Sunday, December 17, 2006

2001

Preparei essa apresentação em 2001. Fiquei com saudades do Brasil.

AS ESTRUTURAS ELEMENTARES DO PARENTESCO

1. Estruturas elementares do parentesco são “os sistemas nos quais a nomenclatura permite determinar imediatamente o círculo dos parentes e os dos aliados, isto é, os sistemas que prescrevem o casamento com um certo tipo de parente” p.19 Sistemas que “procedem a uma determinação quase automática do cônjuge preferido” p.19 Elas “permitem definir classes ou determinar relações” p.19 Sistemas que “indicam o cônjuge” p.20
2. Estruturas complexas são “os sistemas que se limitam a definir o círculo dos parentes e que deixam a outros mecanismos, econômicos ou psicológicos, a tarefa de proceder à determinação do cônjuge” p.19 Sistemas “fundados sobre a transferência de riqueza ou sobre a livre escolha” p.19 Sistemas que deixam os cônjuges indeterminados, apenas proibindo o casamento no círculo de parentesco p.20 Na escolha do cônjuge entram critérios sociais, “cuja apreciação é relativa, não sendo estruturalmente definida pelo sistema” p.30
3. O objetivo do livro “é mostrar que as regras do casamento, a nomenclatura, o sistema dos privilégios e das proibições são aspectos inseparáveis de uma mesma realidade, que é a estrutura do sistema considerado” p.19 Mostrar que “a nomenclatura do parentesco e as regras do casamento são os aspectos complementares de um sistema de trocas, por meio do qual se estabelece a reciprocidade, que é mantida entre as unidades constitutivas do grupo” p.38. Pensar a nomenclatura do parentesco e as regras matrimoniais correspondentes como SISTEMAS, e fazer os sistemas desses sistemas (o sistema de reciprocidade) (O campo da antropologia, p.29). Elaborar uma Teoria Geral dos sistemas de parentesco p.20
4. Análise Estrutural – não custa lembrar que a estrutura não é um simples arranjo qualquer de partes qualquer, como diz Lévi-Strauss, algo estruturado responde a duas condições: a) é um sistema regido por uma coesão interna e b) esta coesão interna é inacessível à observação de um sistema isolado, só se revela no estudo das transformações, pelas quais propriedades similares se acham em sistemas aparentemente diferentes. Os símbolos e os signos só desempenham seus papéis enquanto pertencentes a sistemas regidos por leis internas de implicação e de exclusão e, ainda, porque é próprio de um sistema de signos ser convertido “transformable”, ou traduzível na linguagem de outro sistema a partir de substituições (ver O campo da antropologia, p.28-29 da edição francesa).
5. Dois Momentos da Demonstração “de uma exposição sistemática” (com exemplos ecléticos, ilustrativos) para apresentar quase “um grupo de três monografias” sobre a organização matrimonial do sul da Ásia, da China e da Índia p.22. Isso para evitar apresentar o risco de uma reflexão desencarnada (à la Westermarck) ou de uma explicação que generaliza a partir de um pequeno número de fatos (à la Durkheim). Mauss para Lévi-Strauss é o antídoto para esses riscos. P.21.
6. Distinção Natureza-Cultura – onde acaba a natureza? Onde começa a cultura? valor lógico, instrumento de método, distinção de princípio, valor analítico da oposição (aqui começa o problema). Digressão sobre uma conversa com um biólogo contemporâneo. (Seguir o meu caderno neste ponto).
7. O Problema do Incesto – a proibição do incesto enquanto regra é social e pré-social ao mesmo tempo, mas aqui é preciso distinguir aspectos para superar os atributos incompatíveis. Ela é social porque Regra e pré-social porque possui a forma da universalidade, própria da ordem da natureza, e impõe pela sua norma um tipo de relação. Vida Sexual duplamente exterior (natureza animal do homem e sobrevivência dos instintos), de um lado, (fins transcendentes de satisfação de desejos individuais ou tendências específicas). Se a regulamentação das relações entre os sexos é uma intervenção da cultura no interior da natureza, no íntimo da natureza prenuncia-se a vida social, porque “o instinto sexual é o único que para se definir tem necessidade do estímulo de outrem” p.50 Todavia, a passagem natural (contínua) da natureza à cultura é inconcebível (como também impraticável é a análise empírica da descontinuidade). Lembremos que, como assinalou Lévi-Strauss em o Campo da Antropologia, p.29, o procedimento para justificar a interpretação segundo a qual a proibição do incesto é em certo sentido a cultura não foi INDUTIVO. Por isso estamos diante de um fenômeno universal ambíguo já que funda o vínculo social e é já o próprio vínculo social. “Regra que abrange aquilo que na sociedade lhe é mais alheio, mas ao mesmo tempo regra social que retém, na natureza, o que é capaz de superá-la. A proibição do incesto está ao mesmo tempo no limiar da cultura, na cultura, e em certo sentido (...) é a própria cultura” p.50 Há aí uma dualidade, uma ambigüidade e um caráter equívoco que os sociólogos em vez de enfrentar, preferiram reduzir. Assim há 3 tipos principais de explicações reducionistas sobre o problema: “alguns invocaram o duplo caráter, natural e cultural, da regra, mas se limitaram a estabelecer entre um e outro uma conexão extrínseca, constituída por uma atitude racional do pensamento. Outros, quiseram explicar a proibição do incesto, exclusivamente ou de maneira predominante, por causas naturais, ou então viram nela, exclusivamente ou de maneira predominante, um fenômeno de cultura” p.62 Deste modo, contra a análise estática destas explicações, Lévi-Strauss propõe uma síntese dinâmica: ler passagens no livro páginas 62 e 63.

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