismos populares e ilegalismos dominantes, ao fazer crer que TODOS são canalhas produz com esse efeito de crença a maior eficácia simbólica que naturaliza a presença supostamente bem repartida do canalha entre nós. E isso não é verdade, pois há concentração maior de canalhas em um lugar do que em outro, mais de um lado do que de outro, não se trata de uma lógica aritmética como as agonísticas lutas entre petistas de um lado, acusando tucanos de serem os maiores ladrões da história do Brasil e estes, os tucanos, acusando os petistas de serem os maiores ladrões da história do país. Conflito nada edificante para nossas crianças, não é? Mas, enfim, se segmentos hegemônicos da "boa sociedade" chafurdam na lama, em acusações públicas e recíprocas, com segmentos hegemônicos das bases de "gerentes" do sindicalismo brasileiro e da "classe trabalhadora", é por que algo vai muito mal nessa história toda. É a supressão da política que almejam. Querem transformar tudo em negociata. Por isso, precisamos reativar nossas forças e energias em torno de uma nova política, uma política que não seja sua própria desqualificação generalizada que somente aos canalhas e aos bastardos, como dizem os australianos a respeito de seus "homens públicos", interessa. Nada é impossível de mudar.

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